Em depoimento à CPI da Petrobras, empresário afirma ter feito pagamentos ao PT

Augusto Mendonça Neto: "contou que se reuniu com Vaccari, no total, cerca de dez vezes. ‘Nós parcelávamos o pagamento e, às vezes, atrasávamos”
Augusto Mendonça Neto: “contou que se reuniu com Vaccari, no total, cerca de dez vezes. ‘Nós parcelávamos o pagamento e, às vezes, atrasávamos”

O empresário Augusto Mendonça Neto disse à CPI da Petrobras, nesta quinta-feira (23/04/2015), que procurou o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a pedido do ex-diretor da estatal Renato Duque, para fazer doações oficiais ao partido. Ele confirmou doações ao PT no valor de R$ 4,2 milhões, conforme já havia dito à Justiça Federal.

Executivo da Setal Óleo e Gás, empresa investigada pela Operação Lava Jato, Mendonça afirmou, porém, que na conversa com Vaccari não houve nenhuma referência à Petrobras. “Mas Duque ofereceu algum benefício a suas empresas na estatal?”, perguntou o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). “Ele não oferecia vantagens. Era mais no sentido de não atrapalhar [os contratos]”, esclareceu.

Mendonça contou que se reuniu com Vaccari, no total, cerca de dez vezes. ‘Nós parcelávamos o pagamento e, às vezes, atrasávamos”, explicou.

Ele confirmou ainda o teor de depoimento prestado por ele à Justiça Federal em que afirmou ter pagado R$ 2,5 milhões ao PT por meio de depósitos feitos como pagamentos por supostos anúncios em uma revista editada pela Gráfica Atitude, em São Paulo. Ele disse que fez isso a pedido de Vaccari.

O PT nega o recebimento de propina de empresas contratadas pela Petrobras e afirma que as doações foram feitas oficialmente e registradas na Justiça Eleitoral.

Contradição

Deputados da CPI apontaram uma suposta contradição nas falas de Mendonça e do ex-tesoureiro do PT. Ao responder pergunta do deputado Bruno Covas (PSDB-SP), um dos sub-relatores da CPI, Mendonça disse que procurou Vaccari a pedido do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, em 2008, para oferecer doação ao partido.

Segundo o empresário, isso ocorreu em um escritório do PT, perto da Praça da Sé, em São Paulo. Na conversa, Vaccari teria orientado Mendonça a respeito da maneira de fazer doações ao partido.

Em depoimento anterior à CPI da Petrobras, Vaccari afirmou que só começou a ter responsabilidade pelas finanças do PT a partir de 2010. E que, só a partir dessa época, participou de campanhas “institucionais” de arrecadação de recursos para o partido – e não para campanhas eleitorais.

“Vaccari mentiu à CPI ao dizer que só começou a arrecadar dinheiro para o PT em 2010. A CPI tem que tomar providências em relação a isso”, disse o deputado Izalci (PSDB-DF).

A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) lembrou que Vaccari prestou depoimento à comissão amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) que o desobrigada de dizer a verdade. “Ele veio como investigado, com o direito de mentir”, apontou. O ex-tesoureiro do PT foi preso pela Operação Lava Jato e está detido atualmente em Curitiba (PR).

Mendonça admitiu ainda à CPI que suas empresas fizeram doações oficiais a outros partidos, como o PSDB. Mas esclareceu que, nesses casos, as doações não tiveram qualquer relação com a Petrobras.

*Com informações da Agência Câmara.

Redação do Jornal Grande Bahia
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