Banco Mundial apresenta relatório sobre os aspectos gerais do Brasil, entre os anos de 2003 e 2014

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Em artigo analítico, Banco Mundial apresenta aspectos gerais do Brasil.
Em artigo analítico, Banco Mundial apresenta aspectos gerais do Brasil.
Em artigo analítico, Banco Mundial apresenta aspectos gerais do Brasil.
Em artigo analítico, Banco Mundial apresenta aspectos gerais do Brasil.

Entre 2003 e 2014, o Brasil viveu uma fase de progresso econômico e social em que mais de 29 milhões de pessoas saíram da pobreza[1] e a desigualdade foi reduzida significativamente (o coeficiente de Gini caiu 11% no mesmo período, chegando a 0,515). A renda dos 40% mais pobres da população cresceu, em média, 7,1% (em termos reais) entre 2003 e 2014, em comparação aos 4.4% de crescimento da renda da população total. No entanto, a redução da pobreza e da desigualdade vem dando sinais de estagnação desde 2015.

O Brasil está atualmente passando por uma recessão profunda. Desde o início desta década, o crescimento do país desacelerou continuamente, partindo de uma média anual de crescimento de 4,5% entre 2006 e 2010 para 2,1% entre 2011 e 2014. O PIB contraiu 3,8% em 2015. A crise econômica, associada à crise política pela qual passa o país, contribuiu para a queda da confiança dos consumidores e investidores. Além disso, a queda nos preços das commodities e a deterioração do sentimento dos investidores com relação a mercados emergentes contribuíram ainda mais para o aprofundamento da crise.

O realinhamento dos preços administrados, combinados com o repasse da depreciação cambial, produziu um pico de inflação em 2015 (a inflação atingiu 10,7% em dezembro), excedendo o limite superior da meta (4,5 ± 2%). A inflação entre os preços administrados está desacelerando e provavelmente será o principal motor da desaceleração moderada que se espera para 2016. No entanto, ainda deverá manter-se acima do teto da meta para este ano.

O governo propôs algumas medidas de ajuste macroeconômico e está preparando o terreno para reformas estruturais. No início de 2015, o governo iniciou um ajuste macroeconômico centrado em um plano de consolidação fiscal ambicioso. A política monetária e a política cambial foram ajustadas para reduzir as expectativas de inflação e permitir a queda da taxa de câmbio real. A agenda de políticas incluiu também ações para impulsionar a competitividade, o investimento e a produtividade. No entanto, seguir o programa de reformas tem sido difícil, dada a dificuldade na obtenção de consenso no Congresso.

O ajuste fiscal é prejudicado pela rigidez do orçamento e pelo ambiente político difícil. Estima-se que menos de 15% das despesas seja discricionária no Brasil. Grande parte das despesas públicas é obrigatória (pela Constituição ou por outra legislação), crescendo em linha com as receitas, o crescimento nominal do PIB, ou outras regras pré-especificadas. Além disso, uma grande parte das receitas se destina à educação e à saúde. As tentativas de aprovar uma legislação para aumentar a arrecadação no curto prazo e abordar questões mais estruturais, como a reforma da previdência, têm até o momento ficado aquém das intenções do governo.

A crise levou a um ajuste significativo na conta corrente do balanço de pagamentos. Em resposta à contração do PIB e uma depreciação de 30% da moeda, o déficit em conta corrente diminuiu para 3,3% do PIB em dezembro de 2015 em comparação aos 4,3% de um ano atrás. O investimento estrangeiro direto somou 4,2% do PIB no mesmo período, financiando 132% do déficit em conta corrente. O Brasil tem mantido um nível suficiente de reservas externas, que fecharam 2015 em US$358 bilhões, ou 18 meses de importações.

As perspectivas de médio prazo do Brasil vão depender do sucesso dos ajustes atuais e da adoção de novas reformas que favoreçam o crescimento. O aumento da produtividade e da competitividade é o principal desafio para o país aumentar seu índice de crescimento no médio prazo. Com o recuo dos fatores que fomentaram o crescimento ao longo da última década – o consumo alimentado pelo crédito e a expansão do mercado de trabalho e das commodities – serão necessários mais investimentos e ganhos de produtividade para promover o crescimento.

O Brasil possui diferenças regionais extremas, especialmente em indicadores sociais – como saúde, mortalidade infantil e nutrição. Os indicadores das regiões mais ricas do Sul e do Sudeste são muito melhores que os indicadores do Norte e do Nordeste.

Apesar da redução da pobreza conquistada na última década, a desigualdade permanece relativamente alta para um país de renda média. Após garantir a cobertura universal da educação primária, o Brasil agora luta para melhorar a qualidade e os resultados do sistema, especialmente nos níveis básico e médio.

Houve grande progresso na redução do desmatamento da floresta tropical e de outros biomas sensíveis. Porém, o país ainda enfrenta desafios importantes de desenvolvimento – principalmente como combinar os benefícios do crescimento agrícola, da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável.

Nas mais recentes negociações internacionais sobre o clima, a COP21, o Brasil desempenhou um papel essencial para alcançar o marco climático de 2015. O país demonstrou mais uma vez sua liderança na arena das negociações internacionais sobre mudança climática, corroborada pelas contribuições significativas que fez para a mitigação das mudanças climáticas em seu território. O Brasil se comprometeu voluntariamente a reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020 e deve atingir esse objetivo mais cedo.

Baixe

Brasil – Diagnóstico Sistemático de País: Retomando o Caminho para a Inclusão, o Crescimento e a Sustentabilidade 

Estratégia de parceria entre o Brasil e o Banco Mundial para o período de 2012 a 2015

[1] Medida pela linha de pobreza nacional de R$ 140 em 2012

*Análise realizada pelo Banco Mundial.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 113486 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]