Procurador-geral venezuelano diz que denúncias de Luisa Ortega não são válidas; Luísa Ortega diz que entregará provas do envolvimento de presidente com corrupção

Procuradora-geral destituída da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, fala à imprensa no Palácio Itamaraty. Luísa foi destituída do cargo pelo governo de Nicolás Maduro.
Procuradora-geral destituída da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, fala à imprensa no Palácio Itamaraty. Luísa foi destituída do cargo pelo governo de Nicolás Maduro.
Procuradora-geral destituída da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, fala à imprensa no Palácio Itamaraty. Luísa foi destituída do cargo pelo governo de Nicolás Maduro.
Procuradora-geral destituída da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, fala à imprensa no Palácio Itamaraty. Luísa foi destituída do cargo pelo governo de Nicolás Maduro.

O novo procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, disse na quarta-feira (23/08/2017) que as denúncias da sua antecessora, Luisa Ortega, que assegura ter “muitas” provas de corrupção contra os principais dirigentes chavistas e contra o presidente Nicolás Maduro, não são válidas. A informação é da EFE.

“Estamos falando de uma ex-procuradora-geral que foi removida do cargo por ter cometido faltas graves contra a moral, contra a ética”, declarou Saab, após reiterar suas denúncias contra a ex-funcionária por supostamente liderar uma rede de extorsão durante seus 10 anos no cargo.

Durante uma declaração a jornalistas em Caracas, o procurador-geral venezuelano criticou que Ortega tenha esperado uma década para tornar públicas suas denúncias contra altos dirigentes da chamada revolução bolivariana, da qual se distanciou nos últimos meses por uma suposta ruptura da ordem constitucional.

“Dez anos depois, e fora do país, ela decide vir falar do que não fez, do que foi cúmplice (…) Carece de toda validade o que possa dizer uma ex-procuradora-geral que, em quase 10 anos, não impulsionou uma ação contra nenhuma das pessoas das quais ela agora fala”, destacou Saab.

Acusada de traição

A ex-procuradora venezuelana abandonou seu país após ser acusada de traição pelo governo e destituída pela plenipotenciária Assembleia Nacional Constituinte (ANC), integrada unicamente por governistas, que designou Saab para seu lugar.

“Agora ela é uma turista mundial. É preciso ver quem suporta logisticamente todas essas viagens com um séquito a cada dia maior”, afirmou o novo procurador, em alusão às visitas que Ortega fez à Colômbia e ao Brasil. Segundo ela, para entregar provas de vários delitos que envolvem o Executivo venezuelano.

Saab indicou que a ex-funcionária deveria ter apresentado essas provas perante a Justiça venezuelana, mas ela disse que no país não há possibilidade que estas denúncias prosperem, uma vez que o Poder Judiciário está subordinado ao governo.

O procurador-geral considera que sua antecessora “tem o repúdio nacional” na atualidade e procura fazer “propaganda para difamar” com as suas recentes viagens, “como uma promotora da vergonha e da ignomínia”.

Ortega atribuiu sua destituição e a perseguição política que diz sofrer na Venezuela “ao afã de esconder os fatos de corrupção” dos quais, segundo assegura, tem “muitas provas”, e às investigações que preparava sobre os subornos pagos pela Odebrecht a várias autoridades.

“Tenho provas no caso Odebretch que comprometem Maduro, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez e outros”, garantiu Luisa Ortega hoje na cerimônia de abertura de uma reunião de procuradores dos países do Mercosul em Brasília, onde disse que queria denunciar perante o mundo a situação de “corrupção desmedida” na Venezuela.

Maduro diz que pedirá prisão de ex-procuradora-geral à Interpol e acusa Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (22/08/2017) que pedirá à Interpol a captura da ex-procuradora-geral venezuelana, Luisa Ortega, e de seu marido, o deputado chavista Germán Ferrer, que “fugiram” do país na sexta-feira passada. A informação é da EFE.

