Lava Jato: Corrupto confesso, Pedro Barusco diz que se reuniu com tesoureiro do PT para tratar de propina

Corrupto confesso, Pedro Barusco presta depoimento na CPI da Petrobras. (último da direita)
Corrupto confesso, Pedro Barusco presta depoimento na CPI da Petrobras. (último da direita)
Corrupto confesso, Pedro Barusco presta depoimento na CPI da Petrobras. (último da direita)
Corrupto confesso, Pedro Barusco presta depoimento na CPI da Petrobras. (último da direita)

O ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco disse na terça-feira (10/03/2015), em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que se reuniu com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a fim de tratar do pagamento de propina ao partido no esquema de desvio de dinheiro que envolveu a petroleira, empreiteiras e políticos.

Barusco informou ter conhecido Vaccari durante uma reunião com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. “Os encontros com Vaccari, via de regra, eram em hotéis e duravam cerca de uma hora. Eu não participava de todas as reuniões; normalmente quem recebia o Vaccari era o Duque.”

Antes, Barusco havia sido questionado pelo deputado Afonso Florence (PT-BA) se tinha provas de que o tesoureiro do PT recebia parte da propina. “Que provas o senhor tem de que Vaccari Neto o obrigou a participar de ilícitos?”

No início do seu depoimento, o ex-gerente da Petrobras disse estimar que o PT recebeu entre 2003 e 2013 de US$ 150 a US$ 200 milhões, mas que não tinha como afirmar se Vaccari de fato recebeu o dinheiro.

“Eu contei a verdade para a Polícia Federal e o Ministério Público [Federal]. Contei a verdade, mas não tenho a documentação. Contei como acontecia, [como eram] os encontros, a divisão [da propina], simplesmente falei o que eu sabia”, respondeu Barusco.

O ex-gerente disse não saber quem autorizou Vaccari a se relacionar com as empresas. “Mas o fato é que ele atuava, sim”, disse Barusco, que garantiu jamais ter feito pagamentos ao tesoureiro do PT.

Barusco disse que o esquema de cartel envolvendo empresas intensificou-se a partir de 2003 e 2004 e que percebeu a atuação nos contratos das Refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Comperj, no Rio de Janeiro. “A gente sabia que existia o cartel.”

De acordo com Barusco, não havia extorsão com as empresas que participavam do esquema. “Eu fico procurando na minha mente, na minha memória, e não encontro caso nenhum de extorsão. Era uma relação normal, uma relação em que se acordavam as coisas. Havia um conflito aqui e ali para se discutir alguma coisa, mas extorsão eu nunca vi.”

Ele revelou ter recebido US$ 97 milhões em propinas de 2003 a 2011, quando trabalhava na Petrobras, e entre 2011 e 2013, período em que ocupou uma diretoria na empresa Setebrasil, criada para construir sondas de perfuração do pré-sal. Ele disse que parte do dinheiro está sendo repatriada.

*Com informações da Agência Brasil.

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