Salvador: Hospital Roberto Santos promove debate aberto ao público sobre depressão

Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

Debater os diversos aspectos da depressão, tema da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde, 7 de abril de 2017. Com esse objetivo, o Serviço de Psiquiatria do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, promove no próximo dia 12 o Círculo de Conversa sobre o transtorno que pode afetar 15% da população em algum momento da vida. Aberto ao público, o evento acontece no auditório do edifício anexo à instituição, às 9h.

Participam do debate, que terá mediação da jornalista Olga Goulart, apresentadora do programa Sinta-se Bem, da Rádio Sociedade da Bahia, os psiquiatras Lucas Argolo, coordenador do hospital e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e Ângela Scippa, professora, pesquisadora e chefe do Centro de Estudos de Transtorno do Humor e Ansiedade da Universidade Federal da Bahia (Cetha-Ufba), além da psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), serviço do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave), e autora do livro ‘A morte pode esperar? Clínica psicanalítica do suicídio’.

“Todo 7 de abril, o mundo inteiro é chamado para refletir sobre um tema dentre os de maior relevância em saúde pública pela celebração do Dia Mundial da Saúde. O tema deste ano é a depressão, que tem cada vez mais importância pelo impacto devastador que causa nas pessoas e nos reflexos sociais que traz para toda a comunidade”, explica Argolo.

De acordo com o médico, apesar de estar entre as principais causas de incapacidade, de ser o principal transtorno associado aos índices alarmantes de suicídio e de apresentar eficácia de tratamento com conhecidas terapias biológicas e psicossociais, o tema ainda é envolto em preconceitos. “O acesso a informações, os investimentos em prevenção e tratamento são muito escassos na maioria das sociedades ao redor do mundo”.

Outro agravante cultural, enfatiza o profissional, é o estigma que há quanto à necessidade da consulta com psiquiatra ou do uso de um psicofármaco ou da realização de um procedimento para o tratamento adequado. “É sobretudo contra essa barreira cultural, contra esse tabu, que se impõe essa campanha mundial, cujo lema é ‘Vamos conversar’, a fim de estimular uma discussão mais ampla”.

Transtorno crônico

Com projeção de aumentar a prevalência para 20% nos próximos anos, a depressão, como explica Lucas Argolo, é um transtorno crônico caracterizado por recaídas. “Os períodos entre as crises podem ser acompanhadas de sintomas subsindrômicos [aqueles que, embora presentes, não preenchem critérios para o diagnóstico de um episódio depressivo], por vezes persistentes, que podem conferir um impacto ao funcionamento do indivíduo tão grande quanto uma síndrome clínica franca”.

As mulheres são mais acometidas pela depressão. Segundo o psiquiatra, trata-se de uma condição clínica complexa e heterogênea, com fatores psíquicos, somáticos e comportamentais, que tem como principais sintomas a tristeza e a falta de prazer e motivação. Casos graves, alerta Lucas, podem levar a desfechos fatais como o estupor ou suicídio. “Felizmente, hoje temos um grande repertório de abordagens psicoterápicas, de medicamentos disponíveis, bem como outras abordagens biológicas, a exemplo da fototerapia e eletroconvulsoterapia”.

Psiquiatria no HGRS

O Serviço de Psiquiatria do HGRS desenvolve um trabalho voltado para a clientela hospitalar do estado da Bahia, fornecendo atendimento e educação continuada em saúde mental. Oferece, ainda, atendimento multidisciplinar, com interconsultas para pacientes internados em todos os setores e internação em psiquiatria e atendimento ambulatorial. É campo de prática para os internos de Medicina da Uneb e os residentes de psiquiatria do Hospital Juliano Moreira (HJM).

“Nesta celebração do Dia Mundial da Saúde, é forçoso chamar atenção da população para a forte relação que a depressão tem com as necessidades e eventos que ocorrem em um hospital geral. Quando o indivíduo necessita de internação, ele pode desenvolver uma reação à hospitalização com manifestação de sintomas depressivos. A notícia de um diagnóstico inesperado ou temido, a realização de um procedimento podem ter um impacto emocional importante e determinar a manifestação de síndromes depressivas”, ressalta Argolo.

Segundo ele, “as doenças crônicas diversas têm ampla relação com apresentações depressivas devido ao estresse, mas também ao comprometimento do sistema nervoso, endocrinológico ou imunológico – doenças inflamatórias, cardiovasculares ou oncológicas têm alta relação com depressão. Em pacientes com doença arterial coronariana e angina, a prevalência de depressão pode chegar a 70% e, entre as pessoas com lombalgias, artrite, diabetes e hipertensão, pode ser tão alto quanto 85%”.

 Para o psiquiatra, o estresse das emergências, da expectativa, dos sofrimentos que levam as pessoas ao leito hospitalar, o convívio com a morte que ocorre no hospital todos os dias, atingem pacientes, familiares e também as equipes de trabalhadores. “Indivíduos deprimidos têm piores desfechos clínico-cirúrgicos; aumentam o tempo de internação e, consequentemente, os custos com o tratamento; têm pior prognóstico pelo aumento da morbimortalidade; não aderem adequadamente ao tratamento e ao regime de cuidados”.

Ainda de acordo com o coordenador do HRGS, a presença de um serviço de psiquiatria no hospital geral é, portanto, fundamental para a correta orientação do cuidado em saúde mental e permite uma atenção estratégica a indivíduos que necessitam de tratamento, estão fragilizados pela doença e sofrem adicionalmente pelo subdiagnóstico psiquiátrico”. Mais informações sobre o Círculo de Conversa sobre Depressão podem ser obtidas pelo e-mail hgrs.psiquiatria@saude.ba.gov.

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