Ex-presidenta Dilma Rousseff: apesar do golpe parlamentar, Brasil tem encontro marcado com a democracia em 2018

Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Setores reacionários do Judiciário, MP e PF, em conluio com políticos do PSDB, PMDB e DEM atuam em conjunto para impedir candidatura de Lula à presidente.
Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Setores reacionários do Judiciário, MP e PF, em conluio com políticos do PSDB, PMDB e DEM atuam em conjunto para impedir candidatura de Lula à presidente.
Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Setores reacionários do Judiciário, MP e PF, em conluio com políticos do PSDB, PMDB e DEM atuam em conjunto para impedir candidatura de Lula à presidente.
Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Setores reacionários do Judiciário, MP e PF, em conluio com políticos do PSDB, PMDB e DEM atuam em conjunto para impedir candidatura de Lula à presidente.

Em Harvard, a ex-presidente Dilma Rousseff eleita declarou que para País se reencontrar com valores democráticos, não se pode impedir que Lula concorra à eleição convidada a palestrar no evento Brazil Conference, encontro realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, na tarde deste sábado (08/04/2017).

Em sua fala, Dilma pode mais uma vez denunciar o golpe à democracia sofrido no Brasil, com seu impeachment sem base legal e sem crime de responsabilidade.

“Os americanos se indignariam se o Congresso destituísse um presidente eleito nas condições que ocorreram comigo”, afirmou Dilma.

Para ela, o Brasil precisa se reencontrar, mas isso será possível apenas com a reafirmação dos valores democráticos.

“O Brasil tem um encontro marcado com a democracia em 2018. Isso é inexorável para construir uma nova legitimidade, para recuperarmos as condições de crescer, de desenvolver e de sair da crise”.

Na sua avaliação, esse encontro democrático só não acontecerá se “mudarem as regras durante o jogo”, referindo-se à possibilidade de eleições indiretas ou até mesmo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de votos.

“Ele pode até perder as eleições. Não há vergonha alguma em disputar e perder uma eleição para quem tem valores democráticos. O que não pode é impedir que ele concorra”, apontou.

Ao falar da Operação Lava Jato, a presidenta reforçou que seu governo, assim como o do presidente Lula, jamais interferiu na condução das investigações.

Porém, para ela, isso não a impede de fazer criticas ao uso político e ideológico da Operação.

“Eu não concordo com nenhum uso de Lawfare, porque isso compromete o direito de defesa. Não é admissível juiz falar fora de processo, o juiz não pode ser amigo do julgado, não é possível qualquer foco de violação do direito de defesa”, declarou.

Dilma também criticou as medidas de retrocesso impostas pelo governo usurpador de Michel Temer, que coloca em prática um programa de governo que não foi aprovado nas urnas.

Suas críticas foram mais duramente direcionadas aos desmontes da previdência e à lei da terceirização, além da Emenda à Constituição 95, o chamado teto dos gastos, que congelou os investimentos públicos em áreas como saúde e educação por 20 anos.

A presidenta afirmou que o atual governo golpista vive um dilema.

“Ou entrega o combinado com o mercado e a mídia para apoiar o golpe e se autodestrói diante da população, perdem aliados no parlamento, ou recua, diminuindo a carnificina da reforma da previdência e da reforma trabalhista, e com isso diminui sua serventia para o mercado e a mídia”, afirmou.

Foi golpe, sim

Dilma aproveitou sua palestra para reforçar que o impeachment que a afastou do poder foi, na verdade, um golpe parlamentar.

Ressaltou que o suporto crime que a imputaram sempre foi praticado por presidentes anteriores, por governadores e prefeitos. “Essas práticas nunca haviam sido consideradas irregulares antes”.

E refutou também o argumento de que o impeachment foi pelo “conjunto da obra”.

“Quando se trata do ‘conjunto da obra’, é inegável que isso só pode se decidido em processos de eleições diretas e secretas, e não por julgamentos políticos. No Brasil não há parlamentarismo”.

Para ela, as razões do golpe se distinguem em dois grupos. Uma dessas razões, a mais imediata, dizia respeito à sobrevida dos políticos líderes golpistas, envolvidos nas investigações na Operação Lava Jato e explicitadas na fala do senador Romero Jucá de tirar Dilma para interromper as investigações, “estancar a sangria”.

“Consideravam que como o meu governo não paralisaria as investigações da Lava Jato, só eles se assumissem a Presidência poderiam fazê-lo”, afirmou.

O outro grupo seria composto por parte da mídia e parte do mercado. O mais forte e estratégico interesse que esses segmentos tinham era o enquadramento econômico social e político do Brasil ao neoliberalismo, que tinha sido interrompido com a eleição do presidente Lula.

“Nós tínhamos, por quatro eleições consecutivas, derrotado o projeto neoliberal e a quarta vitória revelou que a democracia não era favorável à mudança do projeto que estava sendo implantado no Brasil. Daí a necessidade de um golpe”, lembrou Dilma.

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