Helvécia: Uma pequena aldeia fundada por suíços na Bahia

Wingles Vieira (no meio, apelidado "Boneco", Artur Soares Couto (à direita, apelidado de Boca de CD) e João Vitor Monteiro Dutra (à esquerda, apelidado de Vendita), fazendo uma demonstração de Capoeira em frente a antiga estação de Helvécia. Esta estação foi construída em 1898, principalmente para o café exportado da colônia. Esses capoeiristas são alunos da escola "Arte Capoeira Bahia", liderada pelo mestre Reginaldo Cecilio Antonio. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Wingles Vieira (no meio, apelidado "Boneco", Artur Soares Couto (à direita, apelidado de Boca de CD) e João Vitor Monteiro Dutra (à esquerda, apelidado de Vendita), fazendo uma demonstração de Capoeira em frente a antiga estação de Helvécia. Esta estação foi construída em 1898, principalmente para o café exportado da colônia. Esses capoeiristas são alunos da escola "Arte Capoeira Bahia", liderada pelo mestre Reginaldo Cecilio Antonio. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Wingles Vieira (no meio, apelidado "Boneco", Artur Soares Couto (à direita, apelidado de Boca de CD) e João Vitor Monteiro Dutra (à esquerda, apelidado de Vendita), fazendo uma demonstração de Capoeira em frente a antiga estação de Helvécia. Esta estação foi construída em 1898, principalmente para o café exportado da colônia. Esses capoeiristas são alunos da escola "Arte Capoeira Bahia", liderada pelo mestre Reginaldo Cecilio Antonio. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Wingles Vieira (no meio, apelidado “Boneco”, Artur Soares Couto (à direita, apelidado de Boca de CD) e João Vitor Monteiro Dutra (à esquerda, apelidado de Vendita), fazendo uma demonstração de Capoeira em frente a antiga estação de Helvécia. Esta estação foi construída em 1898, principalmente para o café exportado da colônia. Esses capoeiristas são alunos da escola “Arte Capoeira Bahia”, liderada pelo mestre Reginaldo Cecilio Antonio. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.

Helvécia é um Distrito do município de Nova Viçosa, localizado na microrregião de Porto Seguro. A comunidade é o que resta de duas vastas fazendas, Helvetia I e Helvetia II, fundadas pelo imigrante Johannes Martin Flach, suíço, nascido em Schaffhausen, em 1787.

Johannes Martin Flach tornou-se um confidente e amigo íntimo de Maria Leopoldina, que se tornou Imperatriz do Brasil ao se casar com D. Pedro, príncipe herdeiro português, em 1817. Johannes Flach recebeu as terras, que na época era, denominadas de Colônia Leopoldina. Ele às administrava a partir do Rio de Janeiro.

No momento da abolição da escravidão em 1850, as propriedades era uma parte importante do sistema de produção de café do país. O café constituiu 40% das exportações no Brasil, o maior produtor de café do mundo. A indústria cafeeira brasileira dependia de escravos. Na primeira metade do século XIX, 1,5 milhões de escravos foram trazidos da África para trabalhar nas plantações do país.

Hoje, Helvécia é o lar de três famílias descendentes de imigrantes alemães e uma família descendente de imigrantes suíços e de milhares de descentes de africanos, ex-escravos, formando mais de 80% do contingente populacional do distrito As culturas europeias e africanas coexistem em choque ideológico: evangélicos criticam os negros para praticar rituais “maus”. A escravidão ainda marca esse espaço, que é identificado como território remanescente de comunidade quilombola.

Colonização europeia

A região de Nova Viçosa possui parte da identidade colonial marcada por imigrantes Alemães, Suíços e Franceses. Conforme relato de Dante Lucchesi e Alan Baxter, em 1818, o Governo Central concedeu sesmarias ao longo das margens do Rio Peruípe, doze léguas acima de Nova Viçosa, na comarca de Caravelas, no extremo sul da Província da Bahia. Logo em seguida, juntamente com outros colonos suíços e franceses, eles fundaram a Colônia Leopoldina, um conjunto de plantações que, utilizando o trabalho escravo, se dedicavam ao cultivo e à exportação do café. Foi um dos últimos empreendimentos agrícolas no Brasil a utilizar o trabalho escravo em larga escala; num tempo em que a instituição da escravidão sofria uma forte pressão externa. Mas a Colônia rapidamente prosperou e, no início da década de 1850, era responsável por quase 90% da produção de café da Província.

Helvetia

Helvécia (em latim: Helvetia) é o nome dado pelos antigos romanos à região da Europa Central, também é a personificação nacional feminina da Suíça, provém do nome da tribo dos helvécios, localizado mais precisamente no planalto situado entre os Alpes suíços e a cordilheira do Jura. A Helvécia correspondia aproximadamente à parte ocidental da Suíça atual, e a palavra Helvécia, é oriundo de uma derivação neolatina. Ainda é usado de forma poética para se referir a Suíça.

Baixe

A comunidade de fala de Helvécia na Bahia, por Dante Lucchesi e Alan Baxter

Identidade cultural: comunidades quilombolas do extremo sul da Bahia em questão , por Eduardo Luis Biazzide Abreu

*Com informações de Dom Smaz e Thomas Kern, da Swissinfo.

Carlos Henrique Cerqueira (76 anos) é o neto de Henrique Sulz, o primeiro imigrante suíço Sulz da família. A mãe é Emilia Sulz, ela foi o primeiro Professor de Helvécia. Helvécia, Brasil, de janeiro de 2017.
Carlos Henrique Cerqueira (76 anos) é o neto de Henrique Sulz, o primeiro imigrante suíço Sulz da família. A mãe é Emilia Sulz, ela foi o primeiro Professor de Helvécia. Helvécia, Brasil, de janeiro de 2017.
Maria da Conceição (Dona Cocota) é a pessoa mais velha da Helvécia. Ela diz que cuidou de 318 crianças durante sua vida, porque ela era enfermeira. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Maria da Conceição (Dona Cocota) é a pessoa mais velha da Helvécia. Ela diz que cuidou de 318 crianças durante sua vida, porque ela era enfermeira. Quilombo de Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Igreja velha, que agora serve de habitação. Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Igreja velha, que agora serve de habitação. Helvécia, Bahia, Brasil, dezembro de 2015.
Sobre Carlos Augusto 9515 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).