A Migração colombiana informou que Luisa Ortega, que fugiu do país através de Aruba e se transferiu dali à Colômbia, partiu hoje para o Brasil, mas ainda não se sabe se viajou junto com seu marido Germán Ferrer. Ela participa nesta quarta-feira (23) da 22ª Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul, em Brasília, a convite da Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil.

“Eu espero que estes delinquentes sejam entregues à justiça venezuelana para que se faça justiça em território e jurisdição da Venezuela”, disse Maduro, durante uma coletiva de imprensa com meios de comunicação nacionais e internacionais no Palácio de Miraflores.

O presidente venezuelano criticou que “o governo golpista do Brasil acolha estes foragidos da Justiça venezuelana, a ex-procuradora-geral e seu marido”, a quem acusou de ser “a chefe do cartel” do Ministério Público, em alusão às acusações que o oficialismo venezuelano fez contra Ferrer, a quem acusa de ter liderado uma suposta rede de extorsão.

“Eles os estão acolhendo, diz-me com quem andas e te direi quem é”, comentou, após apontar que a ex-procuradora-geral se uniu também à oligarquia colombiana e que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, “se converteu em protetor desta rede de extorsão”.

Maduro acrescentou que “seguramente” Ortega se transformará em “uma peça dos ataques do governo dos Estados Unidos” contra a Venezuela. “O que [ela] pode fazer contra nós, além de mentir?”, perguntou Maduro, que acusou a ex-procuradora e seu marido de terem se escondido atrás de uma “máscara chavista” enquanto chegavam a acordos com os EUA “para prejudicar a Venezuela”.

Luisa Ortega foi destituída do seu cargo no último dia 5 de agosto, em razão do que a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) denominou como “atos imorais”. Contra seu marido foi ditada uma ordem de captura depois dele ser acusado pela Constituinte e pelo novo procurador-geral, Tarek Saab, de ser parte de uma trama de extorsão que supostamente operava dentro do Ministério Público.

Luísa Ortega diz que entregará provas do envolvimento de Maduro com corrupção

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz disse na quarta-feira (23/08/2017) que apresentará a autoridades brasileiras, colombianas, espanholas e norte-americanas provas de corrupção contra o presidente Nicolás Maduro e pessoas próximas a ele.

Segundo ela, esses documentos ligam o presidente venezuelano a empresas espanholas e mexicanas que receberam centenas de milhões de dólares provenientes de corrupção.

“Essas provas eu as tenho comigo e vou cedê-las a alguns Estados para que processem as pessoas, que correspondam a Nicolás Maduro [presidente da Venezuela], [o deputado] Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez [pessoas ligadas diretamente a Maduro] e a todos que tenham lucrado com isso. Mas não somente no caso da Odebrecht, em que detectamos depósitos de US$ 100 milhões feitos por Cabello em uma empresa espanhola denominada TSE Arietis, que tem como proprietários os primos Alfredo e Gerson”, disse a procuradora após participar da 22ª Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul (REMPM), na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Ela informou haver 11 obras da empresa brasileira paralisadas em seu país.

Destituída do cargo de procuradora-geral pela Assembleia Constituinte venezuelana, Luísa Ortega disse ter provas também do envolvimento de integrantes do governo com uma empresa mexicana responsável pelas bolsas de alimentos entregues na Venezuela. “Essa empresa se supõe ser de Nicolás Maduro, apesar de estar em nome de outras pessoas”, disse ela.

“Também temos essas provas e as entregarei a autoridades de outros países para que se investigue, visto ser impossível se investigar na Venezuela qualquer feito de corrupção ou narcotráfico. Não há Justiça na Venezuela. A comunidade internacional tem de investigar esses casos”, acrescentou.

A ex-procuradora-geral também afirmou que tem sofrido ameaças. “Quero informar que tenho sofrido ameaças contra minha vida. Caso isso ocorra, quero que o governo venezuelano seja responsabilizado”, completou.

Luísa Ortega disse ainda não ter decidido se pedirá asilo político a algum país. “Por enquanto, apenas a Colômbia me ofereceu asilo, mas ainda não decidi se aceitarei lá ou em qualquer outro país. Devo decidir isso nos próximos dias”. A ex-procuradora se disse contrária a qualquer forma de ação militar em seu país. “Isso prejudicaria a população”.

