Benito Gama é o novo vice-líder do governo Temer no Congresso Nacional; deputado é oriundo do magalhismo

Benito Gama, um autêntico magalhista na representação do governo Temer.
Benito Gama, um autêntico magalhista na representação do governo Temer.
Benito Gama, um autêntico magalhista na representação do governo Temer.
Benito Gama, um autêntico magalhista na representação do governo Temer.

O deputado federal Benito Gama (PTB-BA) é o novo vice-líder do governo no Congresso Nacional. O anúncio foi feito hoje (07/07/2016) pelo Palácio do Planalto, após uma reunião entre o deputado e o presidente interino, Michel Temer. A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) é a atual líder.

Após a reunião, Gama disse ao Portal Planalto estar entusiasmado com o novo desafio, e que pretende trabalhar com Temer a fim de “ajudá-lo a ajudar o Brasil”. Comentou também que o presidente está “preocupado com o déficit fiscal”, mas que a equipe econômica está “debruçada para resolver este problema”.

“Ele (Temer) quer, primeiro, trabalhar só com a redução de despesas, o que é importante para a sociedade, que já tem uma carga tributária muito alta”, disse o novo vice-líder do governo no Congresso Nacional.

Forças reacionárias

Benito da Gama Santos é um autentico político oriundo das forças conservadoras que deram sustentação ao Golpe Civil/Militar de 1964.

O deputado federal vivenciou o auge do poder durante os governos de Antônio Carlos Magalhães, João Durval e César Borges, ocupando os cargos de Secretário dos Transportes e Comunicações do Estado da Bahia, 1982-1983; Secretário da Fazenda do Estado da Bahia, 1983-1985; Secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia, 1999-2000.

Benito Gama ficou frustrado com a escolha de Paulo Souto para suceder ACM na campanha ao governo do estado. Além da frustração política, denuncias atingiram a reputação do político. As denuncias resultaram no afastamento de Benito Gama do Estado da Bahia para assumir o cargo de Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico do Governo de Rio Grande do Norte, de 2011 a 2012.

Em 2012, retorna a Bahia e passa a presidir nacionalmente o PTB. Em 5 de junho de 2013, a presidenta Dilma Rousseff, no lugar de César Borges (PR), nomeia Benito Gama vice-presidente de Governo do Banco do Brasil.

Em 2014, Benito Gama conduz o PTB a apoiar Aécio Neves para presidência da República e atua em âmbito estadual no apoio a eleição das forças remanescentes do magalhismo, declarando voto para a candidatura de Paulo Souto ao governo do Estado.

Em 2014, candidato a deputado federal, Benito Gama foi eleito pela coligação ‘Mais Mudanças, Novas Conquistas’, obtendo 71.372 votos (1.07%).

Em 7 de janeiro de 2015, a Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE/BA) requereu a cassação do diploma e do mandato do deputado federal Benito Gama por meio de ação de impugnação de mandato eletivo (AIME).

Segundo a PRE, “enquanto candidato, Gama subcontratou serviços de terceiros, por meio destes adquiriu bens destinados à campanha eleitoral e não os declarou na prestação de contas, fugindo do controle efetivo dos gastos eleitorais. A campanha do deputado figurou no rol das mais caras do Brasil para a Câmara dos Deputados, com gasto total de quase R 6 milhões, sendo R$ 4,5 milhões despendidos na prestação de serviços de terceiros.”.

Autêntico magalhista

Benito Gama é um político que pode ser qualificado como um autêntico magalhista. O conceito ‘magalhista’ é atribuído aos políticos e lideranças identificadas com a dinastia da família Magalhães.

Os Magalhães determinaram os destinos políticos do estado por quatro décadas. São expoentes da família Antônio Carlos Magalhães (ACM), ACM Junior, ACM  Neto e Luís Eduardo Magalhães. Eles possuem o nome personificado em inúmeros patrimônios públicos da Bahia.

O poder político original da família é identificado com as forças sociais e políticas que deram sustentação ao golpe Civil/Militar de 1964. As quatro décadas do comando das forças do magalhismo na Bahia podem ser traduzidos nos seguintes dados sociais: elevado número de analfabetos, significativo número de excluídos sociais, política de saúde ineficiente e inexistência de política habitacional.

Denuncias de atos de corrupção atingiram membros da família ao longo do processo de ocupação do poder. Em 30 de maio de 2001, denuncias levaram o patriarca ACM a renunciar ao mandato de senador.

No tocante aos temas corrupção e golpe de estado, o Governo Temer não poderia encontrar melhor representante. Pode-se inferir que a escolha foi dinástica.

Sobre Carlos Augusto 9508 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).