Em discurso à nação, presidente Barack Obama defende combate ao terrorismo e reforma eleitoral

Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos da América.
Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos da América.
Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos da América.
Casa Branca, residência oficial do presidente dos Estados Unidos da América.

Com um tom progressista, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apontou na noite dessa terça-feira (12/01/2016), em seu último discurso do estado da União, que o país não deve isolar-se como defendem os que usam retórica do medo do terrorismo; deve buscar uma economia mais justa e igualitária e defendeu mudanças no sistema eleitoral americano, com o fortalecimento do voto direto.

Durante quase uma hora, ele fez o balanço dos sete anos de governo, mas frisou que seu enfoque seria o futuro e em como os Estados Unidos deveriam ser construídos por todos: brancos, negros, latinos, democratas e republicanos.

Ao falar da ação de grupos como o Estado Islâmico (EI), ele disse que o país deve ir atrás dos terroristas, mas que não deve acreditar que eles “representam uma ameaça à existência da nação”. Obama defendeu que o combate ao EI é uma prioridade, porque eles usam a Internet para envenenar as mentes dos indivíduos dentro do próprio país.

Na visão dele, no entanto,  isso não quer dizer que os Estados Unidos devam ser radicais contra a diversidade religiosa e ideológica em seu território. “Nosso inimigo [EI] está escondido em garagens e apartamentos e vamos atrás deles, que representam um perigo para civis. Mas  não precisamos destruir alianças ou afastar aliados vitais nesta luta baseados em uma mentira de que o Estado Islâmico representa uma das maiores religiões do mundo (Islamismo)”, afirmou.

Obama enfatizou bastante o tema, especialmente porque a ideia de endurecer as regras para muçulmanos é uma das propostas que vem alavancando o crescimento do multimilionário Donald Trump, pré-candidato presidencial e líder nas pesquisas entre os Republicanos.

O presidente lembrou que os Estados Unidos lideram uma coalizão de mais de 60 países na estratégia de cortar o financiamento do EI e nos ataques aéreos. “Além disso, estamos assumindo a liderança de seus campos de treinamento e apreendendo suas armas”, disse.

Mas ele também exortou o Congresso a autorizar o uso de forças militares contra o EI.  Afirmou que embora o enfoque primordial da política externa de segurança do país deva ser o combate ao EI e a Al Qaeda, também é importante trabalhar pela estabilidade na África, América Central e Ásia.

Obama também lembrou das conquistas da política externa baseada na diplomacia, como o acordo nuclear com o Irã e falou da importância do restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, depois de 50 anos. Ele chamou a atenção do Congresso para que retire o embargo econômico e ressaltou mais uma vez que a prisão de Guantánamo deve ser fechada.

Nova economia

Obama ressaltou as conquistas econômicas e como o país saiu da crise em 2008 para manter-se a maior economia do mundo e em ascensão em 2015, com mais de 14,1 milhões de novos empregos no ano passado  – o melhor desempenho desde a década de 1990. “Qualquer um que diga  que a economia da América está em declínio, está disseminando uma ficção. Mas a verdade, que deixa muitos americanos ansiosos, é que a economia tem mudado de forma profunda”, comentou.

Crítico, ele disse que os critérios da economia devem ser repensados e que grandes corporações financeiras, industriais e petroleiras deveriam ser reguladas. Obama admitiu  não ter conseguido chegar a um acordo em seus dois mandatos sobre qual deve ser o papel  do governo para garantir que o sistema não seja manipulado em favor das companhias mais ricas. “Aqui, o povo americano tem uma escolha a fazer, nosso enfoque nesta nova economia deve ser o trabalhador, a pequena empresa e como garantir que exista justiça e igualdade de oportunidades”, destacou.

Obama Defendeu ainda a manutenção e a ampliação das mudanças no sistema de saúde e no plano de assistência que criou, o “Medicare”, apelidado de “Obama Care” e o sistema de seguridade social.

O presidente também apelou para que as empresas coloquem seus lucros e seu poder a serviço da tecnologia para encontrar caminhos sustentáveis, ao mencionar o aquecimento global. “Temos de acelerar a transição para energia limpa”, defendeu, mencionando que o país deixou de importar 60% de petróleo, mas precisa colocar dinheiro na construção de um sistema de transporte do século 21.

Sistema eleitoral

Ao terminar o discurso, Obama refletiu sobre o sistema político e eleitoral no país. Disse que a política norte-americana  precisa de mudanças e de construção de um debate de alto nível. “Uma melhor política não significa que nós temos que concordar em tudo. Este é um grande país, com diferentes regiões e atitudes e interesses. Esse é um dos nossos pontos fortes, também”, afirmou.

Indiretamente,  ele voltou a condenar discursos radicais como o de Donald Trump. “Nossa vida pública murcha quando apenas as vozes mais extremas chamar a atenção”, disse.

Obama foi enfático ao defender maior peso do voto direto nas eleições. Para ele, é preciso acabar com a prática de desenhar distritos congressionais de modo que os políticos podem escolher seus eleitores, e não o contrário. E defendeu uma mudança no sistema de financiamento eleitoral. “Temos de reduzir a influência do dinheiro em nossa política, de modo que um punhado de famílias e interesses ocultos não pode financiar nossas eleições”.

Obama exortou os cidadãos norte-americanos a buscarem esta mudança  “não apenas em quem é eleito, mas como eles são eleitos “. Para ele, isso só acontecerá quando o povo americano a exigir (a mudança). ” Vai depender de você. Isso é o que se entende por um governo de, por e para o povo”, disse.

O presidente  terminou o pronunciamento dizendo que isso (mudança) não vai ser fácil. “Mas posso prometer que um ano a partir de agora, quando já não ocupar este cargo, eu estarei lá com você como um cidadão, inspirado por essas vozes da equidade que nos ajudam a ver a nós mesmos não em primeiro lugar como negros ou brancos, asiáticos ou latinos; não como gay ou hetero, imigrantes ou nativos; não como democratas ou republicanos, mas como americanos primeiro, vinculados por um credo comum”, acrescentou.

*Com informação da Agência Brasil.

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