Cachoeira: debate na UFRB pautou necessidade de retomada do nacional desenvolvimentismo como alternativa à superação da crise

Professor Dr. Nilson Weisheimer coordenou debate com o tema ‘Um novo projeto nacional de desenvolvimento é possível? Impasses e oportunidades’.Professor Dr. Nilson Weisheimer coordenou debate com o tema ‘Um novo projeto nacional de desenvolvimento é possível? Impasses e oportunidades’.
Professor Dr. Nilson Weisheimer coordenou debate com o tema ‘Um novo projeto nacional de desenvolvimento é possível? Impasses e oportunidades’.

Professor Dr. Nilson Weisheimer coordenou debate com o tema ‘Um novo projeto nacional de desenvolvimento é possível? Impasses e oportunidades’.

Uallace Moreira Lima, Haroldo Lima, Nilson Weisheimer, Antonio Eduardo Alves de Oliveira e Carlos Augusto, durante debate na UFRB.

Uallace Moreira Lima, Haroldo Lima, Nilson Weisheimer, Antonio Eduardo Alves de Oliveira e Carlos Augusto, durante debate na UFRB.

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), realizou no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) — Quarteirão Leite Alves — em Cachoeira, na quarta-feira (02/12/2015), mesa de debate com o tema ‘Um novo projeto nacional de desenvolvimento é possível? Impasses e oportunidades’. O evento fez parte da programação do V Seminário do PPGCS, cujo tema foi ‘Tradição e Modernidade: Identidades, Desigualdades e Desenvolvimentos’

A mesa de debate foi coordenada pelo prof. Dr. Nilson Weisheimer (PPGCS — UFRB). Na condição de palestrantes participaram Dr. Antonio Eduardo Alves de Oliveira, professor de Ciência política da UFRB; Dr. Uallace Moreira Lima, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (FCE/UFBA); Me. Carlos Augusto Oliveira da Silva, cientista social e jornalista (diretor do Jornal Grande Bahia e membro de grupo de pesquisa da UFRB); Haroldo Borges Rodrigues Lima, ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANT), no período de 2003 a 2011. O debate objetivou convergir o conhecimento acadêmico e discussões sobre as dinâmicas socioeconômicas no contexto regional e nacional, com as respetivas conexões com o processo de globalização.

Durante o debate, os dos membros da mesa abordaram, sob diferentes aspectos, a necessidade da retomada no nacional desenvolvimentismo, como alternativa para superação da crise socioeconomia que atinge o país, pontuando, também, o nacional desenvolvimentismo como alternativa para o estabelecimento de um projeto de nação.

Emancipação social através da Educação

O professor de ciência política Antônio Eduardo abordou a necessidade de a academia incorporar o debate e da importância da educação como instrumento na formação de consciência de classe. Ele inferiu que a conjuntura nacional está pautada por um discurso conservador da mídia e por um Congresso Nacional articulado na defesa de pauta conservadora. Ele observa que os ganhos da classe trabalhadora no que tange os aspectos sociais econômicos está em processo de retrocesso em função do conservadorismo atual, e conclui afirmando que “a educação é um tema importante, mas é um assunto deixado de lado. ”.

Transferência de riquezas para o capital financeiro

Professor Uallace Lima destacou que estado nacional privilegia  o capital financeiro e o capital rentista em detrimento do capital produtivo. Ele demonstrou através de dados científicos, referentes ao período de 2000 a 2015, a transferência de parte da riqueza nacional para o capital financeiro e rentista. Na avaliação do professor de economia, “essa crise que acontece no Brasil, é uma crise de 35 anos, pois o Brasil não se desenvolve industrialmente desde os anos de 1980”.

Desigualdade e Desenvolvimento no Recôncavo Baiano

O cientista social Carlos Augusto inferiu que desenvolvimento de projetos industrias em regiões identificadas com formas de economia de subsistência e população com baixo nível de educação formal, intensificam processos de exclusão social e acrescenta elementos de violência à comunidades que estavam em certo estágio de equilíbrio social. Para o cientista social, mesmo um projeto de desenvolvimento industrial autóctone necessita da efetiva fiscalização do Estado e do aprimoramento de fiscalização das instituições da sociedade civil para que as medidas compeensatórias sejam efetivadas.

Capitalismo Independente

O parlamentar e militante político Haroldo Lima discorreu sobre o processo histórico de formação da classe trabalhadora e o desenvolvimento do capitalismo nacional, destacando que as elites conservadoras objetivam o desmantelamento de um desenvolvimento nacional, favorecendo o desenvolvimento baseado na teoria da dependência. Ele concluiu a apresentação expressando que “durante muitos anos o Brasil foi o país que mais se desenvolveu no mundo. ”.

Consciência de classe e luta política

Professor Dr. Nilson Weisheimer, coordenador do debate, destacou a necessidade sobre a formação de um amplo e recorrente debate sobre o desenvolvimento de uma política nacional desenvolvimentista. Ele avaliou que a exclusão do debate da academia, inibe o surgimento de um consenso sobre uma política nacional desenvolvimentista, e alerta que falta um projeto de nação que possa ser implementado a longo prazo.

“Por um longo período o debate do desenvolvimento foi escanteado pela universidade. Estamos vivendo o momento mais agudo do país, é uma crise de orientação de perspectiva profunda. ”  Disse Weisheimer.

Ele avalia também que isso é decorrente da equivocada opção por debates sobre desenvolvimento setoriais, relativizando a real necessidade sobre o debate do desenvolvimento nacional.

Ele concluiu a exposição conclamando aos estudantes a se posicionarem na defesa de uma pauta progressista que leva em consideração o desenvolvimento nacional com inclusão social.

“A luta de classe passa pela educação da juventude e se materializa no projeto popular da universidade. ”.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).