11 de julho, aniversário do marinheiro de luz Edilsom Fernandes da Silva, presidente da Barquinha de Ji-Paraná, Rondônia

Edilsom Fernandes e Juarez Bomfim na AYA2016

Edilsom Fernandes e Juarez Bomfim na AYA2016

Corria o mês de junho de 1989. O jovem Edilsom Fernandes da Silva (Fernando) chegara a Rio Branco – Acre, com o intuito de conhecer a igreja ayahuasqueira da Barquinha, presidida pelo sr. Manuel Hipólito de Araújo (10.06.1921 – 17.08.2000). Ele já conhecia a luz da hoasca, porém, seria a primeira vez que provaria do Santo Daime.

Fernando era então — e continua sendo — um buscador espiritual. Por herança paterna e vocação pessoal. Filiado desde 1981 ao Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento (CECP), filiou-se depois a AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosacruz) e a Ordem do Graal na Terra. E continua ainda hoje a ser um eterno estudante das ordens ocultistas existentes no Mundo Terra.

Ele foi muito bem recebido pela comunidade religiosa daquele centro espírita, Casa de Jesus e da Virgem Maria, tomou o Daime oferecido pelo sr. Antonio Lopes da Silva (26.06.1921 — 09.11.2008), e sentou para esperar o início dos trabalhos.

É cantado o salmo Culto Santo e os demais hinos de abertura, abrem-se as cortinas do templo, são feitas as rogativas de pedido de guarnição para os irmãos iniciarem a viagem no Barquinho Santa Cruz, navegando na Santa Luz do Daime, rumo aos Santos Pés de Jesus, tendo por companheiras a Rainha da Floresta e a Princesa Santa Fé.

Quando cânticos de louvor se elevam das vozes dos homens aos céus, Deus, Ele mesmo, desce para conceder a sua graça. Quando cânticos de louvor descem do Céu a Terra, Deus, Ele mesmo, nos abençoa com a sua Divina Presença.

O Culto Santo é simples, todo estruturado na forma de orações e cânticos, com um puxador dos salmos e o coral de irmãos presentes no salão respondendo uníssono, cantando o refrão.

Naquela sagrada noite estrelada acreana, começa a maior das viagens de Edilsom Fernandes, singrando os mares sagrados, navegando nas ondas do Daime, em lindos balanços de luz.

A Santa Luz do Daime

Vinho das almas, liana dos espíritos, cipó dos mortos. O Daime é o vinho do êxtase espiritual. E depois que provou do vinho do êxtase espiritual, Fernando soube que nenhuma outra experiência podia ser igual.

O poder da Luz do Daime

Em verdade vem de Deus…

Santos mistérios de luz

Aonde Deus derrama as graças

Para quem tem fé e amor.

Na miração Deus fez com que Fernando experimentasse um sagrado estado mental, imerso na paz curativa. A alegria divina o elevou em Espírito. Ao sobrevir o profundo êxtase de Deus os seus pensamentos se aquietaram, banidos pelo comando mágico da alma. Ao beber a bem-aventurança Divina, que é o Daime, Fernando experimentou uma embriaguez de alegria que nem todo álcool do mundo poderia lhe proporcionar. Ele reconheceu que a sagrada bem-aventurança da Luz do Daime nunca teria fim.

A miração é o estado de comunhão com Deus, quando se transcende a consciência mundana e se percebe o seu ser como Espírito, feito à imagem do Divino. A consciência expandida levou Edilsom Fernandes (Fernando) ao despertar da sua destinação espiritual, e começar a compreender a Missão que lhe era reservada. O Daime lhe levou a viajar por outros planos e dimensões.

Ao entrar na vida corporal, por disposição Divina o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores e o compromisso espiritual assumido perante Deus. É como se um véu os ocultasse, para que o homem passe pelas provas terrestres — assim como o Nosso Senhor Jesus Cristo foi destinado a passar. Deus em Sua sabedoria quis assim.

