Prefeitos baianos participam de audiência com ministro da Integração Nacional

Ministros da Integração Nacional recebe prefeitos.
Ministros da Integração Nacional recebe prefeitos.
Ministros da Integração Nacional recebe prefeitos.
Ministros da Integração Nacional recebe prefeitos.

O Lago de Sobradinho é o terceiro maior do mundo, com capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água. Mas, neste momento, possui pouco menos de 20% do volume total, o que pode causar uma “catástrofe” ainda em 2015 à fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.

O alerta é do deputado estadual Eduardo Salles, que participou, na manhã desta terça-feira (14/04/2015), em Brasília, ao lado do deputado federal Mário Júnior, de audiência com o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. O parlamentar pediu a ajuda do chefe da pasta para evitar que a irrigação no Vale do São Francisco seja suspensa por falta de água no perímetro.

Estiveram presentes também na audiência os prefeitos de Curaçá, Carlinhos Brandão, de Paratinga, Zequinha, de Santana, Dr. Wilson e de Bom Jesus da Lapa, Eures Ribeiro, além do gestor de Barra do Choça, Oberdan Rocha, que foi saber sobre um projeto de urbanização parado no Ministério da Integração desde 2009.

“Ano passado, nesta mesma época, tínhamos 50% do volume e chegamos a setembro com 20%. Agora as perspectivas são sombrias para o segundo semestre de 2015”, relatou o parlamentar. Eduardo Salles propôs ao ministro a liberação de recursos para a aquisição imediata de flutuantes previstos em um porjeto da CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), descentralização das verbas para pagamento dos funcionários terceirizados dos projetos – como o Pedra Branca, em Curaçá, que já têm três meses sem receber salários -, criação de linha de crédito para modernização dos sistemas de irrigação dos projetos e retorno da assistência técnica oferecida aos produtores.

O deputado fez uma apresentação técnica ao ministro sobre a situação no Vale do São Francisco. Na região existem 25 pontos de captação de água do rio São Francisco, sendo oito delas na Bahia. Os projetos Curaçá, Maniçoba, Tourão, Salitre, Pedra Branca, Glória e Rodelas, caso o volume continue a diminuir, terão problemas de captação. “Apenas Mandacaru, criado em 1973, não terá problema”, disse o deputado.

A irrigação na região permite a geração de 1,2 milhão de empregos, com 240 mil postos de trabalho diretos, e gera anualmente um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 2 milhões, indicam os números da Embrapa. “Já imaginaram o caos social se faltar água?”, questionou Eduardo Salles.

Petrolina, Juazeiro e as cidades do entorno compõem o maior polo de irrigação do Brasil, mas, conforme os números da Embrapa, 94% das propriedades possuem de cinco a 20 hectares. A área total produz um milhão de toneladas de frutas anualmente. Os destaques são os plantios de uva, manga, banana, coco, goiaba, melão, acerola, maracujá, papaia e pinha.

“Essas culturas são perenes. Um estresse hídrico ocasionaria a morte das plantas e a recuperação econômica da região, na melhor das hipóteses, demoraria mais de uma década”, explicou Eduardo Salles, que é engenheiro agrônomo e foi secretário de Agricultura da Bahia. O custo para implantar um hectare de fruticultura no Vale do São Francisco é de R$ 70 mil.

O ministro informou que vai tentar viabilizar os recursos, apesar da dificuldade no orçamento. “Mesmo que não tenhamos os R$ 120 milhões previstos no projeto da Codevasf, vamos analisar o que podemos fazer. Já pedi outros estudos”, disse Occhi.

Redação do Jornal Grande Bahia
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