Com apoio da Codevasf, Embrapa capacita agricultores para a produção de mamona no semiárido baiano

Parceria da Codevasf com Embrapa qualifica produção de mamona na Bahia.
Parceria da Codevasf com Embrapa qualifica produção de mamona na Bahia.
Parceria da Codevasf com Embrapa qualifica produção de mamona na Bahia.
Parceria da Codevasf com Embrapa qualifica produção de mamona na Bahia.

Especializar agricultores familiares do semiárido baiano para que tenham uma produção sustentável e rentável de mamona – principal matéria-prima do biodiesel ou bio-óleo, é o objetivo de uma parceria da Embrapa Algodão com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na região de Irecê, onde três novas cultivares do vegetal já foram desenvolvidas e cerca de 27 mil famílias de pequenos produtores estão inseridas neste agronegócio.

Renovada por mais três anos, a parceria entre Codevasf e Embrapa Algodão, iniciada em 2005, visa ao desenvolvimento e difusão de tecnologias para melhoramento genético, cultivo e comercialização da mamona para usinas de biodiesel – que são certificadas com o Selo Combustível Social pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) sempre que inserem a agricultura familiar em sua cadeia produtiva.

“A região de Irecê é responsável por colocar a Bahia na posição de maior produtor de mamona do Brasil, e 90% da produção estadual está concentrada em 23 municípios desta região”, afirma o chefe do escritório da Codevasf em Irecê, Luiz Alberto Barbosa. A Bahia responde por 67% da produção nacional. Em instalações cedidas pela Codevasf no município de Irecê, a Embrapa Algodão acondiciona sementes, insumos e equipamentos usados nos treinamentos que são aplicados nas Unidades de Teste e Demonstração (UTD’s).

“Em 2015, estamos com seis UTD’s na região, com 21 produtores em cada uma delas recebendo nosso pacote tecnológico”, explica o técnico em agropecuária Jocelmo Ribeiro Mota, um dos responsáveis pelo trabalho na Embrapa Algodão. Ele informa que o objetivo é tecnificar os agricultores familiares com o pacote tecnológico da Embrapa para que eles tenham condições de produzir mamona de qualidade e se mantenham no negócio, comercializando regularmente para empresas e garantindo renda de forma permanente.

A principal compradora de mamona produzida na região é a BioÓleo, sediada em Feira de Santana e que tem a Petrobras Biocombustível como sócia. De acordo com Jocelmo Mota, são 107 mil hectares plantados e uma produção anual de mais de 80 mil toneladas no Território de Identidade de Irecê. O Governo do Estado é outro parceiro do trabalho, por meio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e do Centro Territorial de Educação Profissional, ligado à Secretaria Estadual de Educação.

Novas cultivares 

Entre os principais resultados já obtidos com o trabalho de pesquisa na região de Irecê, semiárido baiano, Jocelmo Mota destaca o lançamento de três cultivares de mamona: BRS 188 Paraguaçu, BRS 149 Nordestina e BRS Energia. “Esta é uma região centenária em produção de mamona, mas os produtores cultivavam com pouca tecnologia. Nossas pesquisas desenvolvem variedades mais adaptadas à região, e temos outras cultivares em desenvolvimento”, afirma.

A BRS 188 Paraguaçu é uma cultivar que foi desenvolvida para o cultivo na região semiárida brasileira, mas tem mostrado adaptação a diferentes ecossistemas em que se utilize a colheita manual e com precipitações adequadas ao desenvolvimento da planta. A cultivar alcança 1,5 mil quilos por hectare de sequeiro, se seguidas as recomendações de manejo.

Outra variedade desenvolvida, a BRS 149 Nordestina é uma cultivar que foi obtida por meio de seleção individual, com teste de progênies na variedade Baianita, também cultivada na região de Irecê. Ela possui cachos maiores que a BRS Paraguaçu, mas consegue chegar à mesma produtividade média se seguidas as recomendações de manejo.

Já a BRS Energia, explica Mota, é a mais baixa e mais precoce. Consegue produzir mais rápido, o que possibilita um aproveitamento maior das chuvas. Seu descascamento só pode ser realizado com máquinas já desenvolvidas para a cultivar – o que tem suas vantagens, pois permite a realização de uma única colheita, observa o técnico da Embrapa Algodão. “Por isso, foi desenvolvida visando reduzir o custo com de mão de obra e está sendo bastante utilizada na região pelos agricultores familiares. Esta cultivar permite ser colhida de uma única vez, e chega a produzir 1,8 mil quilos por hectare”, ensina.

Formação em ricinocultura 

O grupo técnico que atua na região de Irecê integra as equipes de melhoramento genético e de transferência de tecnologia da Embrapa Algodão, cuja sede fica em Campina Grande, na Paraíba. O escritório do Ceará, sediado em Barbalha, também oferece a agricultores familiares a formação em ricinocultura. O treinamento, explica Jocelmo Mota, engloba gestão da produção, preparo eficiente de solo, escolha das cultivares apropriadas, adubação, tratos culturais, colheita e beneficiamento.

O esforço da Embrapa Algodão está inserido no Programa Cultivar, criado pela Petrobras Biocombustível para aumentar a produtividade e incentivar o cultivo, pela agricultura familiar, de plantas oleaginosas que podem ser usadas para produzir biodiesel, como mamona, girassol, soja e palma de óleo (dendê).

O investimento previsto pela estatal é de US$ 2,3 bilhões até 2018 para manter o crescimento em biocombustíveis, em linha com o mercado doméstico de gasolina e diesel. O objetivo é, até 2030, ter participação de 24% no mercado de biodiesel e de 15% no de etanol, segundo as informações oficiais do site da Petrobras Biocombustível.

Os produtos derivados do biodiesel possuem diversas formas de utilização no dia a dia nas formas de ácido graxo, borra de refino e glicerina. Eles têm aplicação tanto para uso doméstico como nos setores automotivo, industrial, agropecuário, ferroviário, marítimo e de aviação.

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