A nau dos inocentes | Por Luiz Holanda

Ministro Edson Fachin preside sessão da 2ª turma do STF. Relator do Caso Lava Jato, Edson Fachin abriu 76 inquéritos contra políticos a partir da delação de Marcelo Odebrecht.
Ministro Edson Fachin preside sessão da 2ª turma do STF. Relator do Caso Lava Jato, Edson Fachin abriu 76 inquéritos contra políticos a partir da delação de Marcelo Odebrecht.
Ministro Edson Fachin preside sessão da 2ª turma do STF. Relator do Caso Lava-Jato, Edson Fachin abriu 76 inquéritos contra políticos a partir da delação de Marcelo Odebrecht.
Ministro Edson Fachin preside sessão da 2ª turma do STF. Relator do Caso Lava Jato, Edson Fachin abriu 76 inquéritos contra políticos a partir da delação de Marcelo Odebrecht.

No barco da corrupção, nenhum tripulante é culpado. Todos são inocentes, principalmente Lula, Dilma, Aécio, Renan, Jucá, Angorá, Padilha (que ACM chamava de Quadrilha) , Temer e alguns outros respondendo a inquéritos e denunciados na Operação Lava Jato. O assunto é o mais discutido e comentando nestes últimos tempos.. Televisões, rádios, jornais e até a internet estão repletas de notícias expressando a revolta do povo contra a roubalheira que assola o país.

Institucionalizada pela classe política e pelo Judiciário como um dos princípios fundamentais da Administração Pública brasileira, a corrupção atinge todos os órgãos, cargos e poderes da República. Segundo o povo, o artigo 2º de nossa Carta Magna deveria estar assim redigido: Art. 2º- São poderes da União, independentes e corruptos entre si, o legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Quando o PT indicou um tal de Waldir Maranhão como presidente interino da Câmara dos Deputados, sabia o que estava fazendo. Era preciso salvar Dilma Rousseff da degola. De igual modo, quando Lula diz que, se for eleito, mandará prender todo jornalista que falar mal dele, está apenas avisando que usará o Executivo como poder de polícia, coisa que nem o AI-5 fez, pois jamais foi permitido aos presidentes militares prender jornalistas.

Entre os líderes políticos acusados de corrupção, os que mais se destacam são Temer, Lula, Aécio e Dilma. Não se passa um só dia sem que esses quatros sejam acusados de alguma falcatrua, com destaque para Temer, que até o aluguel do seu escritório, em São Paulo, ele pediu para o Joesley pagar.

Mesmo assim, apesar de todas essas acusações, nada acontece com essa gente. Há quatro anos as ruas se encheram para protestar contra a roubalheira. Parecia haver um movimento apartidário de cidadãos que desejavam melhorar a classe política brasileira. Hoje já se sabe que nada adiantou. Os políticos continuam sendo acusados de corrupção e se dizendo inocentes.

Com o impeachment de dona Dilma, O PT acusou o PMDB e o PSDB de golpistas. Agora querem dar um golpe derrubando Temer e convocando eleições diretas. Como Lula está na frente das pesquisas e ainda não foi preso, a ocasião é essa. Ganham as eleições, assumem o poder e tudo continua no mesmo.

O resultado dessa politicagem é que passamos a ter uma batalha ideológica entre a esquerda corrupta e a direita canalha, e não uma luta a favor da ética no trato da coisa pública. No Brasil, a classe política só pensa em enriquecer, no poder ou fora dele. E como sistemas políticos não se consertam sozinhos, fica difícil acabar com a corrupção com um Judiciário conivente, onde os garantistas da impunidade dominam e protegem os corruptos de qualquer acusação.

Veja-se, por exemplo, o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral-TSE. O episódio serviu para demonstrar o triste e indecente papel do Ministro Gilmar Mendes, amigo e protetor de Temer, incentivador máximo do retrocesso institucional em que vivemos.

A absurda justificativa usada pelo ministro para defender a legalidade do Caixa 2, utilizando uma suposta necessidade de preservação de uma governabilidade ingovernável, excluindo provas do processo para salvar um já condenado pelo povo, desmoralizou não somente o TSE (a maior jabuticaba do Judiciário pátrio), mas também o Supremo Tribunal Federal, onde ministros são flagrados em plena prática de atos incompatíveis com a magistratura.

Toda vez que temos o julgamento de algum poderoso, ninguém é condenado, por mais corrupto que seja. Consolida-se em nosso país o triste e indecente papel de ministros do STF que assumem ser coadjuvantes, quando não atores principais, da destruição do próprio Judiciário.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, abriu 76 inquéritos contra políticos a partir da delação de Marcelo Odebrecht. Dos envolvidos nesses inquéritos, 74 tiveram seus sigilos quebrados, sendo que, do governo Temer, oito são ministros. No Senado, 24 senadores são acusados de corrupção, enquanto na Câmara são 37 deputados. Dentre os governadores, 12 já estão mais do que comprovados.

Antes de serem descobertos, não só mostravam poder como riqueza, muitas das vezes de forma arrogante. Agora que foram pegos com a boca na botija, todos se dizem inocentes. A culpa passou a ser dos empresários, que querem se beneficiar da delação premiada para sair ilesos, a exemplo de Joesley Batista.

Quando confrontados com a Justiça, o que mais se ouve dessa gente é a famosa frase dita pelo ator Luís Carlos no filme Carandiru: “Doutor, aqui dentro todo mundo é inocente, o Senhor não sabia?”.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Sobre Luiz Holanda 394 Artigos
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: lh3472@hotmail.com.