Padre Cícero, o santo da minha mãe | Por Luiz Holanda

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Cícero Romão Batista foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste.
Cícero Romão Batista foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste.
Cícero Romão Batista foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste.
Cícero Romão Batista foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará, bem como do Nordeste.

Nascido no Crato, em 24 de março de de 1844, tornou-se filho de Juazeiro do Norte por adoção. Hoje é seu santo e padroeiro. Seu nome: Padre Cícero Romão Batista. De família humilde, viviam do trabalho dos país, o velho Joaquim Batista e de dona Joaquina Romana, a famosa “Dona Quinó”. Padre Cícero só foi à escola quando tinha seis anos. Com 12 anos fez voto de castidade, influenciado por São Francisco de Sales. Era o começo de sua santidade.

Em 1860, aos 16 anos, foi estudar em Cajazeiras, na Paraíba, onde ficou apenas dois anos, pois seu pai faleceu, em 1862. Isso o fez interromper seus estudos e voltar para Juazeiro, para ajudar sua mãe e suas irmãs solteiras, pois a morte do pai trouxe graves problemas emocionais e financeiros. Padre Cícero permaneceu junto de sua família até completar 21 anos.

Foi com essa idade que ingressou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde se ordenou em 30 de novembro de 1870. Em seguida voltou para sua terra natal, onde exerceu o sacerdócio e se tornou professor de latim

Somente em 1871, num dia de natal, visitou, pela primeira vez, o povoado de Juazeiro, até então pertencente ao Crato, onde celebrou a tradicional Missa do Galo. Nessa época Cícero tinha 28 anos de idade. Tanto o povo humilde do povoado, como ele próprio, sentiram-se reciprocamente atraídos, até que, num belo dia fixado pelo destino, Padre Cícero sonhou.

O sonho mudou sua vida. Nele, Jesus Cristo e os seus doze apóstolos estavam sentados à mesa quando, de repente, uma multidão de famintos entrou na sala para implorar a proteção do Criador. Após uma pequena dissertação sobre a humanidade, Cristo, apontando para os pobres, virou-se para Cícero dizendo: “tome conta deles”. Naquele momento ele acordou, completamente santificado, certo de que, a prtir de então, pertencia a Juazeiro e ao seu povo.

Figura polêmica, misturava religião com política, sempre em defesa dos mais necessitados. Sabia que algum dia sua santidade seria reconhecida, não só pelo povo, mas pela própria Igreja Católica. O Papa Francisco, praticamente, já a reconheceu quando afirmou que a “atitude do Pe. Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual”. Só faltou dizer que esse sinal eram os milagres por ele obrados.

Padre Cícero inaugurou um novo tipo de sacerdote, voltado para o povo, acompanhando-o em seus sofrimentos e angustias, defendendo os seus direitos e procurando modificar suas condições sociais para melhor oferecer-lhe um eficiente e adequado bem estar, tanto espiritual como social.

Numa madrugada de sexta-feira, 6 de março de 1889, durante a comunhão, após uma noite de vigília e orações com outros fiéis na capela de Nossa Senhora das Dores, ao receber a hóstia pelas mãos de Padre Cícero, a beata Maria de Araújo sentiu um gosto de sangue. Só aí notou que metade da hóstia consagrada (a outra ela havia engolido) sangrara ao contato com sua boca. Cícero guardou no sacrário o pano manchado de sangue entregue pela beata, ordenado-lhe que se mantivesse em silêncio. Era o início dos milagres.

Entre seus milhares de devotos se encontrava minha mãe, nascida em Natal, Rio Grande do Norte. Ao mudar-se para Juazeiro, conheceu meu pai, parceiro para toda vida. Tiveram dezenove filhos, quase todos mortos, logo após o parto.. Dos poucos que sobreviveram, apenas quatro estão vivos. Desses, três são devotos do Padre Cícero por convicção. Somente eu sou devoto por tradição.

Os restos mortais dos meus pais e dos meus irmãos estão no cemitério de Juazeiro, ao lado da Igreja de nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em frenta da qual existe uma Praça onde se encontra a estátua do Padre Cícero.

*Luiz Holanda é juazeirense, advogado, professor universitário.

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Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]