Lava Jato: executivos da Camargo Correa confirmam pagamento de propina

Executivo da Camargo Correa Dalton dos Santos Avancini participou de esquema de corrupção.
Executivo da Camargo Correa Dalton dos Santos Avancini participou de esquema de corrupção.
Executivo da Camargo Correa Dalton dos Santos Avancini participou de esquema de corrupção.
Executivo da Camargo Correa Dalton dos Santos Avancini participou de esquema de corrupção.

Em depoimento prestado na segunda-feira (04/05/2015) à Justiça Federal em Curitiba, dois executivos da empreiteira Camargo Correa confirmaram ao juiz Sérgio Moro pagamento de propina em contratos com a Petrobras.  Eduardo Hemerlino Leite e Dalton Avancini disseram que 1% dos contratos da empresa era pago às diretorias de Abastecimento e de Serviços. Os fatos são investigados na Operação Lava Jato.

Os executivos relataram que o pagamento de propina era institucionalizado na empreiteira. Hemerlino Leite e Avancini disseram que, quando ocuparam cargo na diretoria de Óleo e Gás da empreiteira, foram informados, durante a troca de diretoria, sobre os pagamentos de propina.

Segundo Hemerlino Leite, a Camargo Corrêa pagou R$ 63 milhões à Diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, e R$ 47 milhões, à Diretoria de Abastecimento. Os pagamentos ocorreram principalmente nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

“Na verdade, o que variava era a capacidade de cumprir esse fluxo. Como os valores eram muito altos, esse 1% era um valor significativo. Pelo menos na Camargo, por não operar sistema de caixa 2, havia uma dificuldade muito grande para efetuar qualquer tipo de pagamento e quase impossível honrar esse fluxo de 1%”, disse Hemerlino Leite.

Segundo ele, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e Renato Duque, ex-diretor de Serviços, cobravam os valores devidos de propina mesmo depois de deixarem a Petrobras.

“Eu herdei essa pactuação. Me foi informado que isso [pagamento de propina] deveria ocorrer. Do ponto de vista, se isso representava alguma vantagem, eu diria que, se não pagasse, teria muita dificuldade da gestão contratual com a Petrobras. Era uma condição para celebrar o contrato.  Você não paga na celebração, você paga durante, depois, durante a obra, mas você tinha que sinalizar a aceitação”, declarou.

Dalton Avancini também confirmou que o pagamento de propina era “regra do jogo” para as empresas que tinham contrato com a estatal. “Existia um compromisso de 1% para a área de Abastecimento e 1% para a área de Serviços e que esses valores se destinavam a partidos. Quem apoiava área de Abastecimento era o PP e quem apoiava a área de Serviços era o PT”, afirmou.

Os dois executivos assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e cumprem prisão domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica.

Paulo Roberto Costa também fez acordo de delação premiada e cumpre prisão domiciliar. Renato Duque foi preso no mês passado na 12ª fase da Operação Lava Jato. A defesa do ex-diretor nega recebimento de propina no período em que ele comandou a Diretoria de Serviços.

*Com informações da Agência da Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
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