Grupo de intelectuais lança manifesto em defesa do nacional desenvolvimento

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Liderado por Luiz Carlos Bresser Pereira, grupo defende mudanças na política econômica.
Liderado por Luiz Carlos Bresser Pereira, grupo defende mudanças na política econômica.

Um grupo de intelectuais liderado pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira lançou na noite desta quinta-feira (27/04/2017) um documento propondo uma série de medidas consideras necessárias para a retomada do desenvolvimento econômico. Batizado como “Manifesto Projeto Brasil Nação”, o texto foi divulgado na Sala dos Estudantes na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Originalmente, o documento foi assinado por personalidades como Raduan Nassar, Chico Buarque, Ermínia Maricato, Paulo Sérgio Pinheiro, Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Luiz Gonzaga Beluzzo, André Singer e João Pedro Stedile.

“O Brasil vive uma crise sem precedentes. A indústria definha. Programas e direitos sociais estão ameaçados. A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo”, diz o manifesto.

Qualificando o atual governo como “reacionário”, além de “antipopular e antinacional”, que leva à “dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos”, o texto diz também que a atual agenda econômica atende aos interesses de “uma coalizão de classes financeiro rentista”.

A proposta, em defesa de um “regime desenvolvimentista e social”, elenca cinco pontos fundamentais para a retomada do desenvolvimento nacional: uma regra fiscal que permita uma atuação contracíclica do Estado, taxa de juros mais baixa, superávit na conta corrente do balanço de pagamentos, retomada do investimento público e reforma tributária progressiva.

Evento

Além de parte dos signatários originais do documento, o lançamento do manifesto, mediado pela jornalista Eleonora de Lucena, contou com a presença de diversos militantes, artistas e acadêmicos.

“Somos um grupo de pessoas que se reuniu diante da situação dramática que vivemos. O próprio país, a ideia de nação está sob ataque. Há uma sanha destruidora em curso em todas as áreas”, introduziu Lucena.

Bresser Pereira explicou alguns pontos do manifesto, ressaltando a distinção entre crescimento e desenvolvimento econômico: “Nós estamos preocupados em fazer a crítica. Precisávamos também apontar um caminho. Existe uma alternativa”, disse. “O país está semi-estagnado desde 1980. Desde 1990, se estabeleceu uma política econômica liberal no Brasil que não promove desenvolvimento – e nem pode promover. Nós queremos um Estado forte. Nós precisamos de juros mais baixos. Por que os juros são elevados? Porque há fortes interesses dos rentistas e financistas”.

“Nos precisamos retomar o desenvolvimento – com justiça social, com proteção do meio ambiente. Isso é possível”, apontou o economista.

Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, foi um dos que discursou, elogiando a iniciativa: “Eu atribuo a este momento a potencialidade de ser um momento fundador: aqui estão as pistas. O consenso pode ser estabelecido em torno das questões centrais”.

Algumas falas ressaltaram o caráter popular da proposta. Entre elas, a de Fábio Konder Comparato, professor de Direito da USP: “Estamos presenciando um fato da maior importância para o Brasil. Qual o coração de uma nação? O povo. Hoje precisamos assumir um compromisso: quem deve reconstruir o país é o povo”.

Já Celso Amorim, ex-chanceler brasileiro, indicou a necessidade de valorização da cultura para um novo projeto de desenvolvimento. “Soberania não é apenas sobre os recursos naturais, mas também sobre nossa alma”, disse ele, sob aplausos.

Presentes

O evento contou com o apoio do Centro Acadêmico 11 de Agosto, órgão que representa os estudantes da Faculdade de Direito da USP.

Douglas Fernandes, militante do Levante Popular da Juventude – organização que integra a direção da entidade – explicou a razão pela qual abrigaram o evento: “Esse projeto coloca o Estado na dianteira da promoção do desenvolvimento e da soberania, na contramão de tudo que vem sendo feito no último período pelo presidente golpista. Em um momento de crise, é extremamente importante devolver ao Estado o seu papel, pró-ativo social e economicamente, agregando força popular ao seu projeto”.

Cientista político que colaborou com a iniciativa de Bresser, Lucas Dib explicou que este primeiro manifesto enfoca as questões econômicas, e que a expectativa é que o projeto se converta em movimento político, se difundindo pelo país.

“O objetivo principal é reconstruir um projeto nacional. De 1930 a 1980 o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo, excetuando o Japão. Se a economia não cresce, não há inclusão social. Ter um projeto nacional significa agregar um grupo majoritário da sociedade civil que tenha consciência de um destino comum e de como alcançá-lo”, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato.

Política

Mesmo com enfoque econômico, a situação política do país foi abordada no ato de lançamento.

“Defendemos eleições gerais em outubro de 2017. O país não aguenta até 2018 nesse rumo. Sem legitimidade popular não há como sair da crise. É preciso apresentar ao povo que o Brasil tem jeito. Estamos em outro contexto político e econômico, por isso, precisamos de um novo programa baseado em reformas de base”, defendeu em seu discurso Lindberg Farias, senador pelo PT (RJ).

Um dos presentes na plateia, o jornalista Raimundo Pereira, tocou também na questão: “Para o país tomar um novo rumo, é preciso primeiro resolver o problema político. A solução achada pela direita foi o golpe parlamentar. É preciso um pacto com unidade entre as forças que se opõe a esse golpe, seja as que se opuseram [desde o primeiro momento], seja as que começam a perceber a extensão do estrago da política em curso”.

Como esperado, a greve geral de sexta-feira (28) também foi mencionada. Uma das integrantes da mesa, a economista Leda Paulani, apontou a importância da mobilização: “Um espectro ronda o Brasil. O espectro da Greve Geral. Contra ela se levantam todas as velhas forças que constituem a história de nosso país: a mídia, o grande capital, os interesses estrangeiros. Mas ela é, sem dúvida, a única saída para o povo que deseja preservar sua dignidade”.

O articulador do Manifesto, Bresser Pereira, seguiu na mesma linha, combatendo aqueles que criticam a paralisação.

“Essa greve é uma greve para construir o Brasil”, disse ele ao final de sua fala.

*Por Rafael Tatemoto, do Brasil de Fato.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 112957 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]