Delatores apontam tesoureiro do PT como destinatário de propinas

João Vaccari Neto: “São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”.
João Vaccari Neto: “São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”.
João Vaccari Neto: “São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”.
João Vaccari Neto: “São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”.

O nome do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, aparece com destaque nos depoimentos feitos pelo ex-gerente de Tecnologia da Petrobras, Pedro Barusco, em delação premiada. Barusco admitiu à Justiça e à CPI da Petrobras ter recebido propinas em cerca de 90 contratos da Petrobras, entre 2003 e 2011, dinheiro também repassado a Vaccari e ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

Entre os contratos que deram origem a propinas estão, segundo ele, os firmados para a construção de sondas de perfuração pela empresa SeteBrasil (propina paga pelos estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio Grande e Kepel Fels), aluguel de navios plataformas junto à empresa holandesa SBM Offshore e implantação do gasoduto Gasene (construído pelas empreiteiras Bueno e Galvão Engenharia).

O vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, também acusou Vaccari. Ele ficou preso quase quatro meses acusado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Ele foi libertado depois de fazer delação premiada, na qual admitiu ter pago propina ao tesoureiro do PT.

“Acusações falsas”

“São falsas as acusações contra mim contidas nesses depoimentos”, disse Vaccari várias vezes, nesta quinta-feira (9), ao responder perguntas dos deputados integrantes da CPI da Petrobras.

No depoimento à CPI, Vaccari negou ter atuado como operador do PT junto às empreiteiras. “Eu sou tesoureiro do PT desde 2010 e nunca participei de arrecadação de dinheiro para campanhas”, disse. Segundo ele, desde 2006 (ou seja, depois do escândalo do Mensalão) o PT separou as atribuições do tesoureiro, e a arrecadação de campanhas ficou a cargo do coordenador do comitê eleitoral.

“Eu participei, como secretário de Finanças, de missões institucionais de capturar recursos para o partido e não para campanhas”, disse Vaccari. Foi dessa maneira, segundo ele, que ele conheceu alguns dos empresários acusados de formação de cartel, corrupção e lavagem de dinheiro da Petrobras, como Gerson Almada, Eduardo Leite e Júlio Camargo.

Ele também disse conhecer o doleiro Alberto Youssef, apontado pela Polícia Federal como o personagem principal do esquema de lavagem de dinheiro. “Mas eu nunca tratei de recursos financeiros com ele”, disse. Depois de pressionado pelos deputados, ele disse já ter ido ao escritório de Youssef. “Mas ele não estava e não sei o que ele queria comigo”, explicou.

Vaccari nega que tenha recebido propinas na forma de doações oficiais

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou à CPI da Petrobras denúncia do Ministério Público Federal de que pagamentos da Petrobras a empresas contratadas eram repassados, na forma de propina, para o partido por meio de doações legais.

Ele respondeu pergunta da deputada Eliziane Gama (PPS-MA), que apresentou planilha de pagamentos elaborada pela Força Tarefa da Operação Lava Jato. Os procuradores que investigam desvios na estatal concluíram que repasses oficiais aos diretórios do PT foram feitos por empresas contratadas pela Petrobras poucos dias depois dos pagamentos serem feitos

“Doações oficiais do consórcio Intercon e da Setal foram feitas ao PT dois dias depois delas receberem da Petrobras. Como o senhor explica isso?, perguntou. “As doações são legais, apresentadas ao TSE e via transações bancárias”, respondeu Vaccari. “Mas não é muito coincidência, dois dias depois de receber da Petrobras, doar ao PT?”, insistiu a deputada. “Eu vou repetir: as doações são legais”, disse Vaccari.

Os consórcios Interpar e Intercom (formados pela Mendes Jr, MPE e SOG) receberam da Petrobras, entre 2008 e 2010, em datas próximas às de doações para o PT. Eliziane apresentou dados que mostram que, em 2009, a Petrobras efetuou pagamento de R$ 14,9 milhões, no dia 29 de abril, para o consórcio Interpar (Mendes Jr, MPE e SOG). No dia 30, foi feita transferência da Setal de R$ 120 mil para o Diretório Nacional do PT.

Bate-bocas entre petistas e oposição marcaram sessão da CPI da Petrobras

A sessão da CPI da Petrobras nesta quinta-feira (9) foi marcada por bate-bocas entre deputados do PT e da oposição. O deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), ao interrogar Vaccari a respeito das acusações feitas a ele pelo Ministério Público Federal, chamou o tesoureiro do PT de “maior corrupto e ladrão da história do País” e disse que o PT “patrocina a corrupção”.

“O senhor passou no psicotécnico? Como passou no concurso para delegado?”, perguntou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Waldir disse que vai processar a deputada.

Próximo depoimento
O próximo depoimento à CPI da Petrobras será do empresário Augusto Mendonça Neto, executivo da empresa Toyo Setal que disse, em acordo de delação premiada, que pagou entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque entre 2008 e 2001.

*Com informações da Agência Câmara.

 

Redação do Jornal Grande Bahia
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