Porém, na Santa Luz do Daime Fernando compreendeu que a memória divina é eterna. E a memória divina residia nele como Uma parte do Todo que se individualiza através do Espírito. Ao retirar o véu que encobre a Verdade, Fernando ligou-se firmemente ao seu aspecto eterno, a sua essência — que é Deus. E assim começou o seu retorno à casa do Pai.

Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece

Profundamente impressionado, ao término do trabalho Fernando procurou o Presidente Manuel Araújo, e narrou parte do que viu e sentiu, perguntando se o Velho Pastor testificava tudo aquilo, ou se era só fantasia da sua cabeça.

O presidente daquela Fonte de Luz lhe respondeu com um convite:

— Meu filho, amanhã começamos um feitio de Daime. Você está convidado a participar. E aí conversamos.

No ato, o jovem visitante agradeceu e aceitou o convite. No dia seguinte, no gabinete do presidente, onde Manuel Araújo recebia seus convidados, ele  serviu um cálice de Daime a Fernando.

Quando a força e a luz do Daime chegou, uma luz o irradiou e uma entidade espiritual, um Caboclo das Matas, usou do aparelho físico de Fernando para se manifestar e falar.

O Caboclo das Matas contou ao presidente Manuel Araújo quem era Edilsom Fernandes e toda a sua vida até aquele dia, o apresentando e o recomendando. Falou também das calúnias que ele ouvia do que falavam lá fora sobre o Daime e sobre aquela Casa Espírita.

Manuel Araújo o esclareceu:

— Meu filho, são palavras à toa de quem não tem a luz da verdade. Tudo isso é fruto da ignorância e da desinformação.

Ao sair do transe extático, Fernando surpreendeu-se. Nunca havia manifestado nenhum dom mediúnico. Tudo para ele tinha sido, até então, teoria, algo frio, cerebral, distante — apesar da permanente busca. Naquele momento conheceu e reconheceu o seu mestre espiritual, Manuel Hipólito de Araújo, o homem que o guiaria e o ensinaria as coisas de Deus e a Doutrina do seu Mestre, Daniel Pereira de Mattos, o Frei Daniel.

Naquela mesma data, Edilsom Fernandes da Silva pediu alistamento nos Santos Exércitos de Jesus, para ser um Soldado de Ordem no batalhão de Mestre Daniel.

— Mestre Manuel, por favor me aliste aqui nesta Casa. Lhe peço filiação.

O Velho Pastor sabia da sinceridade do pedido, pois vinha do coração. Porém, respondeu:

— Não, meu filho. Ainda não. Você vai ficar um ano como meu ‘convidado de honra’. Conhecendo esta Casa de Jesus e aprendendo nesta Escola Espiritual.

Igreja, Escola, Hospital e Quartel dos Santos Exércitos de Jesus

Uma singularidade da linha espiritual denominada Barquinha é que ela é, ao mesmo tempo, Igreja, Escola, Hospital e Quartel dos santos exércitos de Jesus.

Vejamos:

  1. Igreja

A Barquinha é uma Igreja porque ali se congrega a comunidade evangélica do Nosso Salvador, confiante nas promessas de Jesus Cristo:

— Onde se reunirem dois ou três em meu Nome, ali Eu estarei no meio deles.

O templo físico das casas da Barquinha, constitui-se em uma estrutura arquitetônica dedicada ao serviço religioso. Um lugar sagrado. Porém, são os cânticos, as preces e os bons pensamentos dos devotos que o sacraliza.

Em sentido figurado, o templo (Igreja) é a habitação de Deus sobre a terra.

Ao expulsar os vendilhões do Templo, usando um grosso chicote de Cipó, Jesus os repreendeu, dizendo:

— Não façais da Casa do meu Pai um covil de ladrões. A Casa de meu Pai é uma Casa de Oração.

Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe:

— Que autoridade tens para fazeres isto?

Jesus respondeu, e disse-lhes:

— Derribai este templo, e em três dias o levantarei.

Disseram, pois, os judeus:

— Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

Mas Jesus falava do Templo do seu Corpo.

