Paralisação do estaleiro Enseada Industria Naval é tema de debate na Assembleia Legislativa da Bahia

Alba debateu paralisação do estaleiro Enseada Industria Naval.
Alba debateu paralisação do estaleiro Enseada Industria Naval.
Alba debateu paralisação do estaleiro Enseada Industria Naval.
Alba debateu paralisação do estaleiro Enseada Industria Naval.

Com o objetivo de debater sobre os investimentos da Petrobras na Bahia para os próximos anos e também sobre as obras paralisadas do Enseada Industria Naval (Estaleiro Enseada do Paraguaçu – EEPSA), foi realizada ontem, na Assembleia Legislativa, sessão especial, proposta pelo deputado Hildécio Meireles (PMDB), presidente da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo. “Vivemos uma grave crise econômica e a sociedade baiana necessita das garantias que o cenário de tristeza com a paralisação das obras do estaleiro não vai se tornar ainda pior”, afirmou.

A sessão especial foi aberta pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo. Ele destacou que buscou um espaço na sua agenda para estar ali, simbolicamente, representando a unidade da Casa em relação a importância do assunto. “A crise que já está afetando a vida de todos os brasileiros está sendo sentida de forma mais intensa pelos baianos que estavam depositando as suas esperanças no desenvolvimento econômico e social que o estaleiro traria”, afirmou o presidente.

Em sua fala, Hildécio Meireles se referiu a um estudo divulgado no dia 11 de agosto pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), mostrando que a paralisação de investimentos em obras como a construção do Estaleiro Enseada, em Maragogipe, e a Ferrovia Oeste-Leste, decorrente da Operação Lava Jato pode gerar um impactos negativos – diretos e indiretos – de R$ 142,6 bilhões na economia brasileira e uma retração de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto). “O estudo mostra que a economia baiana pode ter prejuízos de até R$ 21,3 bilhões. O Estaleiro Enseada do Paraguaçu, tido como o maior empreendimento da Indústria Naval da Bahia e um dos maiores do Brasil, está orçado em R$ 2,6 bilhões. A sociedade precisa saber o que necessário para dar respostas sobre esses assuntos”, enfatizou o deputado.

O diretor de Relações Institucionais da Enseada, empresa responsável pelo Projeto, Humberto Rangel, que também representou a Fieb, detalhou a performance do estaleiro ao longo do processo de implantação, a partir de 2012. “Fomos obrigados a paralisar as obras do estaleiro com um avanço significativo de 82% de conclusão e R$ 2,6 bilhões já investidos, de um total de R$ 3,2 bilhões. No pico das obras, em 2014, a empresa gerou 7.200 empregos diretos, sendo mais de 80% para as comunidades do entorno”, revelou Rangel, assegurando que: “Se a pleno vapor estivesse, o estaleiro teria hoje, somente aqui na Bahia, cerca de 6.000 integrantes”, afirmou o executivo, lamentando que atualmente a empresa registra menos de 300, que cuidam apenas de atividades administrativas e preservação de equipamentos.

O prefeito do município de Jaguaripe, Heráclito Arandas, afirmou que o sentimento em toda a região é de que o que antes representava o sonho dos trabalhadores se tornou um pesadelo. “Localidades paradisíacas que viviam na paz e sossego da contracosta agora vivem com medo. Só de agosto para cá foram cinco homicídios”, revelou o prefeito, ressaltando que é preciso debater com mais intensidade o motivo da paralisação, já que segundo informações do consórcio construtor 82% da obra já está pronta. “Com o sonho da geração de oito mil empregos, muitas pessoas investiram tudo que tinham para montar seu próprio negócio. E São Roque do Paraguaçu hoje é um deserto”, afirmou Arandas.

O deputado Rosemberg Pinto (PT) contou que coordenou o grupo de executivos da Petrobras que saiu pelo Brasil demonstrando a importância do pré-sal e as perspectivas de desenvolvimento do país de áreas agregadas, como a indústria naval. Ele admitiu que o governo se equívoco na confecção do arranjo empresarial para a construção do Estaleiro. “Acho que esse deve ser um “case” de estudo para não cometermos de novo os mesmos erros. O arranjo empresarial deve ser mudado, mas não podemos esquecer que é uma operação “casada”. Não é só concluir a obra, mas garantir que os serviços serão realizados, que o estaleiro vai operar. Não podemos ficar com um elefante branco”, completou.

Baixe

Carta da Bahia pela retomada das obras de implantação do estaleiro da Enseada Indústria Naval 

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 114859 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br.