Deputado José Carlos Aleluia expressa espírito vassalo e a percepção colonialista de parte da elite aculturada; aproximação comercial do Brasil com a China ocorreu durante os governos Lula e Rousseff

Deputado José Carlos Aleluia acompanha o presidente Michel Temer, durante visita a China. Afirmação do deputado expressa espírito vassalo, percepção colonialista, negação de uma política nacional desenvolvimentista e confirma o Golpe Parlamentar de 2016.
Deputado José Carlos Aleluia acompanha o presidente Michel Temer, durante visita a China. Afirmação do deputado expressa espírito vassalo, percepção colonialista, negação de uma política nacional desenvolvimentista e confirma o Golpe Parlamentar de 2016.
Deputado José Carlos Aleluia acompanha o presidente Michel Temer, durante visita a China. Afirmação do deputado expressa espírito vassalo, percepção colonialista, negação de uma política nacional desenvolvimentista e confirma o Golpe Parlamentar de 2016.
Deputado José Carlos Aleluia acompanha o presidente Michel Temer, durante visita a China. Afirmação do deputado expressa espírito vassalo, percepção colonialista, negação de uma política nacional desenvolvimentista e confirma o Golpe Parlamentar de 2016.

Públio Varínio, pretor romano do ano 70 a.C., ao perseguir os escravos que haviam fugido da escola de gladiadores de Cápua, é derrotado em Lucânia, Itália, por Espártaco, líder da fuga. A breve passagem da história do Império Romano ilustra, nos tempos atuais, o espírito vassalo do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM/BA), ao mesmo tempo em que expressa a percepção colonialista e de subordinação do parlamentar.

A analogia histórica é decorrente da interpretação da nota, encaminhada neste sábado (03/09/2017) pela assessoria do deputado à redação do Jornal Grande Bahia (JGB), em que afirma:

—“Em vez de ficar omitindo o papel decisivo do governo federal nas negociações com autoridades chinesas para destravar a execução da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e do Porto Sul, o governador Rui Costa deveria expressar publicamente gratidão ao presidente Michel Temer por está trabalhando pela Bahia”. — Afirma o deputado federal José Carlos Aleluia, ao integrar a comitiva presidencial em missão na China.

Ao analisar o pronunciamento de José Carlos Aleluia, observa-se que o parlamentar desconhece que relações entre representantes do poder público não se expressam pelo espírito da gratidão, mas do dever, ou seja, é dever dos governantes atuarem em conjunto com a finalidade de promover o desenvolvimento e a felicidade plena dos povos que representam.

Observa-se, também, que é sob a falsa ideia de “gratidão” que se encerra uma série de concepções de subordinação de classe social e poder.

Infere-se que é compreensível a afirmativa de José Carlos Aleluia, observando que ele integra uma comitiva governamental, após o apoio a usurpação antidemocrática do presidente Michel Temer (PMDB/SP).

Quem é Aleluia

Ele próprio, Aleluia, foi um dos derrotados no processo eleitoral de 2014, quando foi eleita a presidente Dilma Rousseff (PT/RS), ou seja, a evidência política de que a presidência de Michel Temer se constitui a partir do Golpe Parlamentar de 2016 se materializa na influência de políticos como Aleulia, ACM Neto (DEM), Geddel Vieira Lima (PSDB), Antonio Imbassahy (PSDB), todos, derrotados no pleito de 2014, que, neste momento, ocupam posição de destaque no Poder da República.

Relações bilaterais

Não obstante, a afirmação do deputado pode ser analisada como uma distorção histórica e concreta dos fatos. O sucesso da ação política do governador Rui Costa, em atrair capital chinês para projetos de infraestrutura no estado, em nada tem a ver com as medidas do Governo Temer. Observando que, muito antes do Golpe Parlamentar de 2016, o governador da Bahia, à época, Jaques Wagner, buscou atrair capital chinês para projetos do estado.

Observa-se, também, que, na sequência, Rui Costa ampliou o intercâmbio entre o Governo da Bahia e representantes da China, com a finalidade de evidenciar o estado como importante local para investimento em infraestrutura.

Neste contexto, os governos dos ex-presidente Lula (PT, 2003 a 2010) e Rousseff (PT, 2011 a 2016) promoveram diversos encontros com a China, Rússia, Índia e África do Sul, formalizando o bloco comercial dos BRICS que, posteriormente, resultou na criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

Em síntese, a aproximação do Brasil com a China fez parte de uma política estratégica de Estado, desenvolvida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que objetivava diminuir a influência estadunidense sobre o país, ampliando a autonomia da nação, através da constituição de relações bilaterais baseadas no interesse mútuo, e não na subordinação histórica de poder.

Curiosamente, a política de formação dos BRICS foi severamente criticada pelo bloco de poder do qual faz parte o deputado José Carlos Aleulia. Infere-se que estudos recentes apontaram para medidas do Governo Temer que ampliam a influência estadunidense no Brasil, em detrimento de uma política de nacional desenvolvimentismo.

Em síntese, José Carlos Aleulia expressa politicamente a vassalagem de parte da elite local ao capital internacional, ao mesmo tempo em que desenvolve políticas que mantém a sociedade brasileira aferrada ao passado colonialista escravocrata, impedindo que medidas que resultem no nacional desenvolvimentismo sejam implementadas.

Observa-se que José Carlos Aleluia é um político cuja liderança era subordinada ao senador Antônio Carlos Magalhães (ACM, Salvador, 04/09/1927 — São Paulo, 20/07/2007), político reconhecido historicamente como o deputado do Golpe Civil/Militar de 1964. Atualmente, Aleluia, como todo bom vassalo, segue a liderança do neto de ACM, prefeito de Salvador. É uma relação dinástica, típica de sociedades representadas por elites anacrônicas.

Expansão de capitais

Mas, o que leva a China a querer investir na Bahia?

A China está em um processo de expansão de capitais para o exterior e tem buscado oportunidades de investimento em diferentes lugares do mundo. Em 14 de maio de 2017, o presidente Chinês, Xi Jinping anunciou, durante o Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional (Belt and Road Forum for International Cooperation), aporte de US$ 14,5 bilhões para o Fundo da ‘Nova Rota da Seda’, um projeto de investimento com a finalidade de apoiar obras de transporte, telecomunicações e energia envolvendo 68 países da Europa, Ásia e África.

Observa-se que a China expande capital para o exterior com a finalidade de diminuir as reservas internacionais e, com isto, mitigar a valorização do iuane frente à outras medas, mantendo os produtos manufaturados no país com maior capacidade de competição internacional.

Pretor moderno

Ao analisar o contexto, infere-se que José Carlos Aleluia é um moderno pretor, representante de uma elite aculturada, subordinada ao capital internacional de origem estadunidense, que desconhecendo relações elementares de poder, recorre ao servilismo através da “gratidão”. Uma elite cuja ação concreta impede que o Brasil, uma das 10 nações mais ricas do mundo, desenvolva o potencial da autodeterminação, mantendo o povo aferrado a relações históricas de subordinação colonial.

Infere-se que assim como Públio Varínio foi derrotado por escravos, com o tempo, o povo, escravizado por um sistema ideológico e econômico, há de se emancipar, derrotado os modernos pretores, constituindo, com isto, a autodeterminação necessária para superação histórica.

Sobre Carlos Augusto 9705 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).