Feira de Santana: como foi fundado o Clube de Campo Cajueiro | Por Alberto Peixoto

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto .
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto .
Clube de Campo Cajueiro-Feira de Santana-BA
Clube de Campo Cajueiro-Feira de Santana-BA

“Como se sabe, as mulheres sabem lidar com o emocional muito mais que os homens; pois elas falam de suas agruras, enquanto os homens se fecham… Sem saberem as mulheres praticam a catarse, isto é, a cura pela palavra, base da psicanálise.

Mas como na conversa surgiu a cidade de Feira de Santana, lembrei-me de uma história real. O rico comerciante Oscar Cordeiro e seus amigos resolveram assumir a direção do Feira Tênis Clube para moralizar o mais requintado clube da cidade.

No primeiro baile de gala, ele e outros diretores ficaram no fim da passarela que dá acesso ao clube vigiando quem entrava. Aí ele perguntou ao porteiro: por que havia deixado essa moça entrar? Essa moça FODE. Mas seu Oscar ela é moça de família, filha de seu fulano. Mas ela FODE, repetiu em voz alta e foi aquele barraco. Uns ficaram a favor e outros contra, mas a moça não entrou no clube. Houve forte reação da família da moça, o seu Oscar disse que se retrataria se a moça fosse submetida ao exame de virgindade e ela se recusou a fazer e aí ele retrucou para o pai da moça. Está vendo? Isso prova que estou com a razão.

Em conseqüência dessa confusão com a moça, prezados leitores, resultou na renúncia de toda a diretoria do clube e eles decidiram fundar outro clube para derrubar o Feira Tênis Clube e conseguiram. Formaram um grupo de 100 amigos endinheirados e fundaram o espetacular Clube de Campo Cajueiro  (CCC). Atualmente esse Clube possui aproximadamente 515 proprietários remidos (responsáveis pela fundação do clube) e quase 200 sócios proprietários contribuintes. Durante algum tempo fui sócio contribuinte desse clube.

Era assim a coisa na década de 60. Moça de família deveria ficar virgem até o casamento. Nas escolas estaduais de segundo grau não havia salas mistas. Rapazes e moças ficavam em salas separadas. No primeiro cinema que funcionou na construção de Brasília, as mulheres eram convidadas a saírem da sala quando havia cenas fortes de sexo e depois chamadas de volta. Isso parece incrível para fui verdade. Em Salvador onde morava, o Cine Jandaia na Baixa dos Sapateiros, ao passar ao exibir um filme pornográfico, proibiu a entrada de mulheres, mas foi descoberto que uma delas se passou por homem e entrou e isso se transformou em escândalo quando o jornal A Tarde publicou com destaque o episódio.

Também em Feira, houve outro episodia interessante. O médico Wilson Falcão era deputado federal e Assis Chateaubriand (Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, foi um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 1960, destacando-se como jornalista, empresário, mecenas e político.  Foi também advogado,professor de direito, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da America Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV (Rede Tupy), revistas e agência telegráfica).

foi a Feira de Santana para inaugurar o Museu do Vaqueiro que ele havia montado e dizem que depois das solenidades teria ido participar de uma festa orgástica e isso chegou ao conhecimento de Carlos Lacerda, seu inimigo e da tribuna da Câmara dos deputados, que ainda funcionava no Rio e falava horrores dessa estada de Assis Chateaubriand em Feira de Santana.

Estando presente a essa sessão, o dep. Wilson Falcão pede a palavra. Carlos Lacerda põe a mão aberta sobre os olhos e olha de um lado para o outro do plenário e pergunta: Quem pediu o aparte? Fui eu excelência, responde o dep. Wilson Falcão e aí o Lacerda diz: — Vocês viram, ele fala!!! Dr. Wilson era um péssimo orador e nunca tinha ocupado a tribuna da Câmara. “E aí deu um branco no Dr. Wilson que decidiu não mais revidar…”

*Texto do livro PEGADAS DA CAMINHADA de autoria de Theodiano Bastos ([email protected]).

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.