Cinco depoentes se recusaram a falar à CPI da Petrobras

Além do doleiro Alberto Youssef, que reafirmou o que já havia delatado antes, a doleira Iara Galdino foi a única a também falar hoje. Ela admitiu que abria empresas de fachada.

Além do doleiro Alberto Youssef, que reafirmou o que já havia delatado antes, a doleira Iara Galdino foi a única a também falar hoje. Ela admitiu que abria empresas de fachada.

Dos sete depoentes convocados para comparecer nesta segunda-feira (11/05/2015) diante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras em Curitiba (PR), cinco optaram por ficar calados e não responder as perguntas dos deputados. Apenas o doleiro Alberto Youssef e a ex-funcionária da doleira Nelma Kodama, Iara Galdino, aceitaram falar. Esta última admitiu que abria empresas de fachada.

Recusaram-se a falar os empresários Mário Góes, Guilherme Esteves de Jesus, Adir Assad e Fernando Soares, assim como o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que disseram ter sido orientados por seus advogados a ficar calados.

A decisão irritou membros da CPI. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) chegou a discutir asperamente com o advogado de Fernando Soares, Davi Azevedo, que reclamou publicamente do tom do interrogatório e disse que os deputados estavam cometendo abuso de poder.

“O senhor não tem o direito de falar aqui. No máximo pode falar com seu cliente. Não se dirija a nós”, disse o deputado. Diante da insistência do advogado de protestar em público, alguns membros da CPI pediram a prisão de Davi Azevedo. Ele só parou de se manifestar quando foi repreendido pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

Calados

O primeiro depoente a optar por ficar em silêncio foi o empresário Mário Góes, preso em Curitiba acusado de envolvimento em desvios de dinheiro da Petrobras. Mário Góes é acusado de ser operador do esquema e de intermediar o pagamento de propina por empresas contratadas pela Petrobras. Ele foi mencionado nos depoimentos do ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco. De acordo com o ex-gerente, Góes atuou como operador financeiro em nome de várias empresas contratadas pela Petrobras.

Góes nega qualquer envolvimento no caso. Ele é sócio da empresa Arxo, de construção de tanques de combustíveis. A empresa é suspeita de envolvimento em um esquema de pagamento de propina investigado pela Operação Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, a companhia tem negócios com a BR Distribuidora.

Conforme as alegações do Ministério Público Federal, Góes operava o pagamento de propinas provenientes de contratos firmados pela Petrobras. Ele é suspeito de entregar a Barusco mochilas com grande valores de propina em espécie, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

“O senhor se recusa a falar, mas vai ouvir as nossas perguntas e as suspeitas que pesam contra o senhor. E espero que seja levado a contribuir para esclarecer esse prejuízo à Petrobras”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Cerveró

O segundo a se negar a falar foi o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, que leu um manifesto contra sua prisão. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Cerveró é apontado como operador do PMDB na diretoria da Petrobras – o que foi afirmado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Funcionário da Petrobras desde 1975, Cerveró era diretor da área Internacional da companhia em 2006, quando foi comprada a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que teria causado um prejuízo de mais de 700 milhões de dólares à empresa – segundo o TCU.

De acordo com o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, em delações premiadas, Cerveró atuava na diretoria como representante do PMDB. Ele foi denunciado pelo Ministério Público junto com o empresário Fernando Soares, apontado como operador do PMDB. Os dois foram presos, acusados de receber 30 milhões de dólares em propinas entre 2006 e 2007.

Cerveró disse que iria se calar, por orientação de seus advogados, até que “seja devolvido” seu direito de permanecer em liberdade. “Agora estou preso aguardando posição do STF sobre o absurdo desse encarceramento. Não perdi meus direitos, nem mesmo o de ser assistido por advogado. Então, por orientação do meu advogado, deixo momentaneamente de me pronunciar. Não há motivo para eu estar em prisão”, disse.

Fernando Baiano

Quem também se recusou a falar foi o empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano. Segundo Alberto Youssef, Fernando Baiano era o operador do PMDB no esquema de corrupção. A acusação foi feita pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Costa disse ainda que recebeu R$ 1 milhão de Soares para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Soares é mencionado ainda no depoimento do empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, como intermediário do pagamento de propinas entre empresas contratadas e diretores da Petrobras. Segundo Camargo, Soares o pressionou para que pagasse propina em um contrato entre a Petrobras e uma empresa que alugava sondas de perfuração.

“Desse jeito, já que ninguém está querendo colaborar, é melhor a gente voltar para Brasília”, disse o deputado Izalci (PSDB-DF). “Diante da falta de interesse do depoente em falar vou me reservar o direito de não fazer perguntas”, disse o deputado Bruno Covas (PSDB-SP).

Mais silêncio

Guilherme Esteves de Jesus, acusado de ser o operador do estaleiro Jurong, também se recusou a responder perguntas dos deputados da CPI da Petrobras na audiência pública que ocorreu em Curitiba (PR).
O estaleiro foi acusado pelo ex-gerente de Tecnologia da Petrobras, Pedro Barusco, de pagar propina em troca de contratos para construção de sondas de perfuração.

“O senhor não vai falar nada mas eu vou lhe dizer: o senhor é responsável pelo desemprego de mais de 20 mil pessoas em Itaboraí, onde fica o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro”, disse o deputado Altineu Cortes (PR-RJ).

Também o empresário Adir Assad, acusado de intermediar propinas entre empresas contratadas pela Petrobras e diretores da estatal, se recusou a responder as perguntas dos membros da CPI.

Assad está preso em Curitiba acusado de envolvimento na Operação Lava Jato. De acordo com as suspeitas, empresas de fachada controladas por Assad foram utilizadas viabilizar o pagamento de propina nas obras da Repar, a Refinaria de Araucárias, no Paraná.

Empresas de fachada

Além de Youssef, a única pessoa que concordou em responder as perguntas dos deputados foi Iara Galdino, acusada de participar do esquema de lavagem de dinheiro da doleira Nelma Kodama.

Nelma Kodama foi acusada de participação em organização criminosa, evasão de divisas, 91 operações irregulares de instituição financeira, falsa identidade a terceiro para operação de câmbio, lavagem de dinheiro e corrupção.

Iara disse que passou a trabalhar para a doleira em 2012, e sua função era apenas de abrir empresas de fachada, que seriam usadas no esquema criminoso. Ela disse não saber para que clientes essas operações de lavagem de dinheiro, viabilizadas mediante empresas de fachada, eram feitos.

Os deputados consideraram exagerada a condenação imposta a ela. “A senhora, pelo que entendi, era do terceiro escalão desse esquema”, disse o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ).

Novos depoimentos

Nesta terça-feira, serão ouvidas outras seis pessoas pela CPI na sede da Justiça Federal em Curitiba (PR): Nelma Kodama (doleira), René Pereira (ligado a Youssef), os ex-deputados Luiz Argolo, Pedro Corrêa e André Vargas, e o doleiro Carlos Habib Chater.

*Com informações da Agência Câmara.

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