Manifestações de procuradores-gerais

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot disse, durante a reunião, que a destituição de Luísa Ortega Díaz foi ilegítima, além de representar “um verdadeiro estupro institucional”.

“A história da América Latina foi marcada por violência, repressão e usurpação de direitos. Mas, sobretudo, pelo sonho de liberdade. Sem democracia e liberdade, não há Estado de Direito. Faço essa reflexão porque, no início de nossos trabalhos, gostaria de abordar a questão da Venezuela e a rápida resposta desse bloco em apoio à procuradora”, disse Janot ao comentar os problemas políticos vividos pela Venezuela e a suspensão aplicada pelo Mercosul.

Segundo ele, ao subjugar seu Ministério Público, a Venezuela faz uso de um “verdadeiro poder ditatorial”. “Assistimos a um estupro institucional do Ministério Público Venezuelano”, disse. “Nosso vizinho não têm mais condições de defender direitos fundamental da vítima e dos acusados”, acrescentou ele, ao lembrar, que o caso já recebeu críticas de governos e procuradores dos países vizinhos.

A procuradora-geral da Argentina, Alejandra Gils Carbó, reforçou as críticas feitas por Janot. Ao defender o alinhamento dos ministérios públicos dos países do Mercosul, Alejandra se disse preocupada com a interferência de governos em investigações como as da Lava Jato. “Temos um dilema para seguir mantendo um sistema de trabalho alinhado que nos permita um enfoque regional dos crimes de corrupção”, disse a procuradora.

O procurador-geral do Paraguai, Javier Díaz, também manifestou solidariedade a Luísa Ortega e considerou o afastamento dela “uma bofetada no Estado de Direito”. “Te reconhecemos como fiscal da Venezuela”, acrescentou o paraguaio.

Luísa Ortega foi destituída do cargo no dia 5 de agosto por “atos imorais” pela Assembleia Nacional Constituinte. Antes aliada do chavismo, ela se tornou uma das principais críticas de Maduro após a convocação da eleição da assembleia e foi considerada inimiga do governo.

Histórico

A ex-procuradora-geral Díaz chegou ao Brasil na madrugada desta quarta-feira (23), poucas horas depois de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter anunciado que pediria à Interpol (rede de polícia internacional) que ela e seu esposo, o deputado chavista Germán Ferrer, fossem presos.

Na Venezuela, as manifestações políticas intensificaram-se desde abril passado, depois que o Supremo Tribunal de Justiça divulgou duas decisões que limitavam a imunidade parlamentar e tomou para si as funções do Parlamento, que declarou como estando “em desacato”. Em seguida, foi convocada uma Assembleia Nacional Constituinte, medida criticada pela então procuradora-geral, que foi destituída após o início dos trabalhos dos novos deputados.

Ex-procuradora atribui perseguição de Maduro à investigação do caso Odebrecht

A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, atribuiu a “perseguição sistemática” do governo de Nicolás Maduro a ela e aos funcionários do Ministério Público à investigação do escândalo de pagamento de propina da construtora brasileira Odebrecht em vários países da região. A informação é da agência EFE.

“É o maior caso de corrupção na região e isso os mantêm muito preocupados e angustiados, porque eles sabem que temos informação e detalhes de todas as operações e valores”, afirmou Luisa Díaz em uma participação por telefone na Cúpula de Procuradores e Promotores da América Latina, que se encerra nesta sexta-feira (15) no México.

“Essa investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e o seu entorno. Qualquer informação que seja enviada ao Ministério Público será utilizada para fins contrários aos previstos. A evidência será destruída e as informações aproveitadas para atentar contra a fonte”, alertou a ex-procuradora-geral.

Ela foi aliada do chavismo até o início do ano, quando passou a fazer duras críticas a Maduro. Agora, está sendo acusada pelas mortes ocorridas nos protestos contra o governo da Venezuela e é acusada de participar de um esquema de corrupção junto com seu marido, o deputado Germán Ferrer, que teve sua prisão pedida ontem.

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