Operação Vórtex: PF investiga donos de avião envolvido no acidente do ex-governador Eduardo Campos

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Eduardo Campos e Marina Silva durante campanha para presidência da República, em 2014.
Eduardo Campos e Marina Silva durante campanha para presidência da República, em 2014.
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (31/01/2017) a Operação Vórtex, desmembramento da Operação Turbulência, que investiga a propriedade do avião de prefixo PR-AFA, envolvido no acidente fatal do ex-governador e então candidato à Presidência Eduardo Campos.
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (31/01/2017) a Operação Vórtex, desmembramento da Operação Turbulência, que investiga a propriedade do avião de prefixo PR-AFA, envolvido no acidente fatal do ex-governador e então candidato à Presidência Eduardo Campos.

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (31/01/2017) a Operação Vórtex, desmembramento da Operação Turbulência, que investiga a propriedade do avião Cessna Citation PR-AFA, que transportava o então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, em 13 de agosto de 2014. Naquele dia, a aeronave caiu em Santos, no litoral paulista, matando Campos e mais seis pessoas.

Segundo a PF, as investigações apontaram que a empresa remetente dos recursos possui contratos milionários com o governo de Pernambuco e que suas doações a campanhas políticas aumentaram de forma exponencial ao longo dos últimos anos, em especial para o partido e candidatos apoiados pelo ex-governador do estado, Eduardo Campos.

Estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva, todos em Recife, capital pernambucana.

A investigação começou a partir da análise de movimentações financeiras das contas de empresas envolvidas na aquisição do avião. Segundo a PF, ao analisar as contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas utilizadas para a compra, observou-se que os valores transferidos por uma das empresas investigadas na Operação Turbulência haviam sido, na verdade, repassados dois dias antes por uma terceira empresa, que ainda não havia sido alvo da investigação original.

“A exatidão do montante e o curto intervalo de tempo envolvido nas duas transações sugerem, assim, que a conta investigada na Operação Turbulência tenha sido mera conta de passagem”, diz a PF, em nota. Os envolvidos nas transações responderão pelos crimes de corrupção, direcionamento de licitação e lavagem de dinheiro.

O nome da operação – vórtex (ou vórtice) – no jargão aeronáutico é o nome dado ao movimento de massas de ar em formato de redemoinho ou ciclone que geralmente precede a turbulência.

Turbulência

Deflagrada em 2016 a partir das investigações sobre o verdadeiro proprietário do avião Cesna Citation que se acidentou em Santos (SP) durante a campanha eleitoral de 2014, a Operação Turbulência revelou uma rede de empresas usadas para lavar dinheiro e abastecer o suposto caixa 2 das campanhas de Eduardo Campos (2010) e Marina Silva (2014), pelo PSB.

Com o avanço das investigações, ao menos três empresários envolvidos na compra da aeronave e apontados como líderes do esquema, João Lyra, Apolo Santana e Eduardo Bezerra Leite decidiram por colaborar com as autoridades e assinaram um acordo de delação premiada. Na denúncia oferecida pelo MPF contra 18 pessoas envolvidas no caso, o MPF apontou que os três empresários lideravam o grupo criminoso que lucrava com “a prática de agiotagem”, lavagem de dinheiro proveniente de superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina para agentes públicos. Embora essa primeira denúncia tenha sido arquivada, a investigação prossegue em Pernambuco.

O jornal Estado apurou que além dos fatos envolvendo o avião, João Lyra negociou com os investigadores o detalhamento de todas as transações financeiras realizadas por seu grupo cujos valores são oriundos de superfaturamento de obras públicas e de esquemas envolvendo empreiteiras e o governo de Pernambuco.

Embora a operação Turbulência tenha origem na queda do avião, a PF compartilhou informações com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e com o grupo de investigadores da Procuradoria-Geral da República. Para chegar aos verdadeiros proprietários do jatinho, a PF mapeou uma teia de empresas de fachada supostamente utilizadas para lavar e escoar dinheiro oriundo de obras públicas para campanhas políticas. Foram investigados repasses da Camargo Corrêa e da OAS que teriam origem em desvios praticados em obras da Petrobras em Pernambuco e na transposição do Rio de São Francisco.

*Com informações da Agência Brasil e jornal Estadão.

Eduardo Campos e Marina Silva durante campanha para presidência da República, em 2014.
Eduardo Campos e Marina Silva durante campanha para presidência da República, em 2014.
Eduardo Henrique Accioly Campos.
Eduardo Henrique Accioly Campos.
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