Paixão por (boa) poesia: Ana Maria Sampaio

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

O colega e amigo Clodoaldo Almeida é… da Paixão, até no nome. Apaixonado por uma boa poesia. E grata surpresa foi nos apresentar a jovem poetisa mineira Ana Maria Mendes Sampaio.

A seguir, os escritos da Ana Maria.

Ariano vive!

                                                                                                    Por Ana Mendes

Foi mais que um grande escritor… Foi um verdadeiro militante da cultura brasileira …Simples sim, mas longe de ser alguém simplório, tinha no pensamento os mais altos voos filosóficos, antropológicos, políticos, humanísticos…Sua paixão pela literatura, arte popular e pela vida era algo visceral, um verdadeiro erudito popular, que amava a cultura brasileira, sobretudo a nordestina. Retratava com maestria o meu povo: seu sofrimento, suas ingenuidades, suas espertezas, seus afrontos, confrontos… Um dos poucos autores que conheci que saia por detrás dos livros, da academia das letras, de seu conforto e ia ter com seu público, se apresentando em teatros, colégios, universidades, espaços públicos,culturais e em circos. Ah! Ele adorava os circos e tinha o maior prazer de dizer que possuía um. E é verdade, ele possuía! Arrancava risos de todos que tiveram a honra de estar em uma de suas plateias. Às vezes penso que você queria mesmo era ser palhaço. Se for assim, conseguiu! Nem o mais sério dos sérios “desengargalhava-se” com suas histórias.

 Ariano amava estar perto de suas raízes, vivendo intensamente a sua arte. Um patriarca da literatura! Um tesouro mundial! É perda demais! O perdemos para a morte! Mas que morte é essa¿ Ele mesmo dizia que ia dar trabalho pra danada… E deu e dá!

 Você se imortalizou Mestre! Fez-se eterno por sua filosofia irreverente, por sua sabedoria popular, por seus contos e causos surpreendentes, por sua mente iluminada, por sua fala universal, por sua literatura cheia de fantasias e  de realidades esperançosas, tal qual como você se dizia ser” um realista esperançoso.”

Você não precisou enganar a morte, como fez seu personagem João Grilo, simplesmente a odiou e adiou o quanto pode, amando a vida e a dizendo “Belíssima”! Como realista ainda que sonhador sabia que o encontro inevitável viria, mas que viria também a galope o grito do visionário imortal!  Grito que ecoa em nossas almas: ARIANO VIVE!

Natal sem Maria

Tantos Natais preciosos ao lado da amada Maria

Brincando… Lá se vão 31 anos

Lembro-me, que nessa época de Natal, costumava se virar de todo jeito e encontrar uma maneira de realizar a bela festa, a significativa confraternização, a acolhida de coração.

Presentar a todos, era impossível. Éramos muitos…

Não devia ser fácil. E como dizia sua irmã Teodora Maria: Era uma luta!

Sempre à noite, a nossa Maria saia em passeio pelo comércio iluminado da cidade, a fim de repor os adereços natalinos da última festa: festões coloridos, velas, castiçais, folhas secas pintadas de dourado, ponteira da árvore e cartões natalinos endereçados a outras tantas Amigas Marias: Maria Alice, Maria Tereza, Maria Eulina, Maria de Gonçalo…

Mas a grande compra era a das bolas natalinas de vidro. Eram lindas, de todos tamanhos e cores, com um brilho inigualável e sem as horríveis emendas das bolas plásticas. Quando se quebravam, corríamos para calçar as sandálias, tamanho era o medo da fabulosa história do tétano, que tal corte poderia causar.

 Adorava me aproximar das bolas de vidro para ver meu rosto aumentar e ficar estranho. Era uma diversão!

Perigosas, sim! Mas sedutoramente mais lindas, principalmente quando penduradas nas grandes palmeiras que havia em nosso quintal.

Após as compras, na volta pra casa, à última parada era a do forte abraço em Maria da Violeta, das mãos de quem comprava o bramante para os novos forros das almofadas.

Em casa, era “um tal” de mudar as coisas de lugar…E logo o chão estava  deslizando de “Cera Parquetina”.