  1. Escola

Esta Casa Espírita é uma Escola porque ali o devoto ouve e guarda, no fundo do coração, as palavras sagradas cantadas em lindos salmos, melodiosas canções. Doutrina transmitida através dos hinos — valsas-serenatas, marchas e outros ritmos — que embelezam os cânticos de louvor e instruções morais entoados.

É uma Escola Espiritual porque se aprende com o Daime, bebida de poder inacreditável, planta mestra, professor dos professores.

A Barquinha é uma Doutrina de Cristianismo Exotérico e Cristianismo Esotérico. As ciências e mistérios aprendidos objetivam o fortalecimento da amplitude consciencional e, consequentemente, o desenvolvimento espiritual.

  1.     Hospital

Esta Casa de Jesus e da Virgem da Conceição é também um Pronto Socorro Espiritual (Hospital), pronto a receber todos que chegar; atender os doentes — encarnados e desencarnados — que vêm em busca de um conforto, uma cura para os males físicos e espirituais.

  1. Quartel

O participante que decide permanecer neste navio-escola e navio-hospital, trabalhando em obras de caridade, ingressa como soldado dos Santos Exércitos de Jesus — do Céu, da Terra e do Mar — recebe o Símbolo de Salomão (Hexagrama) e assume o compromisso de servir neste Quartel como marinheiro de luz no Barco Santa Cruz; e a Santa Cruz Bendita se torna a arma de defesa de quem decide assumir esta Missão como sua religião, no batalhão sob o comando de Mestre Daniel.

E assim fez Edilsom Fernandes da Silva, quando assumiu o compromisso do fardamento em 4 de outubro de 1990 — Dia do Senhor São Francisco das Chagas, patrono da Missão.

Meus irmãos recebam a farda

Capacete, escudo e lança…

Nossa farda é a firmeza

O capacete é o Amor

O nosso escudo é a Fé

As lanças são as devoções

Edilsom Fernandes da Silva, presidente, padrinho e mestre

Nascido na Vila de Bom Pastor, Cidade de Resplendor, Minas Gerais, Edilsom Fernandes é casado há 29 anos com Maria José da Silva e é pai da jovem Mariana. Trabalha como representante comercial e profissional de TI (Tecnologia da Informação), de onde tira o seu sustento.

Chegou a Ji-Paraná (Rondônia) em 1984, vindo do Rio de Janeiro, onde servia a Marinha Brasileira como Fuzileiro Naval de Primeira Classe, membro da Infantaria e armeiro.

Na sua origem, Fernando é de religiosidade budista. Ao conhecer a Ayahuasca se tornou cristão. Mas esclarece:

— Embora esteja hoje sob o pensamento cristão, continuo com compreensão búdica. Que é essencialmente o mesmo pensamento. A espiritualidade Búdica é exatamente a mesma espiritualidade Crística.

Assim é Edilsom Fernandes (Fernando): universalista, pluralista, multiculturalista e ecumênico.

Com esforço e sacrifício — que ele chama de ‘sacro ofício’ — Fernando se deslocou por muitos anos, quinzenalmente ou semanalmente, percorrendo as centenas de quilômetros que separam Ji-Paraná (Rondônia) da capital do Acre, Rio Branco, para cumprir o intenso calendário litúrgico daquela Casa Espírita.

Todavia, logo após o fardamento, o Velho Pastor dera-lhe uma missão, em confiança no seu discípulo dileto:

— Meu filho, você não pode permanecer um peregrino, um caixeiro viajante espiritual. Eu lhe autorizo a reunir os seus amigos, lá na sua cidade, para comungarem da Santa Luz. Autorizo você fundar um Posto Avançado desta Missão, em Ji-Paraná. Fundar um Pronto Socorro Espiritual.

— Mas Mestre Manuel, como devo me conduzir na sua ausência? O senhor vai estar sempre ao nosso lado?

