João Vaccari Neto diz que dinheiro recebido de empresário investigado era empréstimo

João Vaccari Neto admitiu ter conhecido o empresário Fernando Soares.
João Vaccari Neto admitiu ter conhecido o empresário Fernando Soares.
João Vaccari Neto admitiu ter conhecido o empresário Fernando Soares.
João Vaccari Neto admitiu ter conhecido o empresário Fernando Soares.

O tesoureiro do PT, João Vaccari, admitiu ter recebido dinheiro do empresário Cláudio Mente, um dos investigados na Operação Lava Jato, mas disse que se tratou de um “empréstimo” feito para pagar um imóvel.

Segundo depoimento de delação premiada feita pelo doleiro Alberto Youissef, Vaccari recebu R$ 400 mil em 2008, dinheiro depositado na conta da mulher dele, Giselda Rousie de Lima. Segundo Youssef, Cláudio Mente operava o pagamento de subornos na Petrobras. Vaccari afirma que as transações resultaram de um empréstimo concedido a ele por Mente, seu amigo, para a aquisição de uma casa.

Vaccari explicou à CPI que comprou uma casa em 2008, mas que precisava vender outro imóvel para quitá-la, o que não conseguiu a tempo. “Não conseguiu vender outro imóvel a tempo e por isso pedi empréstimo a Cláudio. O empréstimo foi liquidado em 2009”, disse Vaccari. Ele havia explicado a mesma operação à Polícia Federal.

Vaccari admitiu conhecer e ter mantido contatos com vários acusados de envolvimento na Operação Lava Jato. Ele disse que procurou vários empresários que mantinham contato com a Petrobras em “campanhas institucionais” do PT, mas negou recebimento de propina mencionada nos depoimentos de Pedro Barusco e do doleiro Alberto Youssef.

Ele disse que conhece o empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, que o teria procurado para fazer uma contribuição para o PT. Afirmou ainda que conheceu outros empresários, sempre “em busca de captação de recursos”, como Eduardo Leite, Leo Pinheiro, João Carlos Medeiros Ferraz, Gelson Almada e Agenor Medeiros, todos investigados pela Operação Lava Jato.

Vaccari também admitiu ter conhecido o empresário Fernando Soares, apontado como operador do PMDB, mas que nunca tratou de dinheiro com ele. “O conheci uma vez no aeroporto e nunca mais o vi”, disse.

Vaccari nega denúncias do Ministério Público de que tenha recebido propinas

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou à CPI da Petrobras denúncia do Ministério Público Federal de que pagamentos da Petrobras a empresas contratadas eram repassados, na forma de propina, para o partido por meio de doações legais.

Ele respondeu pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA), que apresentou planilha de pagamentos elaborada pela Força Tarefa da Operação Lava Jato. Os procuradores que investigam desvios na estatal concluíram que repasses oficiais aos diretórios do PT foram feitos por empresas contratadas pela Petrobras poucos dias depois dos pagamentos serem feitos

“Doações oficiais do consórcio Intercon e da Setal foram feitas ao PT dois dias depois delas receberem da Petrobras. Como o senhor explica isso?, perguntou. “As doações são legais, apresentadas ao TSE e via transações bancárias”, respondeu Vaccari. “Mas não é muito coincidência, dois dias depois de receber da Petrobras, doar ao PT?”, insistiu a deputada. “Eu vou repetir: as doações são legais”, disse Vaccari.

Os consórcios Interpar e Intercom (formados pela Mendes Jr, MPE e SOG) receberam da Petrobras, entre 2008 e 2010, em datas próximas às de doações para o PT. Eliziane apresentou dados que mostram que, em 2009, a Petrobras efetuou pagamento de R$ 14,9 milhões, no dia 29 de abril, para o consórcio Interpar (Mendes Jr, MPE e SOG). No dia 30, foi feita transferência da Setal de R$ 120 mil para o Diretório Nacional do PT.

*Com informações da Agência Câmara.

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