Vereador classifica demolição dos casarões como crime histórico contra Salvador e o estado da Bahia

Vista aérea de Salvador. Vereador critica demolição de prédios históricos da cidade.
Vista aérea de Salvador. Vereador critica demolição de prédios históricos da cidade.
Vista aérea de Salvador. Vereador critica demolição de prédios históricos da cidade.
Vista aérea de Salvador. Vereador critica demolição de prédios históricos da cidade.

O vereador Hilton Coelho (PSOL) afirma ter “plena convicção que a indústria imobiliária será a maior beneficiária com a destruição de casarões no Centro Histórico. A gentrificação é evidente. Enquanto lá morarem pessoas pobres, negras nada será feito de forma efetiva. Querem transformá-lo de forma elitista como se tenta em Pernambuco com o ‘Novo Recife’. Estamos atentos e chamamos a população e entidades representativas a dizerem não à expulsão que se consolida usando agora a tragédia das chuvas como álibi. Parte de nossa história está sendo destruída e precisamos resistir”, disse.

Gentrificação é o nome que se dá à expulsão de moradores pobres de determinada região por meio de um conjunto de medidas socioeconômicas e urbanísticas marcado pela hipervalorização de imóveis e encarecimento de custos. “Talvez você nunca tenha ouvido o termo, mas certamente convive com seus impactos”, afirma Hilton Coelho acrescentando que o local foi “abandonado pelo poder público e invadido pela especulação imobiliária. As autoridades que deviam cuidar e preservar o patrimônio histórico da cidade de Salvador são as responsáveis pela demolição desse conjunto de valores históricos da cidade”, enfatiza.

O socialista acrescenta não estar surpreso com tudo que ocorre “porque sempre alertamos e denunciamos que o prefeito ACM Neto representa um projeto social e político de exclusão onde os beneficiários de sua gestão são os que estão no comando da gestão desde Thomé de Souza. O Centro Histórico de Salvador é considerado patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e mesmo assim a destruição continua com o silêncio de todos, inclusive com a participação do governo estadual e do federal, através da omissão, incapacidade ou algo pior do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Outra omissão é do Ministério da Cultura que não se manifesta em momento algum. A omissão é tamanha que pode ser confundida com conivência”, critica com veemência o vereador do PSOL.

Hilton Coelho avalia que Salvador corre o risco de perder o título dado pela Unesco em razão do descaso. Lembra que a cidade de Olinda (PE), eleita há 30 anos Patrimônio Cultural da Humanidade, sofre a ameaça de perder o título devido a irregularidades no processo de preservação e manutenção dos imóveis inseridos no perímetro de tombamento conforme constatou a Unesco, órgão responsável pela concessão da titulação. “O que dizer de Salvador e a destruição dos sítios históricos? Não queremos que o povo pobre, negro, resistente como os artífices da Ladeira da Conceição da Praia sejam expulsos. Já vimos isso ocorrer quando Antônio Carlos Magalhães, o avô, disse que revitalizaria o Pelourinho – Maciel e acabou expulsando a população residente para Coutos. Investiu nos imóveis e abandonou as necessidades das pessoas. Nós dizemos não ao elitismo, a gentrificação e vamos resistir. A Câmara de Salvador não pode e não irá se omitir”, finaliza.

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