Lava Jato: silêncio do TCM Bahia com relação ao envolvimento do conselheiro Mário Negromonte envergonha a instituição e os baianos

João Leão e Mário Negromonte são investigados pela PGR em decorrência de graves indícios de participação em atos de corrupção na Petrobras. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
João Leão e Mário Negromonte são investigados pela PGR em decorrência de graves indícios de participação em atos de corrupção na Petrobras. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

O atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM/BA), ex-deputado e ex-presidente do Partido Progressista (PP) Mário Silvio Mendes Negromonte foi denunciado pelo delator Alberto Yousseff, no processo que investiga corrupção na Petrobras. Considerado o segundo maior caso de corrupção do mundo, o esquema de corrupção na Petrobras foi identificada através da operação Lava Jato.

Em uma das delações, Alberto Yousseff afirma que Mário Negromonte passou a “se autofavorecer mediante a apropriação em seu próprio favor, a maior, dos valores”, repassados através do esquema de corrupção. O delator afirma que em uma única operação foram repassados R$ 5,5 milhões para Negromonte. Ele também declara que o conselheiro do TCM/BA era um dos líderes políticos da corrupção, sendo responsável pela extensão política do esquema, junto ao PP.

A delação consta na petição número 5260. Ela foi entregue pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator do processo, com a finalidade de abertura de inquérito para apurar e comprovar a extensão do envolvimento de agentes públicos no esquema de corrupção.

Observa-se que, na petição, o nome de Mário Negromonte é citado 21 vezes. Outro membro do PP envolvido no inquérito é o vice-governador e secretário do planejamento da Bahia, João Leão (PP). O nome de Leão aparece cinco vezes na petição 5260.

STF reponde

Em resposta as petições da PGR, o ministro Zavascki determina abertura do inquérito. Zavascki justifica a decisão afirmando ocorrer indícios de “esquema criminoso montado dentro da Petrobras, especialmente na Diretoria de Abastecimento, na Diretoria de Serviços e na Diretoria Internacional, contava com a relevante participação de grupos de políticos, ligados a pelo menos três partidos diferentes: PP, PT e PMDB”.

TCM/BA é conivente

A falta de uma postura firme por parte do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia no intuito de apurar a participação de um dos membros da instituição em graves indícios de atos de lesa-pátria, compromete a instituição, e envergonha os baianos.

Baixe

Caso Lava Jato – Petição da PGR ao STF, de nº 5260

Caso Lava Jato – Resposta do STF à PGR, referente a petição 5260

Organograma da corrupção na Petrobras, identificado pela operação Lava Jato.
Organograma da corrupção na Petrobras, identificado pela operação Lava Jato.
Páginas 25 e 26 da petição nº 5260, protocolada pela PGR no STF.
Páginas 25 e 26 da petição nº 5260, protocolada pela PGR no STF.
Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9162 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).