Salvador: caso prefeito ACM Neto adote o inconstitucional projeto escola sem partido Justiça será acionada em defesa da democracia, afirma vereador

Hilton Coelho: votei contra o projeto de indicação que institui na rede municipal o ‘Escola Sem Partido’, aprovado pela Câmara.
Hilton Coelho: votei contra o projeto de indicação que institui na rede municipal o ‘Escola Sem Partido’, aprovado pela Câmara.
Hilton Coelho: votei contra o projeto de indicação que institui na rede municipal o ‘Escola Sem Partido’, aprovado pela Câmara.
Hilton Coelho: votei contra o projeto de indicação que institui na rede municipal o ‘Escola Sem Partido’, aprovado pela Câmara.

O vereador Hilton Coelho (PSOL) opina que o ambiente escolar deve garantir a liberdade de pensamento e o acesso a todos os saberes respeitando a diversidade cultural do nosso país. “Votei contra o projeto de indicação que institui na rede municipal o ‘Escola Sem Partido’, aprovado pela Câmara na sessão ordinária de quarta-feira (15/03/2017). A oposição votou contra, ou seja, não houve unanimidade. Ele atenta contra a democracia e caso o prefeito ACM Neto o adote tomaremos todas as medidas necessárias para impedir sua execução, inclusive judicializando a questão. É um projeto autoritário, ligado a defensores de ditaduras e torturas. Ele censura os professores e robotiza os estudantes”, critica com veemência o parlamentar.

“O artigo 206 da Constituição Federal garante a pluralidade de ideias no ambiente de ensino. Querem acabar, na prática, com um projeto pedagógico que faz da escola um espaço para todas as diversidades de pensamento. Não sabem conviver com a democracia. Durante a ditadura militar brasileira, as escolas se tornaram um dos alvos privilegiados da caça às bruxas desse regime autoritário. Os professores eram denunciados por prática de ‘doutrinação marxista’ e muitos foram presos. Será que é isso que deseja o vereador Aleluia (DEM), o deputado federal Bolsonaro (PSC-RJ), Feliciano (PSC-SP) e gente deste perfil autoritário?”, questiona o vereador do PSOL.

Hilton Coelho classifica o projeto como “absurdo do ponto de vista educativo, inconstitucional do ponto de vista jurídico, e uma forma de censurar professores que seriam proibidos de expressarem seus pontos de vista ou interpretações em sala de aula. Determinar a neutralidade política numa lei é um equivoco absoluto”, afirmou. Vamos a um exemplo. Sou um historiador formado pela UFBA. Quando nas aulas de História comentamos a redução da jornada de trabalho através dos tempos e a proibição do trabalho infantil já expressamos um juízo de valor”.

Ele lembra que o projeto considera que os estudantes são “folhas em branco e que professores se aproveitam da audiência cativa dos alunos para incentivar que eles sigam por um determinado caminho ideológico. É um absurdo supor que o estudante é incapaz de formar seu juízo sobre o mundo a partir de experiências familiares, referências e saberes que traz consigo. À medida que o estudante lê, pesquisa, escreve e se aprofunda, ele vai dando sentido pra história dele. Escola é o lugar de muitas opiniões. De ouvir a do outro e formar a própria. É um retrocesso que impede a construção de projetos pedagógicos que possibilitem a escola de promover a reflexão crítica e plural, conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional (LDB).”

Hilton Coelho finaliza afirmando que “o projeto escola sem partido é inconstitucional, basta ler o artigo 205 da nossa Constituição Federal: ‘A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho’. O projeto impede o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, nega a liberdade de cátedra e a possibilidade ampla de aprendizagem e contraria o princípio da laicidade do Estado – todos esses direitos previstos na Constituição de 1988. Vamos lutar em todas as instância e de todas as formas contra sua aplicação em Salvador”.

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