Lançamento de Madiha em Salvador. Novo livro do poeta e escritor Edson Lodi

Antonia avistou a cordilheira,
A floresta e suas águas.
Menina em sua alegria,
Vestiu sua roupa mais bonita
E subiu, subiu…
Enluarou-se.
Foi devolver o colar de Madiha
Para a Lua Nova.

Com este sensível e tocante poema-prefácio, o escritor e poeta ayahuasqueiro Edson Lodi descerra o seu mágico livro de histórias encantadas, Madiha.

Como bom poeta, Lodi sabe bem rimar amor e dor, saudade e dor… Assim, não tem como não lembrar do poeta português Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Envolvido na força e beleza das palavras, só resta ao leitor desfrutar desta surpreendente é encantadora viagem poético-literária, que é o livro Madiha, de Edson Lodi.

Sobre o livro Madiha comentou o Professor Carlos Ribeiro, a seguir.

O Reino encantado de Madiha, por Carlos Ribeiro

Madiha é o primeiro livro de contos do escritor Edson Lodi, e o primeiro dedicado ao público infantojuvenil. Tais definições para esta obra são, entretanto, insuficientes. Primeiro por ser uma leitura fascinante para leitores de qualquer idade, e também pelo intenso lirismo e fina espiritualidade que trespassam as narrativas e encontram na Poesia sua maior expressão.

Os três contos presentes no volume – “Madiha”, “Ife, o peixinho” e “Gabriela” – se entrelaçam numa fábula tecida, com extrema delicadeza, pelo fio encantatório da linguagem poética. E da memória. Através delas, Lodi recupera o sentido original das palavras que, como laços invisíveis, vinculam o ser humano às forças primordiais da natureza, mais especialmente à Lua, Mãe das Mães, que tem o domínio sobre as águas – todas as águas.

Como diz o narrador, na introdução do livro, “Ela prateia as águas, doces ou salgadas, os pequeninos fios d’água ou os amazônicos rios de chuvas torrenciais. As noites úmidas e as águas miudinhas que molham a relva, serenos invisíveis de sua luz, dimensão maior de seu carinho, a tudo ela prateia”.

E prossegue: “Ainda, em seu domínio estão as águas, que no ventre materno agasalham e nutrem as crianças enquanto esperam o momento de nascer e abrir seus olhos à natureza”.

A Lua reina, pois, nestas histórias singelas, mas poderosas, “como quem passeia silenciosa e calmamente à beira-mar. Ou como a flor sob o relento, onde pousa o doce olhar de uma mulher”. E eis que surge aqui outro elemento essencial dessas fábulas: o feminino, a força geradora, maternal e matricial, que dá e alimenta a vida.

É no sentido de um retorno ao núcleo original da vida, que liga o passado ancestral ao momento presente do mundo desencantado e carente, que se desenvolve a história da jovem Madiha, nascida em uma tribo africana que enfrenta as consequências de uma terrível seca, e de sua jornada para o reencontro com seu filho e com o seu povo, dos quais se separou após cair do navio durante uma tempestade em alto-mar.

A saga de Madiha é retomada na história de Ife, o peixinho, que, preso num pequeno aquário sonha a liberdade maior do vasto oceano, e da menina Gabriela que possibilita a realização desse sonho, recuperando o significado ancestral da experiência vivida por sua antepassada.

Na sucinta e delicada apresentação da obra, Heloiza Helena Entringer Pereira, refere-se ao livro de Edson Lodi como um “passaporte com destino aos Encantos da Lua”.

Diz ela: “Em companhia da tribo de Madiha, será permitido viajar pelos cantinhos escondidos da memória, onde não se estranha nem se proíbe ouvir a própria Lua contando suas misteriosas lendas”.

E acrescenta, ao leitor: “Quem sabe, nessa fábula, você também se encontre refletido no imenso espelho das águas? Ou desvendando os segredos que a Mãe das Águas só revela a quem, vez por outra, visita o mundo da Lua?”

Com o recurso da linguagem poética, Edson Lodi possibilita-nos, nas três histórias deste surpreendente livro, uma visão renovada da natureza que, muito mais que um conjunto de matérias-primas a ser explorado pela ganância humana, torna-se um universo vivo e consciente, pleno de beleza e de significados que precisa ser amado, cuidado e sentido.

Em Madiha, sua escrita poética é enriquecida substancialmente pelas belíssimas ilustrações de Tiago Hoisel e Cecília Lodi, bem como pelo projeto gráfico de Thaís Damião e Raquel Simões Hoisel.

“A história a seguir se passa em outro mundo. Entretanto, pode ser o mesmo no qual vivemos quando abrimos as grotas do coração, despertados pela invisível ciranda da espiritualidade. / Que sabedoria, que engenho permitira escrever e revelar esses acontecidos de tempos passados?”

O que: Lançamento do livro Madiha, de Edson Lodi
Quando: terça-feira, 28 de março de 2017, a partir das 18:30h
Onde: Academia de Letras da Bahia ( Av. Joana Angelica, 198, Salvador – Bahia)

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]