Como surgiu a comemoração do aniversário da Feira de Santana no 18 de Setembro | Por Adilson Simas

Galeria de ex-prefeitos de Santana, no Salão Nobre do Paço Maria Quitéria.
Galeria de ex-prefeitos de Santana, no Salão Nobre do Paço Maria Quitéria.
Galeria de ex-prefeitos de Santana, no Salão Nobre do Paço Maria Quitéria.
Galeria de ex-prefeitos de Santana, no Salão Nobre do Paço Maria Quitéria.

Vale a pena lembrar texto de minha autoria, lido no sábado, 16 de setembro de 2006, no programa ‘Primeira Página’, da Rádio Povo, à época ancorado pelo jornalista Valdomiro Silva, atual secretário municipal de Comunicação.

O dia da cidade

Nesta segunda-feira, comemora-se o Dia da Cidade. Foi no dia 18 de setembro de 1833 que o presidente da Província da Bahia, Joaquim Pinheiro de Vasconcelos, criou o Arraial de Feira de Santana. Tomou a decisão autorizada pelo Governo Imperial que em 13 de Novembro do ano anterior, determinou a criação de vilas em todo o país.

Durante a semana, ouvintes deste programa e leitores da ‘Tribuna Feirense’ me fizeram a mesma pergunta: Por que o aniversário da cidade em 18 de setembro se até pouco tempo a comemoração acontecia em 16 de junho? O 16 de junho lembra a Lei Provincial nº. 1320, que em 1873 elevou a Vila à categoria de cidade, com o nome Comercial Cidade de Feira de Santana.

Em 1973 comemorou-se intensamente o centenário da data.

Começou no primeiro dia do ano com o prefeito Newton Falcão que findava o mandato. E continuou com o prefeito José Falcão, tendo como ponto alto o dia 16 de junho.

A partir de então 16 de junho passou a ser o Dia da Cidade.

Incorporado ao calendário de eventos da câmara e da prefeitura que nunca deixaram a data passar em branco. Mesmo assim historiadores continuavam defendendo 18 de setembro como sendo o Dia da Cidade.

Entendiam que a emancipação da Feira aconteceu 40 anos antes, em 18 de setembro de 1833 e não em 16 de junho de 1873.

Entre eles estava o saudoso Mons. Renato Galvão que não se cansava de pedir a mudança da data. Convidado pela Câmara em 1979, para falar em 16 de junho, sobre o Dia da Cidade, Galvão não perdeu a oportunidade. Aproveitou a sessão solene e defendeu sua tese.

Segundo ele, quando a Lei de 16 de junho instituiu a Comercial Cidade de Feira de Santana, o Arraial de Feira de Santana já tinha status de cidade. Tinha porque já existiam na vila vários serviços públicos:

A câmara estava instalada há vários anos, Escola funcionando tanto para crianças como para adultos. Existia a Cadeia Pública e a autoridade competente.

Citou também que até já existia um jornal, ‘O Feirense’ mantendo informada a população da Vila. Essas e outras atividades davam ao Arraial de Feira de Santana o status de cidade.

Galvão encerrou sua palestra minimizando o 16 de junho, ao afirmar que o Decreto Provincial assinado naquela data foi recebido sem que a população comemorasse com efusividade.

Somente no ano 2000, quando Monsenhor Galvão já havia falecido, sua tese e de outros historiadores foi vitoriosa. A câmara oficializou o 18 de setembro como o Dia da Cidade.

Assim nesta segunda-feira, 18 de setembro de 2017, a cidade comemora 184 anos de existência. Crescendo e avançando.

Quem visita Feira não se cansa de elogiar principalmente a maneira como suas vias públicas foram projetadas. Vias planas, largas e longas. A beleza das nossas vias começou ainda no século XIX.

O grande jurista Filinto Bastos disse em memorável palestra sobre a cidade, proferida no Cine Santana, em 1917, que coube praticamente ao Coronel João Pedreira de Cerqueira delinear e realizar o primeiro plano de embelezamento da cidade, fazendo surgir as primeiras grandes vias em razão das edificações que construía.

No começo do século XX, por volta de 1903, foi a vez do coronel intendente José Freire de Lima dotar as vias púbicas de novo tipo de pavimentação.

Por exemplo, foram desaparecendo as chamadas pedras irregulares dando lugar aos primeiros calçamentos a paralelepípedos.

No final dos anos 50, mais um avanço: prefeito Arnold Silva introduziu a pavimentação asfáltica, começando pela Rua Castro Alves e vizinhança.

Nesse período já se destacava o engenheiro Doutor Brito, preservando na abertura de novas ruas a visão pioneira de João Pedreira.

*Adilson Simas é jornalista.

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