Três discursos a favor do impeachment: Aécio Neves, o ressentido; Antonio Anastasia, o sócio despótico; Magno Malta, o apologeta blasfemador

Senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia são qualificados pela população e por políticos como golpistas usurpadores. MPF os tornou "sócios" em um processo criminal.
Senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia são qualificados pela população e por políticos como golpistas usurpadores. MPF os tornou "sócios" em um processo criminal.
Senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia são qualificados pela população e por políticos como golpistas usurpadores. MPF os tornou "sócios" em um processo criminal.
Senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia são qualificados pela população e por políticos como golpistas usurpadores. MPF os tornou “sócios” em um processo criminal.

Durante a sessão deliberativa extraordinária para votar a Denúncia 1/2016, que trata do julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por suposto crime de responsabilidade, fase final do julgamento do impeachment — com início em 25 de agosto de 2016 e foi concluso, com a condenação por impeachment e absolvição por crime de responsabilidade, em 31 de agosto de 2016 — três senadores apoiadores do Golpe Parlamentar se destacam pelas características argumentativas pessoais, e pelos vínculos políticos com os quais atuaram para usurpar o mandato popular conferido à Dilma Rousseff.

Os senadores Aécio Neves (PSDB/MG), Antônio Anastasia (PSDB/MG) e Magno Malta (PR/ES) ao discursarem e apresentarem questionamentos durante o processo de impeachment revelaram aspectos da personalidade pessoal, do interesse político e dos argumentos dissonantes com a realidade fática do processo.

Aécio Neves, o ressentido

Derrotado na eleição para presidente da República de 2014, o senador Aécio Neves é reconhecido como um dos conspiradores do Golpe Parlamentar, cuja atividade política foi direcionada no intuito de construir a falsa tese de crime atribuído a presidente Dilma Rousseff. Durante o discurso, defendeu o sócio no processo criminal postulado pelo Ministério Público Federal (MPF), Antonio Anastasia. Ambos, Aécio e Anastasia, são acusados de desvios de recursos da saúde ao gerir o governo do Estado de Minas. Durante o discurso, o ressentimento derrotista e o fato de ser acusado pelo MPF, inclusive no Caso Lava Jato, foi revelado nos interditos do discurso do senador.

Antonio Anastasia, o sócio despótico

Denunciado pelo MPF por possíveis atos de corrupção na gestão da saúde do estado de Minas Gerais, o senador Antonio Anastasia foi a voz que sedimentou a peça ficcional de acolhimento da denúncia do processo de impeachment. Um crime sem ato comprovado. A função do senador, sócio no processo criminal em que configura Aécio Neves, foi o de tentar convencer, não os senadores apoiadores do Golpe Parlamentar, mas a opinião pública. A performance durante o processo de julgamento o qualificam como um déspota, um usurpador da vontade geral da nação, expresso no sufrágio conferido a Dilma Rousseff. Uma presidente deposta pelo relatório de um possível criminoso, tomando como verdadeira as acusações do MPF.

Magno Malta, o apologeta blasfemador

O discurso do senador Magno Malta é no mínimo curioso. O senador alterca a capacidade de ter memorizado trechos da Bíblia, com excessiva linguagem vulgar. “Depois de tanta lambança”, “alguém é cego, é capaz de tapar o sol com a peneira”, “são gente de bem, mas viraram chacota”, “pode me chamar de golpista, só não pode me chamar de ladrão”, são citações de Magno Malta. O senador representa com bastante propriedade o novo protestantismo ascendente no país, com pouca formação intelectual e bastante confusão entre o que é próprio da dimensão religiosa e o que concerne à vida política dos cidadãos. O discurso do senador pode ser qualificado como apologeta blasfemador e uma ode ao intelectualmente grotesco em termos de discurso político.

Confira os vídeos com os discursos dos senadores

 

Sobre Carlos Augusto 9521 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).