Governo da Bahia apoia produções culturais premiadas no setor de audiovisual

Jorge Portugal, secretário apoia produção cultural baiana.
Jorge Portugal, secretário apoia produção cultural baiana.
Jorge Portugal, secretário apoia produção cultural baiana.
Jorge Portugal, secretário apoia produção cultural baiana.

Este mês, o filme longa-metragem ‘A Luta do Século’, do baiano Sérgio Machado, que trata da rivalidade de mais de 20 anos entre pugilistas nordestinos, ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2016. O que começou com uma pesquisa para um longa de ficção, se transformou no documentário que conta a história dos pugilistas Reginaldo Holyfield e Luciano Todo Duro, ícones do boxe no Nordeste e conhecidos pela rixa que já gerou polêmicas e brigas fora dos ringues. Contando com recursos do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA), essa é uma das produções audiovisuais premiadas que recebem esse tipo de apoio por meio de editais.

Para a produção, cerca de R$ 550 mil foram recursos de edital do Governo do Estado, o que, para Machado, também conhecido por trabalhos como ‘Cidade Baixa’, é fundamental para a cinematografia brasileira. “Hoje, no Brasil, é impossível fazer cinema sem o apoio do Estado. Fora dos Estados Unidos, há pouquíssimos lugares onde isso é possível. Acho importante o trabalho que editais como os da Bahia e a Ancine [Agência Nacional do Cinema] têm feito. Agora é ‘super’ importante que os governos mantenham essa regularidade e que essas iniciativas sejam constantes para a criação de uma cultura cinematográfica brasileira”.

Nesse sentido, somente este ano foram aprovados 54 projetos de audiovisual, no edital que reúne R$ 14,5 milhões com recursos dos governos estadual e federal, por meio de parceria com a Ancine. O investimento é para todas as categorias de produção, além da formação, desenvolvimento de projetos e difusão. Para o secretário estadual de Cultura, Jorge Portugal, o apoio do Governo faz crescer o número de interessados e incentiva a produção dentro da própria Bahia.

Segundo Portugal, o audiovisual foi um dos setores que durante um bom tempo foi penalizado por uma verba limitada. “Este ano, viramos essa história com o novo edital. Aumentamos a oferta de apoio e isso excitou mais ainda todo o mercado de produtores, de proponentes que, sem dúvida, se multiplicou de um ano para o outro. Além de movimentar a economia cinematográfica, esse tipo de investimento projeta a nossa cultura, o nosso estado, a partir do momento que a vemos retratada nas telas. Salvador é uma cidade cenário e torcemos para que seja ainda muito mais explorada como locação para as produções baianas”.

Editais de eventos calendarizados

E, se a produção já foi premiada no Rio, é com expectativa de grande público que ‘A Luta do Século’ será exibido pela primeira vez na Bahia, no dia 16 de novembro, durante o XII Panorama Coisa de Cinema, evento que faz parte do calendário baiano de promoção e divulgação de produções audiovisuais. Este ano, o Panorama acontece em Salvador e Cachoeira, no Recôncavo baiano, no período de 9 a 16 do próximo mês, promovendo mostras competitivas (nacional, internacional e baiana) e oficinas.

Para promover programação tão extensa, o Panorama também conta com o apoio do Governo do Estado, via editais de eventos calendarizados, que incentiva e investe na realização de atividades culturais que tenham regularidade, garantindo estabilidade e também a formação de um calendário voltado aos diversos segmentos da cultura. Realizados a cada três anos, a iniciativa garante a continuidade das produções culturais, como afirma o coordenador e idealizador do ‘Coisa de Cinema’, o cineasta Cláudio Marques.

De acordo com Marques, o Calendarizado foi o grande tipo de edital que surgiu no Brasil nos últimos anos. “Ele dá uma tranquilidade e uma segurança para o produtor que a gente não tinha antes. Vemos em outros estados, onde não há essa modalidade, uma dificuldade muito grande em ‘prever’ o ano seguinte. Aqui, conseguimos potencializar muito o Panorama, ter um alcance que não tínhamos. Já existe um novo edital para mais três anos e o meu desejo é que a ideia se expanda para outras áreas”.

Dimas

Além dos editais, a Diretoria de Audiovisual (Dimas), da Fundação Cultural do Estado (Funceb), localizada no bairro dos Barris, em Salvador, foi criada para dar apoio e fomento à produção do setor, trabalhando na difusão, por meio dos espaços que podem ser cedidos aos cineastas em início de carreira, querendo mostrar seus filmes, como a sala Walter da Silveira, promovendo atividades como o Cineclube Walter da Silveira. Além disso, a diretoria abriga uma TV digital (TV Dimas), um vasto acervo de memória do cinema baiano com materiais em películas, fitas cassetes, DVDs, livros, cartazes, e um Núcleo de Apoio à Produção (NAP) que realiza empréstimos de equipamentos a pequenas produções sem apoio financeiro.

Para o diretor da Dimas, Bertrand Duarte, a Bahia começa a se destacar em relação a outros estados também em face da qualidade técnica dos profissionais baianos. “Atualmente, temos, no estado, 150 produtoras registradas na Junta Comercial em plena atividade, produzindo material para o setor. Além disso, é constante a formação de grandes profissionais que despontam no cenário nacional e inclusive exportamos essa mão de obra.

Fundo de Cultura da Bahia

Administrado pelas secretarias estaduais de Cultura (Secult) e da Fazenda (Sefaz), o FCBA foi criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico e culturais baianas, por meio do custeio de projetos culturais de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Estruturado em quatro linhas de apoio – Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais, tem como prioridade ações de baixo apelo mercadológico, o que dificultaria a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada.

Redação do Jornal Grande Bahia
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