Naquele momento, o Velho Pastor selou um compromisso com Edilsom Fernandes, deste mundo a eternidade:

— Meu filho, se você seguir nesta Doutrina e fizer o que eu lhe ensinei, que aprendi com o Mestre fundador da Missão, o Frei Daniel, e dela somos zeladores, estarei sempre contigo.

Assim, em 13 de fevereiro de 1991, em visita a comunidade rondoniense, o Velho Pastor Manuel Araújo consagrou o Ponto de Luz que surgia, para realizar obras de caridade, em benefício dos inocentes e de toda humanidade.

Hoje, após uma longa caminhada de 26 anos, esta Casa Espírita encontra-se firmada no Mundo Terra e consagrada no Plano Espiritual.

A Casa de Jesus e Lar de Frei Manuel – a Barquinha de Ji-Paraná

O ‘Centro de Regeneração Espiritual Casa de Jesus e Lar de Frei Manuel’ é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, juridicamente constituída, que pratica a Doutrina Espírita Cristã denominada Barquinha, fundada por Mestre Daniel Pereira de Mattos.

Nas atividades litúrgicas do Lar de Frei Manuel é ingerida a bebida de poder inacreditável denominada Daime (Ayahuasca), que é central para as cerimônias religiosas desta linha espiritual.

A Barquinha de Ji-Paraná (Rondônia) foi autorizada e consagrada pelo Velho Pastor Frei Manuel, e funciona ininterruptamente desde o ano de 1991, prestando obras de caridade em benefício dos irmãos necessitados, seguindo o lema do seu mentor: “fazer o bem sem olhar a quem”.

Esta instituição ayahuasqueira está sediada na aprazível Chácara Divina Luz, zona rural de Ji-Paraná (início da Estrada RO-135, (saída para Nova Londrina) e é bastante conhecida e respeitada na sociedade local.

Pois foi nesta linda e agradável chácara que se erigiu o sagrado templo para as celebrações litúrgicas desta Casa Espírita. Numerosas construções compõem o complexo religioso: além do Templo, o Coreto, Casa de Feitio, Gabinete da Presidência, Biblioteca, Secretaria, hospedaria, acomodações para as crianças, cozinha e refeitório, jardins e outros ambientes, manejo florestal de Cipó Jagube e Folha Rainha, reserva florestal — tudo bem cuidado e zelado por esta ordeira e laboriosa irmandade.

Deste Barco a navegar Edilsom Fernandes da Silva é o timoneiro, ao lado do Mestre Fundador e do Velho Pastor Frei Manuel da Cruz.

Edilsom é mestre, presidente e padrinho desta linda irmandade, esta encantadora Missão. Ele costuma dizer que sem os seus queridos irmãos ele não é nada, não é ninguém.

Edilsom é chamado de Mestre Fernando. Sim, ele é um mestre porque ensina, porque doutrina. Ensina através dos lindos cânticos, mensagens espirituais e preleções sobre o caminho do Amor, da Paz, da Verdade e da Justiça.

Edilsom é presidente desta encantadora instituição religiosa, desta Barquinha. E ele é um bom presidente: zeloso, organizado, obreiro, empreendedor e outras inúmeras qualidades.

Edilsom é padrinho dos seus inúmeros afilhados de pia e demais afilhados espirituais. Ele é o Padrinho Fernando. Reconhecimento de muitos pelo seu amor ao próximo, disposição para servir e praticar a caridade.

Todavia, o que o bom amigo e bom irmão Edilsom Fernandes carrega consigo mesmo é o símbolo da humildade.

Jesus perguntou certa vez aos seus discípulos:

— Que estavam vós discutindo pelo caminho?

Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior. E Ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes:

— Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

Assim é o senhor Edilsom Fernandes da Silva.

Esta é a missão de luz do mestre, padrinho e presidente Edilsom Fernandes, nosso querido Fernando.

A Paz de Deus seja conosco.

Palestra de Edilsom Fernandes da Silva no Fórum Caleidoscópio dos Psicodélicos, na UNICAMP, em 22.11.2016:

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]