O Bairro Tanque da Nação, em Feira de Santana | Por Adilson Simas

Vista aérea de Feira de Santana. No primeiro plano, o Bairro Tanque da Nação.

Vista aérea de Feira de Santana. No primeiro plano, o Bairro Tanque da Nação.

No livro “A Feira no século XX”, do escritor Antônio Moreira Ferreira, o Antônio do Lajedinho, indispensável a leitura do artigo “O Tanque da Nação”:

– Situado no centro da cidade, o Tanque da Nação é hoje um bairro bem habitado, com saneamento básico regular. Para quem o conheceu na década de trinta, o Tanque da Nação é um bairro excelente.

Até 1932, era o ponto da bebida de água para os animais, de passagem, vindo do sertão para o Campo do Gado. Existia ali um minadouro muito forte que o pisoteio do gado fazia lama, e os vaqueiros iam limpando, até que se transformou num grande tanque.

Em 1932, com a proibição da passagem do gado pela Rua da Aurora, foi desviado o trajeto pelo Sobradinho (por onde passava a estrada de Anguera), em cuja estrada a boiada seguia via Tanque do Urubu, bebendo na lagoa do Prato Raso e dali chegando ao Campo do Gado.

Por aquela época, o governo do Município mandou aumentar o tanque com trincheiras altas para impedir que as águas das chuvas trouxessem os restos de lixo da Santa Casa de Misericórdia para dentro do tanque e conservassem a água limpa para beber e, principalmente, para lavagem de roupas. Depois fizeram uma cerca em volta do tanque para que as lavadeiras tivessem mais segurança contra os animais soltos.

Embora a água fosse salobra, quem não tinha outro recurso bebia da água do tanque. Muitos “aguadeiros” (aqueles que vendiam água em barris, sobre um animal para todas as casas, pois não havia água encanada), para não pagar a percentagem do dono da fonte onde adquiria a água, abasteciam seus barris no Tanque da Nação e vendiam um pouco mais barato, avisando que a água era “de gasto” e não para beber.

Em uma das laterais do tanque, existia um “cruzeiro”, cruz de madeira, onde os católicos que não podiam ir às Igrejas, rezavam as Ave-Marias. Aquele “cruzeiro” era enfeitado com flores e bem zelado.

Como o acesso para o da cidade fosse através de duas ladeiras escorregadias, foi feito o calçamento da ladeira que ligava a fila de casas à Rua da Aurora. Aquela ladeira calçada com pedras irregulares tornou-se a pista preferida para as competições de ciclismo entre Nestor Vieira e  Dudinha, os dois ídolos dos amantes daquele esporte na Feira de Santana de então. Só os dois conseguiam subir a ladeira pedalando suas bicicletas.

Mais alguns melhoramentos e a falta de água encanada levou o Tanque da Nação a ser o bairro das lavadeiras onde se viam sempre centenas de roupas coloridas, estendidas em varais improvisados, tremulando como interminável bandeira de retalhos multicores sob o dourado sol da Princesa do Sertão.

Hoje o tanque desapareceu e deu lugar a um bairro residencial, mas a sua raiz, o minadouro, ficou para infernar a vida de Prefeitos e Urbanistas. Pena que os párocos tenham deixado derrubar o “Cruzeiro”, que fora sagrado, para construir uma casa, na frente da qual, quase sepultada, existe ainda um braço da cruz. Quem pena!!!

*Adilson Simas é jornalista.

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