Mensagem de despedida | Por Paulo Gabriel Soledade Nacif

Paulo Gabriel Soledade Nacif deixa reitoria da UFRB e passa a ocupar o cargo de Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no Ministério da Educação - SECADI.
Paulo Gabriel Soledade Nacif deixa reitoria da UFRB e passa a ocupar o cargo de Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no Ministério da Educação - SECADI.
Paulo Gabriel Soledade Nacif deixa reitoria da UFRB e passa a ocupar o cargo de Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no Ministério da Educação - SECADI.
Paulo Gabriel Soledade Nacif deixa reitoria da UFRB e passa a ocupar o cargo de Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no Ministério da Educação – SECADI.

À Comunidade Acadêmica da UFRB e do Recôncavo da Bahia,

A Presidenta Dilma Rousseff procedeu a minha exoneração do cargo de reitor da UFRB que, com imensa honra, ocupava desde 03 de julho de 2006. Ao mesmo tempo, fui nomeado para exercer o cargo de Secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão no Ministério da Educação – SECADI.

Assumi a então Diretoria da Escola de Agronomia da UFBA em 14 de março de 2003 e, já nesse dia, ao lado de colegas acadêmicos e lideranças de todo o Estado, foi iniciada a luta pela implantação da UFRB. Realizamos dezenas de audiências públicas, reuniões, seminários, numa mobilização até então inédita no Brasil. No início, poucos acreditavam nessa conquista, mas, com paciência e persistência, conquistamos corações e mentes de toda a Bahia. Em 29 de julho de 2005 assistimos ao coroamento da nossa luta quando o Presidente Lula sancionou a Lei 11.151, criando a UFRB.

Nesse período, buscamos estar à altura dos desafios que a história nos colocou: implantar a primeira universidade federal do interior da Bahia e construir um sistema que associasse a necessária excelência acadêmica com imprescindível inclusão.

A vontade de exibir os números da UFRB é sempre tentadora. Afinal, tais números impressionam a todos. Divulgar tais realizações é uma obrigação dos gestores públicos. Mas hoje não seguiremos esse caminho. Isso será feito em outra oportunidade.

Nesse momento consideramos fundamental destacar que perseguir tais números foi decorrência da certeza de que o processo qualificado de inclusão educacional e tecnológica da nossa população é, na contemporaneidade baiana, o mais revolucionário dos desafios públicos. Os indicadores que ainda exibimos nessas áreas devem nos impor um constrangimento ético incontornável e diante deles os percalços da implantação da UFRB devem ser percebidos como algo suportável e etapa a ser coletivamente vencida. Não tenho dúvidas que hoje, todos, mesmo aqueles que se colocaram sistematicamente contrários a qualquer expansão, consideram que os campi e centros da UFRB, com suas conquistas e desafios, constituem-se em patrimônios inestimáveis para o Recôncavo e para o Brasil.

Implantar uma universidade num ambiente democrático é uma experiência que merece ampla reflexão. Somos a primeira geração a enfrentar tal desafio na história do Brasil, pois, vale lembrar, todos os outros processos de expansão das universidades federais ocorreram em períodos de restrições democráticas. Isso torna o processo de implantação mais complexo e mais rico e por isso com conquistas mais sólidas.

Como reitor e vice-reitor, eu e o professor Silvio Soglia dedicamos o melhor de nós à causa da implantação da UFRB. Vimos essa universidade brotar nos seus docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Vimos essa universidade brotar nos seus campi, prédios, bibliotecas e laboratórios. Vimos essa universidade brotar nos seus regimentos, portarias e estatuto. Vimos essa universidade brotar na organização de setores como contabilidade, orçamento, compras, patrimônio e tecnologia da informação. Vimos essa universidade brotar na excelência da sua pesquisa, ensino, extensão, internacionalização, políticas afirmativas e inclusão. Vimos essa universidade brotar assentada com profundas raízes massapé do recôncavo e ganhar o mundo. E assim, sempre atentos e apaixonados com o que crescia à nossa frente, vimos nascer uma universidade com compromisso com um Brasil, uma Bahia e um Recôncavo mais desenvolvidos, mais inclusivos e mais fraternos.

Ao povo do Recôncavo a minha gratidão por permitir a minha participação nessa aventura que já integra, com destaque, a nossa história de tantos séculos. Lembro do Mineiro Carlos Drummond de Andrade e não tenho dúvidas: cada pessoa do Recôncavo já nasce como personagem de uma história muito mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Em nome do professor Silvio Soglia agradeço a toda a equipe administrativa da UFRB a colaboração permanente. Lamentavelmente é impossível nominar a todos que merecem o meu agradecimento e reconhecimento.

À Comunidade Acadêmica meu agradecimento e pedido de desculpas por não entregar uma obra ainda mais completa. Tenho consciência de que o meu papel foi o de vencer os primeiros desafios da implantação desse projeto. Desafios ainda maiores estão postos e a consolidação de uma cultura institucional que fortaleça os princípios fundadores da nossa universidade é uma tarefa inadiável.

Dirijo-me especialmente aos nossos estudantes. Aos atuais, aos que por aqui passaram nesses nove anos e aos que virão. Com vocês, estudantes, vivi as crises, críticas e também as conquistas e vitórias. Sim, antes de existir em grande parte para vocês e por vocês quero acreditar que a UFRB existe em vocês. Vocês possuem a capacidade de conduzir a nossa chama a algum lugar de um futuro cada vez mais distante e assim transforma-la em eterna. Em cada estudante vejo uma interessante materialização do ensino, da pesquisa e da extensão da universidade e a esperança da transformação de cada vida e de todo um país através do conhecimento. Suas aspirações e angústias devem também ser as nossas, e o sucesso de vocês, assim espero, pode ser uma mostra de que estamos no bom caminho.

Repito o que expressei no meu discurso de posse em 2006: a real essência da universidade não é, tão somente, o ensino, a pesquisa e a extensão, em si mesmo, mas, principalmente, os indivíduos envolvidos nesses processos. O ensino, a pesquisa e a extensão são importantes porque por meio deles a universidade ajuda a elevar a existência do ser no mundo. Mas devemos estar atentos: nós, professores, servidores, estudantes, cientistas, extensionistas, técnicos, cidadãos, somos os produtos verdadeiramente preciosos que são oferecidos à sociedade, e nós, com a vontade de potência, nossa força humana, somos capazes de enriquecê-la e melhorá-la.

À minha família um agradecimento pela paciência e torcida inestimável. Ouso pedir um pouco mais de paciência pelos desafios futuros que chegam.

Agora é hora de ir. A UFRB continuará a sua história. Espero agora ter a oportunidade de vivencia-la numa dimensão na qual as minhas obrigações até então não permitiam. Tenho a certeza que essa relação com a UFRB e o Recôncavo será sempre intensa e duradoura. A todos e todas deixo meu abraço, com amizade e fé no futuro, pois sinto que estamos apenas começando. Como diz a canção, “é cedo, ou tarde demais, pra dizer adeus, pra dizer jamais.”

Paulo Gabriel Soledade Nacif, reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Cruz das Almas, 29 de abril de 2015.

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