O petróleo é nosso | Por Marialvo Barreto

Marialvo Barreto é geógrafo, professor, e ex-vereador do município de Feira de Santana.

Marialvo Barreto é geógrafo, professor, e ex-vereador do município de Feira de Santana.

Faço parte de uma geração que teve sua juventude vivida na década de 70 do século XX, sendo um ativo participante da resistência contra a ditadura militar brasileira.

A defesa do petróleo e da Petrobrás era assunto consensual entre toda a militância pró- democracia.

Nas próprias universidades, os professores mais comprometidos, avaliavam os aumentos de preço do petróleo, gerados pelos conflitos no oriente médio, apontando a perda de divisas com a sua importação, e, trazendo como consequência mais direta para o nosso povo,  o alto preço interno dos combustíveis fósseis.

Havia uma grande esperança de que o Brasil com um território de tamanho continental iria encontrar grandes reservas petrolíferas. Tínhamos os olhos voltados para o que poderia está escondido sob a imensidão da floresta amazônica, na região norte.

A autossuficiência em petróleo era um sonho daquela juventude dos anos 70, pois avaliávamos que assim teríamos preços mais baixos dos combustíveis, o que levaria o Brasil a uma aceleração do desenvolvimento. O Polo Petroquímico de Camaçari justificava esta análise, pois funcionaria sem a necessidade de importação de óleo bruto, onde a Refinaria Landulfo Alves, em São Francisco do Conde, funcionava com o petróleo autóctone, para fornecer ao mesmo os subprodutos necessários para o seu funcionamento.

Não tínhamos nos dado conta do que significara ser a Petrobrás uma empresa de economia mista, nem dos contratos de risco abertos pela empresa, quando esta autossuficiência petrolífera se tornasse realidade.

O pré-sal nos colocou diante desta sonhada realidade de grandes reservas, mas também nos colocou no pesadelo de que sendo a Petrobrás uma empresa de economia mista, com ações no mercado financeiro e outros investimentos, a mesma tem que obedecer as mais cruéis regras do mercado capitalista, praticando preços internacionais dos combustíveis, para assegurar o lucro aos seus acionistas, parceiros, investidores, contratantes, e outros, distanciando daquele sonho do passado, de ver os combustíveis com preços módicos, levando o País a um mais sólido projeto de desenvolvimento nacional.

Tenho uma saudade boa daquele sonho, que não há frustração capaz de apagá-lo, pois foi um sonho de uma geração que lutou para ele viesse acontecer.

Agora, penso que necessitamos de uma nova estatização dos hidrocarbonetos e da construção de um sólido controle social da Petrobrás, pois somente este tipo de controle pode frear a corrupção no modo de produção capitalista.

*Marialvo Barreto é geógrafo, professor, e ex-vereador do município de Feira de Santana. | E-mail: [email protected]

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]