Igrejas neopentecostais floresceram na ditadura e no meio da estagnação econômica na década de 1980 | Por Sérgio Jones

Artigo aborda expansão das igrejas neopentecostais no Brasil.

Artigo aborda expansão das igrejas neopentecostais no Brasil.

Pensar sempre foi considerado, ao longo de nossa história, artigo de luxo e privilégio de poucos, quando se trata do povo brasileiro. Este comportamento tem suas raízes calcadas na cultura, a princípio dos colonizadores, na sequência da elite “nacional”. A palavra de ordem sempre foi voltada para estimular a alienação das massas, tendo como um dos seus maiores bastiões e aliados, o futebol e mais recentemente, a religião. Todas estas práticas permissivas, quando usadas com estes objetivos, têm contado com o apoio, e o incentivo da grande mídia, sendo que estes órgãos de comunicações se encontram concentrados nas mãos de apenas sete famílias. O mais curioso é que esta elite financeira não pensa no bem-estar da nação e de seu povo. Têm como motivação maior lucrar através da nefasta prática da ganância e desmedida avareza.

No período da ditadura, de modo geral, as igrejas do protestantismo histórico calaram-se diante do Golpe Militar A partir da segunda metade dos anos de 1970 e na década de 1980. Surgiu como principal deste segmento a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977. Ela floresceu em meio a estagnação econômica da década de 1980. Centrando sua pregação no exorcismo, no donativo e numa ambiciosa estratégia midiática. Esta nova ordem se torna conhecida como neopentecostalismo.  Com posição política pragmática direciona o seu apoio a candidaturas conservadoras e de grande hostilidade à esquerda. Este mesmo caminho segue parte das outras igrejas evangélicas.

De acordo com Joanildo Burity, um dos representantes do segmento evangélico, “algumas lideranças evangélicas negam não ser verdade que o discurso público dos pentecostais representa o conjunto ou expressa uma voz única e coesa de todos os próprios pentecostais. Nem o comportamento. Pois embora haja manifestações claras e condenáveis de intolerância ‘nas bases’, a esmagadora maioria dos pentecostais é cordata, respeitosa e honesta, ao ponto mesmo de passivamente não reagir à manipulação e à patente corrupção de muitos dos líderes eleitos bem como a obscena riqueza de todas as figuras carimbadas que lideram as principais denominações pentecostais, quando comparadas ao conjunto dos fieis”.

Abusos

Em 2015, o deputado evangélico Fábio Silva (PMDB) tentou aprovar uma lei que multava quem fizesse sátiras religiosas. Só não foi aprovada devido à pressão exercida por milhares de humoristas, o que tornou possível que fosse enterrada a censura. Este mesmo político fundamentalista e fiel aliado de Cunha, um ano depois (1916), tentou mais uma vez aprovar a lei de que as igrejas tenham prioridades em procedimentos administrativos ou judiciais no Estado do Rio de Janeiro. Regra que vale apenas para idosos ou pessoas com deficiência. Como se não bastante o descabido privilégio de não ser obrigada a pagar impostos, em um Estado laico.

Para a doutoranda Etiane C. Bovkalovski de Souza e Marionilde D. B. de Magalhães, o pentecostalismo globalmente representa esse tipo de cristianismo desinteressado da doutrina e centrado no emocional, na vivência do sobrenatural. Por isso são tão importantes, nele, os milagres, os sinais como o falar em línguas (glossolalia), as curas e os exorcismos.

*Sérgio Antonio Costa Jones é jornalista | E-mail: [email protected]

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

Manchete

Colunistas e Artigos

+ Publicações >>>>>>>>>

Sobre o autor

Redação

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]