Empresa Dix afirma que governo do Mato Grosso do Sul não cumpriu obrigações contratuais com relação ao aeroporto de Bonito

Terminal Aeroporto de Bonito.

Terminal Aeroporto de Bonito.

Em reposta ao decreto do governo do Estado do Mato Grosso do Sul, publicado esta semana no Diário Oficial, que anula o contrato de concessão do aeroporto de Bonito, a Dix Empreendimentos Ltda, empresa que era responsável pela administração do terminal, esclarece que a ação tem o propósito de desvirtuar os fatos com o objetivo de eximir o poder público das suas responsabilidades pelo não cumprimento de suas obrigações em relação à conservação daquele importante equipamento para a população do Estado.

Segundo o diretor da empresa, Manoel Ferreira, a Dix, que vinha registrando prejuízos mensais de cerca de R$ 80 mil, tentou de forma insistente negociar a revisão do contrato com o objetivo de tornar a operação viável, mas não obteve sucesso.

Ele explica que, no edital de licitação para a concessão do aeroporto, previa-se uma movimentação de 130 mil passageiros por ano. Na prática, no entanto, o fluxo anual de usuários do terminal não passou de 10 mil o que deixa claro que o edital induziu ao erro que ocasionaram perdas significativas.

Ferreira afirma que a Dix investiu inicialmente mais de R$ 6 milhões, em cifras atuais, na construção de um moderno terminal de passageiros e garantiu, ao longo dos anos, a prestação de serviços com alto padrão de qualidade, cumprindo todas as exigências dos órgãos reguladores apesar dos prejuízos constantes.

Além disso, a empresa agregou ao aeródromo um dos onze hangares de referência no Brasil da BR Aviation e um moderno Posto de Abastecimento de Aeronave. Com isso, foi revertido ao Estado do Mato Grosso do Sul um patrimônio da ordem de R$15 milhões.

O empresário reclama que, apesar disso, a Dix não recebeu a menor atenção do governo. “Pelo contrário, por meio de uma medida unilateral e espúria, o Governo realizou em setembro passado uma intervenção arbitrária alegando a necessidade da realização de obras de recuperação da pista de pouso, obras essas que nunca foram realizadas, a não ser operações precárias do tipo ‘tapa buracos’ “.

Segundo Manoel Ferreira, as arbitrariedades não pararam por aí. Ele conta que, de forma flagrantemente ilegal, o Governo do Mato Grosso do Sul prorrogou a intervenção administrativa e, poucos dias depois, finalizou o processo concluindo pela necessidade de rescisão do contrato de concessão, colocando a culpa na Dix pelas más condições da pista de pouso.

“Nós repudiamos de forma veemente essas acusações pois a responsabilidade pela reparação é do Governo, uma vez que já recebemos a pista de pouso com problemas estruturais conforme está fartamente documentado”, rebate Manoel. Ele afirma ainda que, como empresa privada, a Dix não é obrigada a continuar à frente de uma operação deficitária. Por isso a empresa resolveu indenizar os funcionários e deixar a administração do aeroporto, a qual foi assumida pelo Governo do Estado que já onerou todos os custos da operação.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).