Sobre corrupção na Petrobras, afirma ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Não é crível que Lula e Dilma não soubessem”

Fernando Henrique Cardoso (FHC): "“Não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder.
Fernando Henrique Cardoso (FHC): "“Não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder.
Fernando Henrique Cardoso (FHC): "“Não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder.
Fernando Henrique Cardoso (FHC): ““Não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) em entrevista publicada na terça-feira (17/03/2015) no jornal Valor Econômico, afirmou que não vê possibilidade de a presidente Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, desconhecerem o esquema de corrupção instalado na Petrobras.

“Não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder, seja Lula seja Dilma. Não digo que estejam involucrados no assunto, mas não é crível que estivessem alheios. Foram muitos anos com diretores sustentados pelos partidos”, destacou o ex-presidente.

FHC falou também sobre as  manifestações do último domingo e avaliou que os encontros foram “mais politizados” dos que os de 2013. “Em junho de 2013 você tinha uma multiplicidade de objetivos, um mal estar generalizado. Agora esse mal-estar se transformou em indignação contra quem representa o poder, que é Dilma”, ressaltou.

Para FHC, o sentimento popular é de indignação em relação à corrupção “bem incrustada no Estado”. O ex-presidente também destacou que o governo precisa reconhecer que errou e que não pode fugir das responsabilidades:

“O governo pode vir a recuperar a iniciativa, mas não vai recuperar com ministro enrolando na televisão. A resposta da reforma política não é crível. A saída é ir mais fundo nas investigações e reconhecer: erramos. Quantas vezes não disse que errei por não ter ajustado o câmbio antes de 1998? Tinha mil razões para dizer porque não ajustei, mas não importa. Não se pode fugir da responsabilidade histórica.”

Outro assunto levantado durante a entrevista foram as manifestações de domingo, quando também houve panelaço. Na opinião de FH, os últimos protestos são diferentes dos realizados em 2013. “Em junho de 2013, você tinha uma multiplicidade de objetivos, um mal-estar generalizado. Agora esse mal-estar se transformou em indignação contra quem representa o poder, que é Dilma. Politizou mais”, disse o ex-presidente, que também analisou o protesto com panelas: “É uma coisa curiosa. Não é o governo que está surdo para a sociedade. É a sociedade que está surda para o governo. É grave isso”.

O ex-presidente também comentou a ausência de lideranças do PSDB em carros de som nas ruas: “Não estamos na posição de cavalgar em um movimento que é mais amplo que o partido. O movimento ainda não têm um caminho político claro, nem mesmo obscuro, é apenas uma explosão. A responsabilidade dos partidos é construir esse caminho agora, que passa por ser muito rígido e rigoroso na apuração dos fatos. Evitar qualquer tipo de pizza e marmelada e envolva quem quer que seja.”

Para ele, fugir das responsabilidades é o que tem feito o ex-presidente Lula. Fernando Henrique afirmou que seu sucessor sumiu após convocar o MST e a CUT para as ruas:

“O presidente Lula foi fazer uma declaração absolutamente imprópria, de pedir que os exércitos da CUT e do MST fossem para a rua. Depois ele se cala? Não se sente responsável se depois os ânimos se acirrarem? Ele sumiu e agora só Dilma que é culpada? Só se lê nos jornais que Lula reclamou da Dilma. Que é isso?”

FHC também citou o que chamou de desatinos que o governo praticou em áreas como a da política de campeãs nacionais, retenção do preço da gasolina e da política energética. “São responsabilidades de Lula e Dilma e do partido deles que conduziu esse processo. Agora dizem que foi o Guido?”

Sobre se aceitaria um convite da presidente para conversar, o ex-presidente ressaltou que não recusaria, mas que teria que ser em público, pois “não é hora para conchavo”: “Nunca recusei chamado de ninguém para conversar. Nem da Dilma. Agora o momento não é de conchavo. Se a presidente achar que é momento de chamar, deve ser público. Não se pode conversar sem pauta. Não sei se ela tem força convocatória, porque não tem que chamar só a mim. Tem que ampliar. Agora temos que digerir, todos nós, esse processo todo e ver o que vai acontecer nas próximas semanas. Vamos ver se o governo vai pagar o preço de correr mais fundo esse processo de estabelecimento das responsabilidades.”

*Com informações dos jornais Valor Econômico e O Globo.

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