“Situação brasileira não é um beco sem saída”, diz ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso (FHC): Eu estou realista, meu partido é favorável ao voto digital e parlamentarismo. Neste momento, isso está muito distante da realidade. O que você pode fazer agora é a cláusula de barreira, proibição dos votos proporcionais e discutir abertamente o financiamento de campanha.

Fernando Henrique Cardoso (FHC): Eu estou realista, meu partido é favorável ao voto digital e parlamentarismo. Neste momento, isso está muito distante da realidade. O que você pode fazer agora é a cláusula de barreira, proibição dos votos proporcionais e discutir abertamente o financiamento de campanha.

Ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso (FHC) reconhece que o Brasil vive uma situação complicada, do ponto de vista econômico e político. Ainda assim, não é “um beco sem saída”. Durante o ‘Fórum: Resultados do 1º ano do exame toxicológico para motoristas profissionais’, promovido pelo jornal Correio Braziliense nesta quinta-feira (27), o tucano falou sobre os desafios do governo do presidente Michel Temer, e destacou a necessidade das reformas propostas pela atual gestão.

Para Fernando Henrique, os problemas do país estão sendo resolvidos aos poucos. Um grande passo foi dado com a aprovação da proposta de modernização das leis trabalhistas, relatada pelo deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN).

“Na parte econômica, o Congresso votou uma lei importante [a reforma trabalhista]. Na parte política, estamos todos na expectativa dos desdobramentos da Lava-Jato, não tem como evitar essa questão. Vamos ver o que vai acontecer com isso. Essa dificuldade existe, é inequívoca. Quem vai resolver isso é a Justiça”. disse.

“A situação do Brasil chegou a tal ponto que é preciso fazer as reformas. O governo Temer vai se justificar historicamente pelo que ele conseguir fazer, não pela popularidade”, considerou.

O tucano avaliou que são as circunstâncias que criam e renovam lideranças. Foi o que aconteceu quando ele foi nomeado pelo então presidente Itamar Franco, em 1993, para o Ministério da Fazenda.

“Quando o presidente Itamar me colocou na Fazenda, eu estava fora do Brasil, era ministro do Exterior e feliz da vida. Achei que era uma insensatez dele e minha. Ministério das Relações Exteriores era muito mais confortável que o da Fazenda, principalmente com a inflação galopante. O que eu fiz? Tem que juntar gente, quem acha que sabe tudo vai quebrar a cara”, contou.

“Uma dificuldade que tive era que as pessoas que juntei, de alta competência técnica, achavam que não havia possibilidade de fazer muita coisa porque o Congresso estava sob a mira dos anões do orçamento, havia inquietação e era um governo de transição. Qual foi minha discussão com eles ali? Ou se faz nessas oportunidades, ou não acontece nada. Exatamente porque está tudo parecendo que está se desfazendo, que tem a possibilidade de fazer, e nós fizemos, conseguimos. Acho que a situação brasileira, que tem todos os desalentos que se sabe, não é um beco sem saída”, acrescentou.

Ciclos da economia

O ex-presidente ressaltou que a população brasileira deve entender que a economia é feita de ciclos.

“Bem ou mal, o governo começou a tomar medidas para ajeitar a situação de descontrole financeiro. A economia não funciona só em função do que as pessoas que estão no poder decidem. Há ciclos. Nós aqui chegamos a um ciclo de baixa tão grande que a inflação não tem mais como não ceder, porque não tem demanda. Às vezes, são fatos alheios à vontade do governo que favorecem ou atrapalham”, afirmou.

Ainda assim, na opinião do tucano, é preciso que os governantes saibam conversar com a sociedade. “Eu sou institucional, acho que se você elege alguém que tem só política, depois não tem como governar. Governar é um ato complexo que exige não só capacidade de falar com a Nação, como falar com o Congresso e, ao mesmo tempo, fazer a máquina funcionar”, ponderou.

Foro privilegiado

Favorável ao fim do foro privilegiado para autoridades, Fernando Henrique Cardoso também comentou a aprovação em primeiro turno, por unanimidade, do projeto de lei no Senado.

“O foro privilegiado como é hoje é para muitos, o que torna tudo muito lento. Tem que ver quais são as situações que cabem o foro privilegiado. Chefes de poder, eventualmente os próprios parlamentares. Mas em que tipo de crime? Essa é a questão principal. Não como é hoje, uma barreira para muitos. O Supremo não tem capacidade de lidar com isso. A medida no Congresso foi um gesto de guerra”, completou o presidente de honra do PSDB.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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