A enceradeira vermelha, prestimoso presente de filha, dava o acabamento do brilho final.

Dessa vez… Ninguém reclamava dos afazeres. Nem a Pola, a quem se acarretava maior confiança nas tarefas, uma verdadeira especialista em ceras, óleo de peroba e pasta cristal.

Não haviam queixas, era Natal e seu espírito já prenunciava tais atitudes.

Hora de preparar e encomendar as guloseimas. Mais uma vez, outra Maria se destaca em seu cenário natalino. Dona Maria, mãe de Rosália, providenciava a entrega das lindas e deliciosas frutas cristalizadas: figos, pêssegos, abacaxis, damascos, goiabas e bananas, muitas bananas, as minhas prediletas!

Na decoração da mesa e das bandejas, não poderia faltar os laçarotes de fitas, esses comprados sempre de última hora no Armarinho São Jorge.

“Na“Radiola Stéreo Philips”, era tempo de ouvir o velho compacto duplo “A Harpa Celestial”, as mesmas quatro canções do ano passado.

No lado “A”… Só Natalinas: Jingle – Bells e Natal das Crianças.

No lado “B”… Boas Festas e Feliz Ano Novo.

Aquelas canções nos deixavam solícitos, em paz e em harmonia.

Na Praça da Matriz, onde morávamos, os sinos da Catedral prenunciavam a Missa do Galo e antes que desse seu badalo final de meia noite, lá estava nossa Maria… Pronta! Linda! Radiante! O cheiro de seu perfume Lima da Pérsia intensificava a sua simplicidade e elegância de grande mulher.

Por várias vezes treinei usar o seu perfume, mas aquela era uma Alquimia só sua. Um extrato de amor, de vida e de esperança.

Que saudade daqueles Natais, onde a Senhora puxava a oração para a ceia e íamos dormir, na certeza dos presentes: Tippy pra mim, Susi ciclista pra Gleide e outras tantas bonecas, ursos, bolas dente de leite e carrinhos reservados apenas para as suas crianças: as de casa, as do orfanato, que a Senhora conhecia pelos nomes e as da Igreja que não tinham um Papai Noel, mas tinham uma Maria em suas vidas.

 E assim, seu Almir da Liparbe – Livraria, papelaria e brinquedos- também, tinha a melhor de suas freguesas.

O tempo passou… A nossa árvore de Natal nunca mais foi à mesma… Mas continuamos reunidos e sua família, Maria, como uma grande árvore de vida, está cheia de novos galhos, novas flores, novos frutos… Todos advindos da força do seu amor, da sua coragem, da sua renúncia.

Com certeza, Minha Mãe, minha Maria, o seu nome estará para todo sempre gravado na galeria das mulheres virtuosas da vida.

 Coincidência ou não… O legado das Marias, vindo de tua mãe, foi dado a sua filha mais velha Maria Dalva e a sua filha mais nova Ana Maria.

Obrigada pela honra de ter teu nome em meu nome. Maria, um nome que tem “algo” que afaga. É um belo nome de mãe, é um doce nome de filha… Que hoje se traduz em saudades e  esperança de um lindo reencontro…

Até lá minha mãe Maria (Marizinha)

Ana Maria Mendes Sampaio.

Ela se pintou…

                                                                     Por Ana Mendes (Eclipse Lunar 15/04/2014)

Eis que surge a minha dama. É Ela sim! O meu grande amor, que

dessa vez vem em hora marcada.

Esperaria uma eternidade por esse encontro, que me traz a

velha súbita surpresa de todas as vezes que a miro. Eu não me canso de olhar…

Dessa vez está pintada… Seu rosto não se mostra pálido de

nostalgia ou tristeza, ele se coloriu de vermelho!

Enfeitada ela se sente e tem todo o Espaço para bailar. Aí,

então, Ela se espalha, coleciona almas e faz do Cosmos seu maior amante.

É pura atração… O seu cheiro continua sendo o das marés

e a brisa do vento prestou-lhe tributo com a melhor de sua orquestra.

Os apaixonados ao seu redor ficaram assim: loucos, atordoados,

embriagados e em silêncio. Nem os lobos teimaram em uivar nessa noite.

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 747 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.