Festival Mulheres em Cena promove circuito artístico feminino em Salvador

Cena do espetáculo 'Ofélia: Sete Saltos Para Se Afogar'.

Cena do espetáculo ‘Ofélia: Sete Saltos Para Se Afogar’.

Com o fortalecimento dos movimentos de defesa e promoção dos direitos das mulheres e com a necessidade de assegurar espaços de atuação e representatividade feminina nas artes, as produtoras da Baluart Projetos Culturais e Gameleira Artes Integradas trazem para cena baiana o ‘Tristes, Loucas E Más: Festival de Mulheres em Cena’, que tem uma proposta de difusão e estímulo à produção cênica contemporânea de artistas criadoras da Bahia (naturais e/ou radicadas).

A programação do evento ocorrerá de 11 a 17 de setembro de 2017, com oficinas-encontros para partilha sobre os procedimentos criativos de algumas artistas participantes do Festival, apresentações de 14 solos, conversas temáticas e um espaço de convivência feminista. Para abrir os ritos, as atrizes irão fazer uma junção performática de suas intensidades múltiplas numa apresentação coletiva que ocorrerá nas escadarias da Barroquinha, no dia 13 de setembro, às 19 horas.

As ações ocorrerão na Casa Benin e ruas do Centro Histórico de Salvador, no Centro Cultural Barroquinha e no Teatro Gregório de Mattos.

Festival

O Festival toma emprestado o título do livro ‘Tristes, loucas e más – a História das mulheres e seus médicos desde 1800’, da escritora polaca Lisa Appignanesi, que traça o perfil histórico das tendências psiquiátricas que formularam a teoria da propensão feminina à Melancolia, à Loucura e à Violência. Tristes, loucas e más assume como eixo curatorial trabalhos solos propostos por mulheres que trabalham feminilidades e feminismos diversos numa perspectiva de expansão das expressões e existências de mulheres.

O impacto desta ação alcança esferas de construção política e social, fomentando reflexões sobre direitos igualitários e equanimidade. “Escolhemos trabalhos que têm grande poder de descondicionamento de ideias, de expansão de sensibilidades, de diversificação de afetos. São trabalhos que, cada qual a seu modo, provocam experiências de impacto e de insight e que, portanto, geram grandes reverberações”, explica Raiça Bomfim, da Gameleira Artes Integradas, que também assume a função de curadora do festival, juntamente com sua parceira Olga Lamas.

Apesar da amplitude dos debates em torno das políticas e subjetividades de mulheres, ainda não existe na Bahia um festival, circuito ou plataforma com foco no trabalho das artistas do corpo e da cena. Atendendo à demanda, ‘Tristes, loucas e más’ visa propulsionar a cena contemporânea das artes, injetando fôlego criativo e expandindo os canais de diálogo a partir da valorização da arte da cena feita por mulheres.

O que se propõe é que o festival seja, além de um circuito artístico, um ato político de visibilidade às mulheres. “Assumimos uma postura política, sim. Trata-se de um festival feminista, que atenta para questões envolvidas na produção artística de mulheres do circuito soteropolitano e para o potencial de transformação social das poéticas, temáticas e discursos perpassados nessas produções”, realça a dupla da Gameleira Artes Integradas.

Programação

O festival começará com as oficinas-encontros, que ocorrerão de 11 a 13 de setembro, sempre de 09 às 12 horas, na Casa do Benin, com entrada gratuita, voltadas para mulheres, mas abertas para público geral. Cada encontro terá um eixo temático (Tristes, Loucas e Más) e servirá para que as artistas partilhem os procedimentos criativos dos seus solos.

Já entre os dias 14 e 17 de setembro, no Centro Cultural Barroquinha, Teatro Gregório de Mattos e ruas do Centro Histórico de Salvador, serão apresentados os solos das artistas Olga Lamas, Lisa Vietra, Lais Machado, Paula Carneiro, Mônica Santana, Felícia de Castro, Lara Duarte, Raiça Bomfim, Isaura Tupiniquim, Roberta Nascimento e Lia Lordelo, além de um vídeo-performance de Michelle Mattiuzzi.

