Deputado Targino Machado utiliza linguagem vulgar e senso comum para atacar secretário estadual e política de Segurança Pública da Bahia, expressando o ‘argumentum ad baculum’

Deputado Targino Machado utiliza linguagem inadequada e expressa pensamento vulgar sobre problema da violência na Bahia.
Deputado Targino Machado utiliza linguagem inadequada e expressa pensamento vulgar sobre problema da violência na Bahia.
Deputado Targino Machado utiliza linguagem inadequada e expressa pensamento vulgar sobre problema da violência na Bahia.
Deputado Targino Machado utiliza linguagem inadequada e expressa pensamento vulgar sobre problema da violência na Bahia.

Em nota encaminhada nesta quarta-feira (30/08/2017) à redação do Jornal Grande Bahia, o deputado estadual Targino Machado (PPS) critica severamente o secretário estadual da Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, e a política estadual de segurança.

— Não existe mais segurança na Bahia. Mais de seis mil baianos morrem por ano, sob a batuta do secretário Maurício Barbosa. O secretário é inoperante, bandido e eu vou provar. Se não tem homem na Assembleia Legislativa que queira peitar Vossa Excelência, eu estou peitando. Não tenho medo das auscultas e nem das ameaças que chegaram ao meu gabinete. Governador Rui Costa, cadê Vossa Excelência? Toma alguma providência! A Bahia requer isso! Nós queremos paz. A Bahia merece paz e para ter paz precisa tirar esses canalhas hospedados na Secretaria de Segurança Pública do Estado. — Declara Targino Machado.

Observa-se que ao aplicar ao pronunciamento do deputado conceitos de análise do discurso, em conjunção com estudos científicos no campo da sociologia da violência, infere-se que ele utiliza linguagem vulgar, denotando o uso do argumento da força e apresenta falácia típica do senso comum ao comentar sobre o problema da criminalidade, ou seja, as opiniões de Targino Machado em nada diferem de uma pessoa com baixo nível de instrução formal, no que concerne análise sobre as causas da criminalidade no Estado da Bahia e os mecanismos necessários para mitigar o problema social.

Discurso inadequado

A linguagem vulgar utilizada pelo parlamentar remete ao conceito do ‘argumentum ad baculum’ (argumento do porrete). Neste conceito, a falácia é dotada de força e coerção e objetiva convencer as pessoas, de forma violenta, que os argumentos apresentados são verdadeiros.

Observa-se que o uso do argumento da força é típico da ação fascista. A doutrina fascista entendia que as massas eram incapazes de compreender as ideias abstratas, e que apenas eram capazes de compreender acepções simplistas, expressões sentimentais de baixa complexidade, porem extremadas. Para os fascistas, as massas assimilavam ideias do sistema como se fossem deles próprios, desde que utilizados os mecanismos adequados de persuasão.

Senso comum

Com relação à análise que o deputado faz da questão criminal na Bahia, o erro crasso remete a acepções intelectuais primitivas. Estudos sociológicos indicam relação direta entre desigualdade social e níveis de violência em uma sociedade. Quanto maior a desigualdade, em maior intensidade se expressa a violência de classe. Nesse aspecto, os excluídos da sociedade organizada tendem a exacerbar a violência social à qual estão submetidos, devolvendo para a sociedade na forma de violência física.

Para mitigar o problema, são necessários programas de Estado que objetivem diminuir a desigualdade, ampliando o acesso à educação, moradia, saúde, emprego, esporte, lazer e entretenimento. Mecanismos fora do estado, a exemplo da religião, podem contribuir para o desenvolvimento de uma vida comunitária, contribuindo para mitigar individualismo e o apelo ao materialismo. Além destes aspectos, a valorização do vínculo familiar deve ser incentivada, como forma de ampliar a coesão social.

O sociólogo Marcos Tarcísio Florindo, docente do curso de Graduação em Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ao comentar sobre formas de mitigar a violência, em entrevista, declara:

— Articulando programas sociais e de educação. Com medidas efetivas que aproximem as classes da sociedade. É importante aproximar territórios desiguais da sociedade. Tratar pelo viés da repressão estrita, como um vírus a ser extirpado, gera mais arbitrariedade entre a polícia e esses setores, e respostas ainda mais violentas.

Conclusão

Pessoas dotadas de senso comum repetem a formula de mais coerção do Estado, através da repressão policial, como se o Estado pudesse ter um policial que vigiasse cada cidadão. A percepção vulgar destes indivíduos em nada contribui para solucionar o problema da violência. Políticos como o deputado Targino Machado deveriam ler mais, debater mais, para, na sequência, expressar opiniões que contribuam efetivamente para superação da violência.

Na contraordem, opiniões dotadas de senso comum e linguagem vulgar apenas acrescentam mais violência a um problema social grave, que necessita ser tratado com o devido rigor intelectual e ação conjunta do Estado e dos cidadãos.

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Sobre Carlos Augusto 9752 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).