Corpo do cantor Belchior é sepultado em Fortaleza

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Velório de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes).
Velório de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes).
Velório de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes).
Velório de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes).

O corpo do cantor Belchior foi sepultado na manhã de hoje (02/05/2017) em Fortaleza, no cemitério Parque da Paz. Natural de Sobral, no noroeste cearense, ele morreu no Rio Grande do Sul no último domingo (30) após passar dez anos sem localização certa.

O corpo do músico foi trasladado para o Ceará e velado ontem (1º) pela manhã em Sobral e, durante a tarde e a noite, na capital cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Por volta de 7h de hoje (2), houve uma missa no centro cultural e o caixão com o corpo do cantor seguiu em cortejo pelas ruas de Fortaleza em um carro do Corpo de Bombeiros até o cemitério.

Repetindo as homenagens prestadas durante os velórios que reuniram milhares de pessoas, fãs e amigos cantaram seus maiores sucessos no cemitério. O Parque da Paz é o mesmo local onde o pai e a mãe de Belchior – que morreram durante o período em que ele ficou recluso – estão enterrados. O sepultamento foi restrito aos parentes.

Belchior vivia em Santa Cruz, município do Rio Grande do Sul, com sua mulher, Edna Prometheu. Segundo seus irmãos, ele nunca deixou de produzir e tem várias composições novas. Ainda não se sabe o que será feito desse material inédito.

Familiares, amigos e fãs se despedem de Belchior durante velório em Fortaleza

Um imenso coro de fãs cantava músicas de Belchior no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, enquanto aguardavam a chegada do corpo do cantor, que morreu ontem (30), no Rio Grande do Sul. A fila dava voltas na Praça Almirante Saldanha até a porta onde os fãs entrariam para se despedir do artista.

O corpo de Belchior foi trasladado do Rio Grande do Sul para o Ceará na madrugada de domingo (1º), sendo velado inicialmente em Sobral, sua cidade natal, no Teatro São João. O público também lotou o local e acompanhou o cortejo do caixão no carro do Corpo de Bombeiros.

Em Fortaleza, o corpo do artista também chegou ao Centro Dragão do Mar em carro aberto, sob salva de palmas dos fãs. Alexandre Osiecki e Kami Queiroz são de Santa Catarina e homenagearam Belchior ao pintar no rosto com tinta preta um bigode grosso e um sinal na bochecha, marcas características do cantor.

“O que me conforta é saber que ele morreu feliz. Eu imaginava ele estava depressivo, triste, mas as últimas informações mostraram que ele vivia bem. Isso me fez ficar menos triste”, disse Alexandre.

Ele e Kami fazem parte da organização do Festival Psicodália, realizado anualmente em Rio Negrinho (SC) durante o carnaval. O sonho deles era achar o artista, que vivia recluso há mais de uma década e sem localização certa. Diante de uma informação de que Belchior vivia no Uruguai, eles planejavam realizar uma viagem de carro em busca do cantor.

“Ele não vai morrer. Temos um amor muito grande por ele no Sul. Todos somos Belchior: de coração, de pensamento, em poesia, música e arte. Nos festivais rurais, procuramos refúgio, sair da cidade, sair de si e ser você. Foi isso o que o Belchior fez”, afirmou Kami.

O poeta e compositor Leonardo Lucas, 25, expressou sua mensagem em um cartaz onde escreveu “Obrigado, Belchior”.

“Este é o meu agradecimento ao Belchior pelo que ele fez pela geração dos meus pais e também pela minha. Ele contribuiu com nosso crescimento, com nosso pensar. A única palavra que encontrei para me expressar foi obrigado. Houve um grande movimento em Fortaleza chamado ‘Volta, Belchior’, mas ele teve de voltar dessa maneira. No entanto, voltou para o sertão, para o canto que é dele, e a memória dele nunca vai morrer”, acrescentou Leonardo.

Belchior teve paradeiro incerto desde 2005. O irmão mais novo, Francisco Gilberto Belchior, informou que o último contato direto que teve com ele foi há dez anos. Quatro anos atrás, tentou falar por telefone, mas não teve retorno.

“Guardo a memória de Belchior como amigo, fumando um charutão e deitado na rede. Ele foi um artista completo: fazia letra, música, partitura e cantava. Temos de mostrar nesse momento que ele era um artista muito querido em todo Brasil, que venceu na vida. Estávamos aguardando os lançamentos que ele tinha falado.”

O velório de Belchior segue no Centro Dragão do Mar durante a noite e madrugada. Por volta das 9 horas de amanhã (2), o corpo do artista será levado para o Cemitério Parque da Paz, onde será enterrado próximo às sepulturas dos pais e demais familiares.

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