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O significado da crucificação de Jesus Cristo

Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, ali o crucificaram. Jesus, porém, dizia:

— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem

Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem

Desde criança ouço e procuro a real compreensão do axioma cristão que afirma: “Jesus morreu na Cruz para nos salvar”.

Pergunto: qual o real sentido do sacrifício do Redentor? Qual o significado da crucificação de Jesus Cristo?

Eu entendia essa máxima da cristandade — “Jesus morreu na Cruz para nos salvar” — apenas parcialmente, isto é, como sendo que o Mestre dos mestres morreu devido a reação contrária dos inimigos à verdade contida nos seus ensinos; o Mestre pagou com a própria vida por sua existência íntegra e justa entre os iníquos, o que despertou a reação agressiva dos seus adversários, que o crucificaram.

Jesus pagou com a própria vida por amar ao próximo e praticar a caridade. Esta lição é o caminho da salvação.

Todavia, este significado não é completo. Esta é a compreensão exotérica, aberta, da crucificação. Não é suficiente para entendermos os mistérios da Nova Aliança de Deus com os homens, selada no Corpo e sangue de Cristo.

A verdadeira compreensão do sacrifício do Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo, vamos ter ao saber porque Jesus ofereceu‑se como resgate pelos pecados de seu povo.

O significado esotérico, oculto, da crucificação, está no poder do mestre espiritual em “queimar” os pecados de seus discípulos, e de muitos, no seu próprio corpo — afortunadamente, para quem recebe esta graça.

Na Índia Secreta, iogues de profundo adiantamento conhecem o método metafísico para a transferência física das enfermidades. Paramahansa Yogananda nos diz que um homem forte pode ajudar um fraco no transporte de uma carga pesada; já um super‑homem espiritual é capaz de minorar as dificuldades físicas e mentais de seus discípulos, carregando uma parte de suas cruzes cármicas. Muitos santos cristãos, como São Francisco, por exemplo, são versados em transferência metafísica de doenças.

Para entendermos isto, podemos fazer uma comparação com o caso de um homem rico que renuncia a certo dinheiro quando paga uma grande dívida de seu filho pródigo, salvando‑o das consequências medonhas de seus desatinos. Um mestre pode voluntariamente sacrificar uma parcela de sua riqueza física para aliviar a miséria de seus discípulos.

Afirma Yogananda:

“Por um método secreto de yoga, o santo une sua mente e seu veículo astral aos do indivíduo que está sofrendo; a doença se transfere, inteira ou em parte, à forma carnal do iogue. Como um ceifador que efetua a colheita de Deus no campo físico, um mestre já não se preocupa com seu corpo. Embora ele possa permitir a esse mesmo corpo que adoeça a fim de aliviar outras pessoas, sua mente, impoluta, não é afetada. Considera‑se feliz ao poder prestar essa ajuda. Para quem alcança a salvação final no Senhor, o corpo, em verdade, preencheu seus objetivos; um mestre o usa, então, da maneira que lhe parece mais conveniente.

“A obra de um guru (mestre) no mundo é aliviar as tristezas da humanidade, seja por meios espirituais seja por conselho intelectual, pelo poder da vontade ou ainda pela transferência física das doenças. Escapando para a superconsciência sempre que o deseja, um mestre pode esquecer sua enfermidade física; às vezes, para oferecer um exemplo a seus discípulos, escolhe suportar a dor corporal com estoicismo.

“Impondo a si mesmo os males alheios, um yogue pode satisfazer, em benefício de outros seres, a lei cármica de causa e efeito. Esta lei funciona automática e matematicamente; suas operações podem ser cientificamente manipuladas por homens de sabedoria divina.

“A lei espiritual não exige que um mestre se torne doente cada vez que ele cura alguém. Geralmente um santo restitui a saúde a um sofredor pondo em prática o conhecimento que tem de vários métodos de cura instantânea que não resultam em danos para o taumaturgo espiritual. Em ocasiões raras, entretanto, um mestre, desejoso de acelerar bastante a evolução de seus discípulos, consome voluntariamente, em seu próprio corpo, uma boa parte do carma indesejável deste” (Autobiografia de um Yogue).

E continua: “só um mestre com a realização de Deus pode transferir sua força vital para outros corpos ou deslocar para o seu as doenças alheias. Um indivíduo comum não pode usar este método iogue de cura; nem é desejável que o faça, porque um instrumento físico doentio é um obstáculo à meditação profunda. As Escrituras hindus ensinam que o dever imperioso do homem é conservar seu corpo em boas condições; do contrário, sua mente é incapaz de permanecer fixa em concentração devocional”.

“Mentes muito fortes, contudo, podem transcender todas as dificuldades físicas, e alcançar, experimentalmente, a percepção de Deus. Numerosos santos não tomaram conhecimento da enfermidade e obtiveram sucesso em sua busca divina. São Francisco de Assis, severamente atormentado por doenças, curou outros homens e até ressuscitou mortos” (Yogananda, mesma obra).

Com a sua morte na Cruz, Jesus ofereceu‑se como resgate pelos pecados da humanidade. O Cordeiro de Deus veio para o sacrifício. Yogananda conclui: com seus divinos poderes, Cristo nunca se sujeitaria à morte pela crucificação se não quisesse cooperar com a lei sutil de causa e efeito. Assim, transferiu para si as consequências do carma de outros, especialmente o de seus discípulos. Foram estes sumamente purificados, tornando‑se aptos a receber o Espírito Santo (consciência onipresente) que mais tarde desceria sobre eles.

A salvação está no perdão?

Escreveu o Evangelista Lucas: “quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, ali o crucificaram. Jesus, porém, dizia:

“— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

A salvação está no perdão? Perdoados somos purificados?

Jesus Cristo queimou no seu corpo o pecado da humanidade. Com o perdão a salvação foi dada. Porém, muitos não a quiseram, não a aceitaram. Nós mesmo, dois mil anos depois, ao continuar no pecado rejeitamos o perdão e a salvação nos oferecida pelo Cristo. De nossa parte, recusamos aceitar a Nova Aliança feita por Deus com os homens, no holocausto do seu Cordeiro.

Primeiro veio João, o Batista, dizendo:

— Convertam-se e acreditem no Evangelho para que o Reino venha até vocês.

Jesus, na Nova Aliança de Deus conosco, afirmou:

— O Reino de Deus veio até vocês: convertam e acreditem no Evangelho.

João Batista havia nos dado a possibilidade da conversão; Jesus nos deu a salvação. Este é o significado da crucificação. Aceitaremos a redenção, a iluminação, se cumprirmos a palavra do Senhor.

Assim seja!

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]