Salvador: peça ‘O Bobo’ é apresentada no Teatro Gregório de Mattos

Caio Rodrigo representa personagem em 'O Bobo'.
Caio Rodrigo representa personagem em 'O Bobo'.
Caio Rodrigo representa personagem em 'O Bobo'.
Caio Rodrigo representa personagem em ‘O Bobo’.

Um homem (ou ator) anuncia seu suicídio, iniciando a ação dramática da peça. Cavando a sua própria sepultura, encontra um crânio/máscara do BOBO. Antes de dar fim a sua vida, resolve vesti-la. O bobo da corte pode ser “um misto de ator, palhaço, menestrel, mas, antes de tudo, uma máscara que tem a licença do rei para “dizer verdades”. A trama tem como forte inspiração o personagem YORICK, do clássico texto HAMLET – de Willian Shakespeare – mas também da personagem do bobo em “Rei Lear”, do mesmo autor. Além disso, citações das obras de Albert Camus e Maquiavel. Dentre os muitos temas, a investigação do oficio do ator e o papel do teatro nas sociedades contemporâneas, desvelando algumas de nossas máscaras possíveis no jogo teatral cotidiano. O BOBO faz três únicas apresentações neste final de semana, dias 08, 09 e 10/07 de julho de 2016, às 19h, no Teatro Gregório de Mattos.

Contemplada pelo edital Arte Todo Dia, lançado pela Fundação Gregório de Mattos (órgão da Prefeitura de Salvador), a peça é uma criação conjunta de Caio Rodrigo (Prêmio Braskem de Teatro, na categoria Infantojuvenil, 2015) e do diretor teatral Daniel Guerra (indicado ao mesmo prêmio na categoria Revelação, 2009). O Bobo nasce de inúmeras questões, provocações e metáforas sobre o teatro. Se coloca também na fronteira entre a cena e o próprio cotidiano, na medida em que o atuante reflete sobre o conceito de presença e relação artista/público e/ou indivíduo/público. A realidade seletiva, virtual, o monitoramento, a superexposição e uma série de circunstâncias contemporâneas também são abordadas. O texto foi construído em processo colaborativo. A dramaturgia se divide em quadros, atravessando, friccionando e desestabilizando várias poéticas.

“Nesse momento, escolhemos nossas máscaras. E o teatro bem mimado da realidade ganha força de fim que justifica os meios… E a confusão será tanta, que a nossa tragédia será de uma alegria bufonesca, porque saberemos todos uma constatação de uma sentença de vida que todos votam com seu estômago. E que o órgão maís sensível do nosso corpo é o nosso bolso”, dispara um trecho do texto.

O arsenal de referências de O BOBO questiona a prática do teatro, deslocando, desconstruindo e redimensionando no mesmo espaço o sentido da estrutura convencional da caixa cênica, da personagem, do figurino, do cenário, dos papéis atribuídos e delegados ao ator, entre outros componentes estéticos. O jogo é de maneira ambígua, com a ideia do charlatão e até mesmo com o bobo (o coringa) das cartas de tarô, que pode prevê múltiplos destinos. O artista se desnuda na fricção entre a tradicionalidade do teatro e a performatividade.

Com 10 anos de carreira e mais de 20 peças no curriculum, Caio Rodrigo já trabalhou com os principais diretores da cena teatral baiana: Fernando Guerreiro, Harildo Déda, Nehle Franke, Hebe Alves, Paulo Cunha, entre muitos outros nomes importantes das artes cênicas.

No cenário assinado por Rodrigo Frota, a poética da precariedade, o tosco, referências mambembes, a reutilização de materiais, a mobilidade. O figurino concebido por Hamilton Lima soma-se a mesma linha estética. E a trilha sonora de Juracy do Amor (Beef) potencializa ainda mais a atmosfera da montagem, que explora texturas, riffs de guitarra, a sonoridade do arrocha, do pagode e do rock. Tudo executado ao vivo.

Agenda

Teatro Gregório de Mattos | Salvador

De Sexta a domingo | Dias 08, 09 e 10/07 | Horário: 19h

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