Para fomentar a reflexão temática, o festival contará com um Espaço de Convivência, localizado no quiosque na lateral do Centro Cultural Barroquinha. Ambiência para o público se acomodar antes, entre e depois das apresentações. O funcionamento será de quinta a domingo: quinta e sexta-feira, das 17 às 21 horas; sábado das 15:30 às 21 horas; e domingo das 15:30 às 19 horas.

Produção

A cooperação entre a Baluart Projetos Culturais e Gameleira Artes Integradas, ambas produtoras geridas por mulheres (cada qual com duas sócias-coordenadoras), que assinam a produção administrativa e a coordenação criativa do Festival, respectivamente, aponta para o desenvolvimento do trabalho de agentes da cultura do estado, concomitantemente com o fortalecimento de lideranças femininas e da presença de mulheres nos campos de articulação, gestão e produção artística.

Ambas produtoras têm realizado ações continuadas de estímulo, produção e difusão de projetos artísticos cujos discursos, propostas e/ou formatos perpassam questões sobre afirmação de subjetividades historicamente marginalizadas, democratização das artes, desenvolvimento de linguagens mestiças e fortalecimento de vanguardas artísticas.

Agenda

Oficinas-encontros:

Segunda-feira (11/09) – Eixo ‘Tristes’: encontro para partilha dos procedimentos criativos das artistas Olga Lamas, Raiça Bomfim, Lisa Vietra e Roberta Nascimento, com realização de proposições que envolvem aspectos e intensidades ligados à melancolia, silêncio, abismo, vertigem, solidão, morte, renascimento, das 9 às 12 horas. Casa do Benin.

Terça-feira (12/09) –  Eixo ‘Loucas’: encontro para partilha dos procedimentos criativos das artistas Laís Machado, Lara Duarte, Mônica Santana e Lia Lordelo, com proposições que envolvem aspectos e intensidades ligados à loucura, êxtase, extravasamento, deboche, excentricidade, das 9 às 12 horas, Casa do Benin.

Quarta-feira (13/09) –  Eixo ‘Más’: encontro para partilha dos procedimentos criativos das artistas Paula Carneiro, Isaura Tupiniquim, Michelle Mattiuzzi e Felícia de Castro, com proposições que envolvem aspectos e intensidades ligados à violência, crueldade, exaustão, grotesco, monstruosidade, das 9 às 12 horas, Casa do Benin.

Quarta-feira (13/09)

Abertura do Festival com ação artística coletiva das artistas participantes, às 19 horas, na escadaria entre Teatro Gregório de Mattos e Centro Cultural Barroquinha.

Conversas Temáticas:

Sábado (16/09) – ‘Mulheres desviantes’ com a convidada Márcia Limma, das 16 às 17 horas, espaço de convivência.

Domingo (17/09) – ‘Mãe artista’ com a convidada Maria Mariguela, das 16 às 17 horas, espaço de convivência.

Apresentações artísticas:

Quinta-feira (14/09):

Sagração, de Olga Lamas, às 16 horas, ruas do Pelourinho

Duas Calçolas para Tereza, de Lisa Vietra, às 18 horas, Centro Cultural Barroquinha

Obsessiva Dantesca, de Laís Machado, às 19 horas, Teatro Gregório de Mattos

Sexta-feira (15/09):

Sirva-se, de Olga Lamas, às16 horas, Pelourinho

Paulada Silva Selva, de Paula Carneiro, às 18 horas, Teatro Gregório de Mattos

Isto não é uma mulata, de Mônica Santana, às 19 horas, Centro Cultural Barroquinha

Sábado (16/09):

Ritos para invocação de Rosário, de Felícia de Castro, às 17 horas, Teatro Gregório de Mattos

Remedeia, de Lara Duarte, às 18 horas, Centro Cultural Barroquinha

Ofélia: Sete Saltos Para Se Afogar, de Raiça Bomfim, ás 19 horas, Teatro Gregório de Mattos

Domingo (17/09):

Ópera Nuda, de Isaura Tupiniquim, às 17 horas, Centro Cultural Barroquinha

Set List, de Felícia de Castro, às 17:30 horas, Espaço De Convivência Do Centro Cultural Barroquinha

Aquecemos corações a sangue frio, de Roberta Nascimento, às 18 horas, Galeria do Centro Cultural Barroquinha

TorquatáLia, de Lia Lordelo, às 19 horas, Teatro Gregório de Mattos

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