Lava Jato e cobertura da imprensa foram “alavancas para o golpe”, dizem jornalistas

Para o jornalista Fernando Morais, “o que se defende é o direito da sociedade de se informar de forma mais pluralista”.
Para o jornalista Fernando Morais, “o que se defende é o direito da sociedade de se informar de forma mais pluralista”.
Durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, Fernando Morais e Mino Carta falaram a respeito das relações de causalidade e parceria entre cobertura midiática. Na imagem, Fernando Morais discursa.
Durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, Fernando Morais e Mino Carta falaram a respeito das relações de causalidade e parceria entre cobertura midiática. Na imagem, Fernando Morais discursa.

Em palestras realizadas nesta sexta-feira (24/03/2017), durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, os jornalistas Fernando Morais e Mino Carta falaram a respeito das relações de causalidade e parceria entre cobertura midiática, órgãos de imprensa, procuradores e membros do Poder Judiciário que encampam a Operação Lava Jato e políticos brasileiros para que tivesse lugar no Brasil o golpe que tirou a presidenta eleita Dilma Rousseff do cargo a que tinha sido eleita.

Para Fernando Morais, jornalista responsável pelo blog Nocaute e autor de aclamados livros-reportagem, como “Olga” e “Chatô – Rei do Brasil”, o presidente içado ao poder, Michel Temer, junto com as forças policiais e judiciárias que comandam a Operação Lava Jato, uma perseguição a setores da imprensa não-alinhados ao governo de turno que faz lembrar os tempos mais decadentes da Ditadura Militar (1964-87).

“O que está sendo atacado é o direito da sociedade de se informar da maneira mais plural possível. Logo ao entrar no governo, o atual presidente já cortou a zero toda a publicidade de empresas estatais em todos os veículos que não fossem alinhados com ele”, lembrou Morais.

Depois, o jornalista recordou que a Polícia Federal invadiu a casa de jornalistas como Breno Altman e Eduardo Guimarães, de onde levou computadores, celulares, agendas, só para depois inocentá-los de quaisquer acusações, porque nada havia contra eles, a não ser o desejo de intimidá-los e, no caso de Guimarães, procurar uma forma de perseguir ainda mais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O jornalista Mino Carta falou a respeito do mesmo tema. Para ele, o juiz Sérgio Moro é uma figura narcisista obcecada com uma só ideia: prender ou condenar Lula. “Por isso, Moro e a Lava Jato o perseguem há anos, sem nada encontrar contra ele”. Daí, explicaram os dois jornalistas, a ideia de dizer que o blogueiro Eduardo Guimarães teria informado Lula previamente sobre a operação da Polícia Federal que devassou sua casa, as casas de seus filhos e ambientes de trabalho. Seria uma boa explicação para o fato de que nenhuma prova foi encontrada em lugar nenhum contra Lula.

Neste processo, o único vazamento de informação que levou a alguma reação de Moro – dentre as centenas que vazamentos que já ocorreram na Lava Jato, inclusive um deles, de grampos ilegais, protagonizado pelo próprio juiz de primeira instância – foi este de Eduardo Guimarães. “Mas não vejo Moro fazer nada contra aquele blog de extrema-direita, nem com os três patetas que o escrevem, que acaba de vazar, por exemplo, a delação de Marcelo Odebrecht”, finalizou Morais.

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