Nos EUA, ex-presidente Dilma Rousseff defende constituinte exclusiva para reforma política

A assessoria da ex-presidenta Dilma Rousseff divulgou também nota na qual afirma que todas as doações a suas campanhas foram feitas de acordo com a legislação.
A assessoria da ex-presidenta Dilma Rousseff divulgou também nota na qual afirma que todas as doações a suas campanhas foram feitas de acordo com a legislação.

A presidenta eleita Dilma Rousseff afirmou que o Brasil precisa de uma constituinte exclusiva para a reforma política, uma vez que “não se pode pedir para raposa reformar o galinheiro”. Ela também reafirmou a eleição por voto direto como única saída para a crise atual, alertando para o crescimento da direita.

Dilma falou na noite desta terça-feira (18/04/2017) na universidade George Washington, nos Estados Unidos, e relembrou a trajetória da disputa política dentro do Congresso até a efetivação do golpe.

Segundo a presidenta, “o centro democrático foi cooptado por uma posição de extrema direita”. Ela relembrou que o presidente da Câmara durante o impeachment, Eduardo Cunha, que está preso agora, “era competente na arte de construir maioria no congresso, era uma pessoa eminentemente conservadora em economia e profundamente conservadora em matéria de direitos sociais e coletivos”.

Para Dilma, Cunha “expressa um problema seríssimo no Brasil, que é o problema do sistema político brasileiro”.

Ela comentou d a dificuldade de governar sem cláusula de barreira – dispositivo que restringe ou impede a atuação parlamentar de um partido que não alcança um percentual de votos – declarada inconstitucional pelo STF antes de entrar em vigor e levou a um crescimento desenfreado do número de partidos ao longo do tempo.

“Você há de convir que não há 26 programas para o Brasil”, afirmou Dilma. Ela lembrou que Fernando Henrique Cardoso precisava de três partidos para compor maioria simples na Câmara, que Lula precisava de entre seis e oito partidos para a mesma composição, e que em seu governo a presidenta necessitava de entre 12 e 16 partidos para alcançar maioria simples e aprovar projetos.

“O sistema teve a sua fragmentação absolutamente fomentada pela forma como as diferentes legislações incidiam sobre sistema político. Trinta e cinco partidos, muitos deles jamais irão gerar Presidente da República. A pergunta que fica é, como acessam o poder da União? Negociam cargos, emendas e projetos. E o fazem de forma profundamente fisiológica. Não todos, mas de forma geral”, afirmou a presidenta.

Para ela, é um erro transformar a política em bode expiatório da nação, pois a democracia nasceu com a política. “Não existe democracia sem política, no sentido de aquela ação em que as pessoas ultrapassam seus interesses individuais e colocam como prioridade dos interesses coletivos, comunitários ou de um país”, defendeu Dilma.

Ela lembrou que em momentos históricos nos quais a política saiu de cena, a humanidade viu a entrada de posições de ultra direita, nazistas e fascistas.

“Além disso, temos um problema grave de financeirização do processo econômico, da prioridade da indústria financeira sobre os setores produtivos. Vemos que isso aumenta a desigualdade”, afirmou a presidenta. “Aqui [nos Estados Unidos] e na Europa aumentou a desigualdade. O mal-estar desse aumento está expresso no Brexit. O aumento da desigualdade torna complicada a democracia. Quando um governo não atende às demandas da população, ele abre espaço para salvadores da pátria e para todas as políticas que manipulam símbolos”, alertou.

Segundo Dilma, a democracia deve ser o centro de qualquer pensamento político. “Sempre que houve democracia no Brasil, nós vimos modificações e melhorias das condições de vida de nosso povo. Sempre que os processos de ditadura se implantaram, nós tivemos piora”, afirmou.

Para a presidenta, hoje não vivemos uma ditadura, mas aquilo que “alguns chamam de lawfare, outros chamam de estado de exceção, que contamina a democracia, tanto que vemos proliferar os conflitos de poder entre Judiciário e parlamento”

Dilma defendeu que a única solução para superar o atual momento político no país “é a transição baseada no voto popular. Só essa transição irá construir a base para todos os setores. Não se pode passar sem essa etapa para um novo momento político, achando que pode ser uma transição por cima”.

A presidenta ainda defendeu que o Brasil precisa do combate à corrupção, que “não pode virar instrumento ideológico”. Ela também afirmou que o tecnocrata é produto direto da ditadura, “quando se constrói a noção de que se tem que se higienizar a política, que seriam os grandes técnicos que, acima do voto direto, acima da democracia e da capacidade do nosso povo, o tecnocrata vinha decidir as políticas adequadas”.

Ela alerta que agora existe um outro tipo similar, o empresário “eficiente” porque supostamente dirige bem os negócios. “É bom as pessoas estudarem a origem da economia. Economia no sentido do empresário é cuidar de si mesmo e dos seus interesses com eficiência, mas será uma pessoa que corresponderá aos anseios do povo? Não há garantia de ninguém pela sua profissão. As pessoas confundem um auditório de um show de mídia com a solução dos programas sociais”, concluiu a presidenta.

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