Estados Unidos: presidente Donald Trump pede ao Congresso investigação sobre suposto grampo de Barack Obama

Presidente Donald Trump  acusa antecessor de ordenar escuta na Trump Tower durante campanha eleitoral, sem apresentar evidências. Congresso deve analisar se houve abuso de poder, afirma Casa Branca.
Presidente Donald Trump  acusa antecessor de ordenar escuta na Trump Tower durante campanha eleitoral, sem apresentar evidências. Congresso deve analisar se houve abuso de poder, afirma Casa Branca.
Presidente Donald Trump  acusa antecessor de ordenar escuta na Trump Tower durante campanha eleitoral, sem apresentar evidências. Congresso deve analisar se houve abuso de poder, afirma Casa Branca.
Presidente Donald Trump  acusa antecessor de ordenar escuta na Trump Tower durante campanha eleitoral, sem apresentar evidências. Congresso deve analisar se houve abuso de poder, afirma Casa Branca.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou ao Congresso uma investigação sobre supostas escutas em suas conversas durante a campanha eleitoral e que determine se o governo de Barack Obama cometeu abuso de poder, informou neste domingo (05/03) o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

“O presidente Donald J. Trump está pedindo que, como parte de sua investigação da atividade russa, os comitês de inteligência do Congresso apliquem sua autoridade de supervisão para determinar se os poderes de investigação do braço executivo foram abusados em 2016”, afirmou Spicer em comunicado.

Neste sábado, Trump acusou Obama de ter ordenado a gravação de suas conversas na Trump Tower de Nova York antes das eleições de novembro do ano passado. O republicano não apresentou evidência alguma, e, por meio de seu porta-voz, Obama negou categoricamente a acusação.

Spicer afirmou que Trump e funcionários do governo não farão mais comentários sobre a questão até que o Congresso conclua as investigações.

Trump fez a acusação sobre o grampo telefônico numa série de postagens no Twitter. Ele comparou a suposta ingerência ao escândalo Watergate, de espionagem política, que levou à demissão do então presidente Richard Nixon, em 1974.

Reação de Obama

O porta-voz de Obama, Kevin Lewis, afirmou que era regra de seu governo que nenhum funcionário da Casa Branca interferisse em investigações do Departamento de Justiça, as quais devem decorrer livres de influência política.

“Nem o presidente Obama nem nenhum funcionário da Casa Branca jamais ordenaram a vigilância de um cidadão americano”, disse Lewis, afirmando que qualquer sugestão contrária é “simplesmente falsa”.

Neste domingo, o ex-diretor da Inteligência Nacional do governo Obama, James Clapper, negou que tenha havido uma ordem de vigilância para a Trump Tower. Clapper afirmou que como diretor de inteligência ele saberia se isso tivesse ocorrido.

Cinco perguntas para entender por que Trump acusa Obama de espionagem

Elas foram, sem dúvida, as acusações mais sérias que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez recentemente: em uma série de tuítes, Trump acusou na sexta-feira o ex-presidente Barack Obama de ter grampeado a Trump Tower, em Nova York, durante a eleição.

“É legal que um presidente em exercício esteja ‘grampeando’ uma corrida presidencial antes de uma eleição?”, pergunta Trump no Twitter

A alegação pareceu vir como uma surpresa, e não foi apoiada por qualquer prova.

Primeiro porta-voz de Obama, o ex-chefe de inteligência norte-americano James Clapper negou que qualquer grampo tivesse sido solicitado.

Em seguida, o diretor do FBI James Comey rejeitou a alegação de Trump e pediu ao Departamento de Justiça americano (DOJ, na sigla em inglês) que se posicione oficialmente também negando o caso, segundo informações do New York Times e NBC.

Diz-se que ele pediu isso porque a alegação teria falsamente insinuado que o FBI violou a lei. O DOJ ainda não se posicionou.

Mas o presidente Trump, por intermédio de seu secretário de imprensa, Sean Spicer, pediu ao Congresso que investigue as alegações “preocupantes”, junto com suas atuais investigações sobre a atividade de hackers russos durante as eleições.

O que os Comitês do Congresso já estão investigando?

Os comitês de inteligência da Câmara e do Senado americanos estão atualmente estudando a possibilidade de interferência russa durante as eleições de 2016, inquéritos iniciados em janeiro.

