Empresário admite “clube” de companhias para licitações da Petrobras

Augusto Mendonça Neto: “Era uma forma de as empresas se protegerem diante da força da Petrobras; protegerem-se de modo a não competirem entre si”.
Augusto Mendonça Neto: “Era uma forma de as empresas se protegerem diante da força da Petrobras; protegerem-se de modo a não competirem entre si”.
Augusto Mendonça Neto: “Era uma forma de as empresas se protegerem diante da força da Petrobras; protegerem-se de modo a não competirem entre si”.
Augusto Mendonça Neto: “Era uma forma de as empresas se protegerem diante da força da Petrobras; protegerem-se de modo a não competirem entre si”.

O executivo Augusto Mendonça Neto, presidente da Setal Engenharia, uma das empresas acusadas de formação de cartel e pagamento de propina em contratos com a Petrobras, confirmou à CPI que investiga irregularidades na estatal a existência de um “clube” de empresas que se reuniu para participar das licitações da petrolífera.

Segundo a Polícia Federal, participavam como membros principais do “clube” as empresas Galvão Engenharia, Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, Setal, GDK e OAS.

Mendonça disse que o “clube” começou em 1997 com apenas nove empresas. Mas que o número foi ampliado em 2003 e 2004, quando a Petrobras retomou seus investimentos, principalmente no setor de refino. “O grupo ganhou efetividade com a relação dos dois diretores [Paulo Roberto Costa e Renato Duque]”, revelou.

Favorecimento

Segundo Mendonça, a partir da relação com Costa (ex-comandante da Diretoria de Abastecimento) e Duque (que chefiava a Diretoria de Serviços), e o consequente pagamento de propina, a Petrobras deixou de convidar novas empresas para participar das licitações. De acordo com o empresário, os ex-diretores da Petrobras favoreciam as companhias do “clube”, que se reuniu em cartel para obter contratos com a estatal.

“[Eles ajudavam] sim, na medida em que era entregue uma lista de empresas que seriam convidadas [para participar das licitações]”, disse Mendonça, em resposta ao relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Conforme o empresário, os diretores ofereciam principalmente o serviço de não atrapalhar os interesses das companhias integrantes do “clube”. “O poder de um diretor da Petrobras de atrapalhar era enorme. De ajudar era pequeno. As companhias participavam mais por medo que por vantagem”, comentou, referindo-se ao pagamento de propina.

Intermediário

Ele apontou o doleiro Alberto Youssef como intermediário do pagamento de propinas entre a empresa dele e o ex-deputado José Janene. “Janene me apresentou a Youssef e disse que ele iria receber os valores mensalmente”, explicou. Segundo Mendonça, o doleiro ofereceu notas fiscais frias em troca do dinheiro.

O empresário lembrou que a Setal Óleo e Gás (SOG) participava de um consórcio ganhador de dois contratos com a Petrobras, em 2007 ou 2008, quando foi procurado por Janene. “Janene se colocou como responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras acusado de receber propinas e disse que, se nós não fizéssemos uma contribuição, seríamos duramente penalizados”, declarou.

“A partir daí, reuni-me com as companhias do consórcio e decidimos colaborar”, relatou. Na época, a SOG participava, junto com a Mendes Júnior e a MPE Engenharia, de consórcio para obras na Refinaria Repar, no Paraná.

*Com informações da Agência Câmara.

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