Sobre a operação Lava Jato e autoridades envolvidas, cantava Bezerra da Silva: “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF). Corte julga as autoridades, com fórum especial por prerrogativa de função, envolvidas na corrupção identificada na Petrobras, pela operação Lava Jato.

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF). Corte julga as autoridades, com fórum especial por prerrogativa de função, envolvidas na corrupção identificada na Petrobras, pela operação Lava Jato.

A lista com os nomes das autoridades com fórum especial por prerrogativa de função envolvidas em atos de corrupção será apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Os nomes foram obtidos a partir das investigações da operação Lava Jato, com a subsequente delação premiada de alguns dos envolvidos no esquema de corrupção identificado na Petrobras.

Pelo número de pessoas envolvidas na corrupção, pelo status social destas pessoas, e pelo volume de recursos financeiros desviados é inescapável a lembrança poética do sambista de origem pernambucana, residente no Rio de Janeiro, José Bezerra da Silva (Recife, 23 de fevereiro de 1927 — Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2005).

Bezerra da Silva era um compositor e cantor do cotidiano, que ao criar a letra da música ‘Se gritar pega ladrão’, sintetizou de forma profética, trágica e cômica, o momento que o povo brasileiro vive:

“Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até magnata. Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha conclusão: Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão.”

Da Grécia antiga ao Brasil comtemporâneo

A tragédia e a comédia têm uma origem grega comum, as festas do deus Dionísio. No Brasil, tragédia e comédia encontram novo significado, são as relações desveladas na operação Lava Jato.

Confira parte da letra da música ‘Se gritar pega ladrão’

Você me chamou para esse pagode, e me avisou: “Aqui não tem pobre!”

Até me pediu pra pisar de mansinho, porque sou da cor, eu sou escurinho…

Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até magnata

Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha conclusão:

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Se gritar pega ladrão, não fica um

Lugar meu amigo é a minha Baixada, que ando tranqüilo e ninguém me diz nada

E lá camburão não vai com a justiça, pois não há ladrão e é boa a polícia

Lá até parece a Suécia, bacana, se leva o bagulho e se deixa a grana,

Não é como esse ambiente pesado, que você me trouxe para ser roubado….

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Se gritar pega ladrão, não fica um

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).