Eles prometeram investigações de amplo alcance, levadas a cabo por uma base bipartidária, que não hesitará em procurar ligações potenciais entre a campanha Trump e o Kremlin, bem como em analisar a “atividade cibernética” russa.

Ambos os comitês admitiram que estas serão investigações demoradas, e pelo menos um membro do comitê de inteligência da Câmara expressou seu aborrecimento por uma outra etapa estar sendo adicionada.

“Ok @PressSec, como um membro do comitê em que você despejou esta bagunça, estou ansioso para ver suas provas”, tuítou o democrata Jim Himes.

Existe alguma evidência?

Trump e sua equipe não forneceram nenhuma evidência para dizer que os telefones da Trump Tower foram grampeados, e agora Clapper, que foi diretor da Inteligência Nacional, negou categoricamente que tal ordem existiu.

Como diretor de inteligência, disse à NBC, ele teria sabido sobre uma “ordem judicial ou algo assim”.

Poderia Obama ter ordenado a vigilância?

A equipe de Obama negou totalmente qualquer envolvimento, dizendo que os tuítes de Trump são “simplesmente falsos”.

Um mandado, se existisse, provavelmente teria sido ordenado pelo Departamento de Justiça independentemente da Casa Branca.

No domingo, o ex-secretário de imprensa, Josh Earnest, disse à rede ABC: “Isso pode ser uma surpresa para o atual ocupante do Salão Oval, mas o presidente dos Estados Unidos não tem autoridade para ordenar unilateralmente escutas de um cidadão americano”.

“Se o FBI decidisse usar sua autoridade de escutas no contexto de contrainteligência ou de investigação criminal, isso exigiria que investigadores do FBI, funcionários do Departamento de Justiça fossem até um juiz federal, e construindo um caso, demonstrassem as causa prováveis para usar essa autoridade a fim de conduzir a investigação. Isso é um fato.”

A única maneira que Obama poderia ter ordenado a vigilância sem passar pelo Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira (tribunal de Fisa, sigla em inglês para a Lei de Vigilância da Inteligência Estrangeira) é se não houvesse cidadãos americanos envolvidos.

Neste caso, considerando que o alvo é supostamente a Trump Tower- o que definitivamente envolve cidadãos americanos – isso teria sido difícil de argumentar.

O que é o tribunal Fisa?

A corte de Fisa foi descrita pela CNN como provavelmente “a corte mais poderosa da qual você já ouvi falar”.

O tribunal aprova os mandados de vigilância contra “agentes de uma potência estrangeira”, principalmente para o FBI ou a NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).

Qualquer pedido de investigação tem de ser aprovada por 11 juízes.

De onde veio a acusação de grampo?

Rumores de uma ordem concedida sob a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira estão circulando há algum tempo.

Em 7 de novembro – o dia antes do país ir às urnas -, a ex-parlamentar britânica pelo Partido Conservador Louise Mensch relatou que uma ordem foi aprovada pelo tribunal em outubro.

Segundo Mensch, o pedido tinha a ver com um servidor privado e a atividade entre dois bancos da Rússia.

Ela também mencionou – como Trump em seus tuítes – que uma ordem anterior tinha sido recusada.

Em janeiro, o repórter Paul Wood, da BBC, ao escrever sobre as denúncias de que o governo russo tinha material comprometedor sobre Trump – disse que também sabia da ordem da Fisa.

De acordo com Wood, a CIA e a NSA solicitaram a permissão para interceptar registros telefônicos de dois bancos russos. A suspeita era que havia dinheiro do Kremlin indo para a campanha presidencial dos Estados Unidos. O pedido teria sido liberado em outubro.

Nem Trump nem seus auxiliares eram mencionados na ordem, informou Wood.

O jornal britânico Guardian também mencionou a ordem aproximadamente na mesma época.

Nenhum deles cita escutas telefônicas.

A suspeita de grampo não foi mencionada de novo até que Mark Levin, um apresentador de rádio conservador nos Estados Unidos, falasse sobre o assunto na última quinta-feira, quando se referiu ao caso como um “golpe silencioso”.

Seu show foi seguido de um artigo no site conservador de notícias Breitbart na sexta-feira, que fala de escutas telefônicas e “espionagem” solicitadas pela “administração Obama”. Não ficaram claras quais eram as fontes das informações.

Nada disso foi confirmado por qualquer autoridade.

Os tuítes do presidente Trump foram publicados na manhã seguinte à publicação do artigo.

*Com informações da Agência Brasil e BBC Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 108865 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]