Mais da metade da população mundial valoriza líderes populistas; no Brasil, 50%

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Instituto Ipsos é a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo. Fundada na França em 1975, a Ipsos conta hoje com 16.000 funcionários e está presente em 87 países, incluindo o Brasil.
Instituto Ipsos é a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo. Fundada na França em 1975, a Ipsos conta hoje com 16.000 funcionários e está presente em 87 países, incluindo o Brasil.
Instituto Ipsos é a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo. Fundada na França em 1975, a Ipsos conta hoje com 16.000 funcionários e está presente em 87 países, incluindo o Brasil.
Estudo revela 81%  dos entrevistados em 23 países não acreditam nos partidos políticos e 71% não confia em seus governos. No Brasil, o número é de 50%.

Descrença nas instituições e vontade de ver um líder populista no poder é um retrato do mundo de acordo com a pesquisa Global Advisor, da Ipsos.  O estudo, realizado em 23 países, apontou que 63% dos entrevistados estão propensos a votar em alguém que defenda pessoas comuns contra a elite. Hungria (79%), Israel (74%), Sérvia (73%) e Peru (72%) são os que mais expressam esse sentimento. O Brasil também está com o mundo, visto que 59% votariam num líder desse perfil.

No entanto, posturas tidas como mais “pluralistas” também têm espaço. Pouco mais da metade (53%) dos entrevistados desejam um representante que defenda os direitos das minorias. Os que mais concordam são África do Sul (70%), Peru (69%) e Coreia do Sul (66%). No Brasil, o número é de 50%.

Dois em cada três entrevistados (67%) alegam que teriam maior probabilidade de votar num partido político ou representante que escute pontos de vista alternativos.  África do Sul (82%), Espanha (76%) e Argentina (75%) são as nações que lideram o ranking nesse quesito. Os brasileiros também são favoráveis, somando 55%.

 Desconfiança

O estudo ainda mostra que não há confiança em nenhuma instituição. Entre os entrevistados de todos os países, 81%  não acreditam nos partidos políticos, sendo espanhóis (94%), mexicanos (92%) e húngaros (90%) os mais incrédulos. No Brasil, 82% da nação não confia nos partidos.

Sete em cada dez entrevistados (71%) também não confiam em seus governos, e novamente espanhóis (90%) e mexicanos (89%) são os primeiros colocados do ranking. O Brasil ocupa o quinto lugar com 81%. A mídia também não é confiável para 68% dos entrevistados,  sendo  Hungria (87%), Sérvia (85%), Espanha (78%), México (76%), Grã-Bretanha (75%) e Israel (75%) os mais descrentes. Entre os brasileiros, 63% não confiam na mídia.

Os participantes também desconfiam das grandes empresas (61%), principalmente, na Espanha (82%), Coreia do Sul (77%) e Israel (73%). A maioria dos brasileiros (51%) também não confia em grandes corporações.

A maioria dos entrevistados (59%) não confia nos bancos e no sistema judicial.  Espanha (92%) e Itália (80%) são os mais descrentes com os bancos, enquanto o Brasil soma 60%. Já o descontentamento com o sistema judicial é bem forte na América Latina, especialmente na Argentina e Peru (ambos com 84%), e  no México (83%).  Entre os brasileiros, o índice é de 56%.

Pouco mais da metade dos respondentes (52%) afirma não ter confiança nas instituições internacionais. Essa opinião é particularmente forte na Europa Continental (Espanha, 77%, França, 65%, Itália, 64%, e Sérvia e Bélgica, esses dois últimos com 63%) e  em Israel (66%). No Brasil, os incrédulos nas instituições internacionais representam 52%.

“Esses resultados revelam uma preocupante falta de confiança no sistema político tradicional em todo o mundo e em outras instituições-chave, como a mídia, tribunais ou grandes empresas. Mas nossa análise sugere que não devemos fazer suposições apressadas sobre os impulsionadores do descontentamento serem os mesmos em todo o mundo e agrupar tudo como ‘populismo’. A realidade é mais complexa, por isso, é vital entender o contexto local também”, afirma Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs no Brasil.

Imigração

A preocupação com o impacto negativo dos imigrantes nos serviços sociais e no emprego é grande, especialmente nos países europeus. A maioria (56%) pensa que os empregadores devem priorizar a contratação da população local em vez de imigrantes quando os empregos são escassos, especialmente na Sérvia (81%), Hungria (76%), Turquia (74%) e Israel (73%).

Apenas 14% apoiam a imigração sem controle. Um terço da população mundial (34%) acha que seu país seria mais forte se barrassem a imigração, mas uma proporção semelhante (36%) discorda. O medo do terrorismo fez com que 45% dos entrevistados se dissessem favoráveis a em nome de seu combate ignorar direitos civis.

A pesquisa Global Advisor, da Ipsos, entrevistou 16.597 pessoas, sendo adultos de 18 a 64 anos nos Estados Unidos e no Canadá e de 16 e 64 anos nos demais países, entre 21 de outubro e 4 de novembro de 2016. A metodologia utilizada foi de painel online e o estudo foi realizado em 23 países  (África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Espanha,  Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Sérvia, Suécia e Turquia). A margem de erro é de 3,5%.

Sobre a Ipsos

A Ipsos é uma empresa independente global na área de pesquisa de mercado presente em 88 países. A companhia tem mais de 5 mil clientes e ocupa a terceira posição na indústria de pesquisa. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de publicidade, fidelização de clientes, marketing, mídia, opinião pública e coleta de dados. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e analisam audiência, medem a opinião pública ao redor do mundo.

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